Superando aquela tempestade na minha vida



Quando estamos no meio da tempestade das coisas que nos acontecem é muito complicado ter uma visão clara de tudo que ocorre e quais as implicações de qualquer reação ou atitude nossa naquele momento. É como se estivéssemos às cegas a andar numa noite muito escura sobre uma das pontes de madeira, que estão quase a cair, que vemos nos filmes e nos colocamos em uma situação de ansiedade ao ver na tela o mocinho ou a mocinha a atravessar aquilo.

Sempre há um penhasco ou um despenhadeiro. Sempre há ou um vento forte, ou uma chuva torrencial, ou o antagonista a complicar ainda mais a travessia.

Entretanto, nossa vida não é um filme e somos nós nessa ponte, às cegas, muitas vezes, na vida. Logo, há duas importantes coisas que precisamos fazer: a primeira, é não nos cobrar ou culpar pelas decisões que nos levaram até esse momento. A segunda, é entender que não adianta sair correndo para atravessar, nem ficar à margem, à espera de algo mágico ou de um salvador que apareça do nada. É uma questão de enfrentamento que se apresenta à nossa frente e está em nossas mãos fazer o melhor que pudermos, sem cobranças.

Também não vai resolver ficar olhando só para a tal ponte e a tal tempestade. O cenário, certamente, se envolver um esforço da nossa parte, é um pouco maior do que isso. Num momento de crise, o mais importante é manter-se alerta e observador. Já está instalado o problema. Não adianta, não podemos fazer nada a respeito. O passo seguinte é o que de mais importante podemos fazer. Mas antes de qualquer ação, há, certamente, a reflexão do que fazer.

É muito especial quando percebemos que o nosso crescimento se dá a partir das crises que nós enfrentamos.

Parece contraditório, mas eu agradeço cada uma das crises pelas quais eu já passei e por cada uma que ainda passarei.  Não há outra forma de crescer. Interessante é que todo enfrentamento do que nos acontece tem em si um certo sofrimento associado. Me parece que esse sofrimento é quase como a pitada de sal naquela receita que define se ela estará na categoria “Master Chef” ou não. O sofrimento parece nos garantir que realmente vamos sair melhores de tudo isso.

Quando digo isso, fico a lembrar que já escrevi que somos feitos para o amor. Que  é o amor o melhor caminho. Que precisamos aprender a nos amar e que isso garantirá que nos tornaremos mais fortes e resilientes. Mas mais fortes e resilientes não significa que não passaremos pela dor. Pelo sofrimento. É preciso um certo desconforto, se quisermos nos manter atentos e quisermos realmente sermos melhores a cada dia. O amor dói.

Eis aí uma outra contradição, porque eu não concordo que o amor possa doer. Mas dói. Não o amor em si, mas a caminhada até que ele se instale, até que o possamos vivenciar, de verdade, dói.

Quando estamos nesse caminho, envoltos pelo processo do sofrimento, não temos tempo para nos dedicar a outras coisas que não sejam as essenciais para a nossa sobrevivência nesse processo. Aprendemos, assim, a identificar e a valorizar o que é de mais precioso e valioso. Nossos sentidos se aguçam e, de repente, se for preciso, encontramos a agulha no palheiro. Nosso faro fica mais atento ao que é importante, de fato.

Acolhemos em nosso coração os amigos verdadeiros, as parcerias inspiradoras que nos elevam, as experiências que acrescentam uma dose extra de coragem e foco. Se eu pudesse mudar alguma coisa no mundo, tiraria dele a fase das tempestades e amenizava o sofrimento, mas é administrando esse período que descobrimos a nossa força interna e o quanto somos capazes de curar as nossas feridas.



Nada é em vão, embora não faça sentido, algumas vezes.

Por isso, vamos acolher esse sofrimento, vamos sair na tempestade, encarar de frente cada golpe de vento e nos equilibrar mesmo que nossos pés estejam tentando se firmar em um terreno instável e em transformação. Aproveito para estreitar os laços e reafirmar na minha vida o que eu quero e o que não faz mais sentido permanecer. Esse desassossego é o que nos mantém vivos.

Abro as janelas com a intenção de que a tempestade lave a minha alma e me tire essa ideia de que precisamos do outro para sermos felizes. Não devemos nos prender à órbita de ninguém.  Não devemos achar que o outro é o todo de tudo que nos faz falta. Esse sofrimento que hoje sentimos não nos define. Ele é a pausa que precisamos para avançar no nosso crescimento e autonomia. Leve à sério tudo o que sentir e permita-se o desafio da superação.

No caminho encontrarás, assim como eu, parcerias que o entenderão e o apoiarão porque nunca estamos, de verdade, solitários em nosso andar. Estejamos atentos!


Direitos autorais da imagem de capa: Adrijana from Pexels






Deixe seu comentário

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.