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Superando os traumas de infância

Existe no sistema familiar uma espécie de negação generalizada, onde todos os traumas são suprimidos e dissociados para suprir as expectativas sociais, gerando uma imagem de família “normal”, feliz, alegre, mas que esconde e alimenta uma sombra muito destrutiva, que simplesmente não pode ser eliminada sem uma confrontação real com essa parte do sistema.



Todos temos traumas e durante a infância, onde estamos absorvendo 100% de tudo que ocorre no ambiente, somos alvos fáceis para implantação de crenças e programas internos capazes de dificultar muito a nossa vida. Os pais que nunca tiveram a oportunidade de curar suas próprias feridas emocionais, passam toda essa bagagem para os filhos.

Pergunte para os casais porque eles querem ter filhos? Normalmente a resposta é bastante superficial: “porque é assim que a vida é”, “porque queremos alguém que cuide de nós na velhice”, “porque sim…” Na maioria dos casos ter filhos passa a ser uma tentativa frustrada de colocar um véu na frente dos próprios traumas.

Em gênesis existe a passagem que diz: “Crescei e multiplicai-vos”. O que foi mal interpretado aqui, é que crescer, significa na verdade, transmutar-se, sublimar-se, desenvolver-se, compreender a si mesmo tanto quanto puder, resolver todos os seus tramas e aí sim, multiplicar-se.pai-brigando-com-filho


Teríamos uma sociedade bem diferente se essa fosse a norma. Os casais teríam filhos com total consciência e responsabilidade, honrando e respeitando a individualidade da criança sem impor seus próprios sistemas de crenças, frustrações e ideais.

Quantas crianças não se sentem aceitas na família por não conseguirem atingir as expectativas dos pais, quantas sentem abandono, são negligenciadas e sofrem todo tipo de abuso das figuras que deveriam estar protegendo, cuidando e auxiliando no desenvolvimento total desse novo ser. Você já deve ter sentido isso, e essa é uma das piores dores que alguém pode passar. Por isso guardamos essa dor lá no fundo da nossa alma e fingimos que está tudo bem.

Com esse período de limpezas internas pelas quais estamos passando, tudo isso está vindo à tona. Então se você está sentindo toda essa tristeza, raiva, depressão, ansiedade, não se desespere. Você nao está sozinho nessa jornada e a vida simplesmente está solicitando que toda essa bagagem seja processada. Vamos parar um pouco, observar a nós mesmos, curar essas feridas, largar essas bagagens para prosseguir nossa jornada muito mais leves, funcionais e felizes.
Quis escrever sobre esse assunto por estar no meio desse turbilhão de limpezas. Minha infância foi no mínimo desagradável. Não foi uma gravidez programada, a família lutando para sobreviver, e eu um estorvo, algo que veio para complicar ainda mais a situação. Essa era a sensação nítida que tinha. Meus avós que basicamente me criaram. Meus pais trabalhavam o dia todo e eu estava ali para a sessão de descarrego rsrsrsrsrs. Chegavam em casa e o assunto era a filha preguiçosa, burra, que não servia para nada. Em meio a muitas surras, xingamentos, humilhações, descasos e negligência, eu ia juntando todas essas emoções bem lá no fundo do armário. Sentava sozinha pelos cantos pensando porque ninguém me amava e porque não era digna da atenção de ninguém. Tanto que até muito recentemente achava que não tinha nada a oferecer. Pensei em fungir de casa, me suicidar, enfim…só dei graças a Deus quando essa fase da minha vida passou.


Apenas relato isso porque sei que muitas pessoas passaram por coisas parecidas, muitos adolescentes que acompanham o blog vivem essa realidade, e quero dizer que tudo isso são fases e elas passam. É importante compreender que os pais estão também inconscientes, estão lutando com seus próprios monstros no armário. Por isso agora, podemos começar a quebrar esse ciclo, limpar nossos traumas e ressurgir das cinzas.

Os 4 estágios da saúde emocional

Existem 4 estágios para realizar esse processo de cura emocional, e você vai se identificar neles. Estou trabalhando nos meus traumas há alguns anos, e tem situações onde já passei por todos as fases, outras ainda não. Mas é importante compreender um pouco de cada um para facilitar esse processo:

1 – Dissociação: Este é o estágio inicial. Quando ocorre um trauma, existe a tendência de nos dissociarmos da dor e do sofrimento. Em casos extremos ocorre a criação de múltiplas personalidades. Muito médicos, psiquiatras tendem a manter este quadro de dissociação com a prescrição de remédios. Assim você mantém os monstros no armário, mas ao mesmo tempo fica dependente de remédios e estagnado no tempo, não consegue seguir adiante.


2 – Depressão / Sofrimento: É neste estágio que a maioria das pessoas acaba indo procurar um profissional da área para auxiliar na cura de toda dor que está vindo à tona e eles prescrevem remédios para a pessoa voltar para a dissociação. Ocorre quando todas as barreiras vem abaixo e acessamos todas as emoções com que não lidamos no passado. É o momento de se acalmar e perceber que não é o fim do mundo, apenas o fim do seu mundo interior que está sufocando e suprimindo sua real natureza. É importante buscar ajuda neste estágio para encarar e superar toda essa carga emocional, mas sempre cuidando para não cair novamente na dissociação.

errores3 – Luto: Este estágio precisa ser compreendido e vivido. Fazer auto-terapia, olhar e limpar o sistema, caminhar pela dor, aprender a amar a si mesmo e saber que você não é seus traumas são fatores imperativos para a cura. É hora de enterrar toda a fantasia que foi criada, todos os aspectos de sua personalidade que foram criados apenas para agradar os outros, mas que não condizem com sua essência. É o momento de abandonar todas as imagens da família e dos pais e ver as coisas como elas são. Permitir-se viver totalmente no presente, sem ilusões ou mentiras que façam você sentir uma falsa sensação de bem-estar. Sinta a raiva, mas encontre formas saudáveis de expressá-la.

4 – Iluminação: Neste estágio retornamos à nossa essência, nos conectamos com nosso centro interior, não tendo mais uma mente inconsciente que comanda o show por detrás das cortinas. A mente inconsciente só foi criada para que pudessemos lidar com tantos traumas. Somos uno conosco e conhecedores da nossa luz, poder, identidade. Ficamos mais leves, livres, felizes e realizados. Vivemos a nossa vida, com base em nosso princípios e aprendemos a nos amar e respeitar incondicionalmente. Encontramos uma paz profunda indescritível. Depois da tempestade sempre vem o sol. Permanecer na tempestade não é saudável. Busque a coragem e força dentro de você para fazer essa travessia, porque vale muito a pena.

É muito importante não fugir desses fantasmas porque eles vão nos assombrar cada vez mais. Quanto mais luz entra no planeta, mais as sombras serão descobertas. Perceba quantas pessoas tem adotado inúmeros vícios para fugir dessa realidade. Temos os viciados extremos, alcóolatras, drogados, mas quase todas as pessoas sustentam algum vício que a sociedade acha “normal”. Claro, vivendo essa normose coletiva de negação total de nosso ser, parece mesmo normal tomar aquela cervejinha ou vinho todo dia, ficar atrás de um computador por horas jogando, sair toda noite para bares, boates e afins com a finalidade de simplesmente se entreter e esquecer a dor. É ilusão ficar a vida toda correndo atrás do próprio rabo e dizendo que é feliz. Felicidade não requer essa fuga constante da realidade. Desperte, saia dessa normose e liberte-se. A sociedade não é normal, essa é a real ilusão.


Dicas para acelerar este processo

Tenho feito algumas coisas que tem me ajudado muito neste processo. Até mesmo escrever este texto já ajudou muito. Portanto, mãos a obra:

01 – Escreva: faça um diário onde pode expressar tudo aquilo que sente durante o dia. É uma forma de manifestar aquilo que estamos carregando na nossa alma. Deixe isso vazar para o papel. Escreva sua biografia, expresse toda sua dor. Se preferir faça um vlog, blog, qualquer coisa que te permita colocar isso tudo para fora. Vai notar que ao escrever, no começo talvez conseguirá apenas algumas linhas, mas depois tudo vai fluir a ponto de te fazer escrever várias páginas. Enfrente sem medo todos os montros do armário. Eles não podem te fazer mal algum, só precisam ser atendidos e liberados.

02 – Analise seus sonhos: Os sonhos carregam muita informação relacionada aos nossos traumas. Se tem um lugar onde os traumas vão aparecer será nos sonhos, pois entra em ação o seu inconsciente. Escreva aquilo que sonhou e preste atenção na intuição. Só você poderá interpretá-los e cada vez ficará melhor nisso.


padres-estrictos03 – Tire um tempo da sua família: Se precisar se afaste da família, pelo tempo que achar necessário. As vezes precisamos nos afastar para ampliar nossa perspectiva. Se ficarmos o tempo todo muito próximos estaremos sempre acessando os pontos de dor, mas sem conseguir compreender e analisar realmente o que está acontecendo. Precisamos deste espaço para compreender quem nós somos enquanto indivíduos e quais são nossos traumas.

04 – Tenha bons amigos: Os amigos são essenciais para nos auxiliar durante este processo. Portanto tenha amigos verdadeiros, positivos, que você sabe que pode confiar. São um porto seguro quando as coisas se tornarem muito difíceis.

05 – Utilize exercícios e ferramentas: Procure por exercícios e ferramentas que possam acelerar essa limpeza. Eu utilizo a técnica de EFT que você pode fazer sozinho em casa, a TRF que eu mesma aplico e você pode agendar uma sessão comigo, e o exercício de processamento do medo que você pode utilizar para processar não só o medo, mas outras emoções que esteja surgindo durante o processo.
Agora você já tem algumas ferramentas para dar início a este processo de limpeza e retornar a sua essência da forma mais tranquila possível. Mesmo que muitas vezes pareça muito difícil, nunca esqueça que você é uma parte funcamental do universo que carrega ao mesmo tempo todo universo dentro de si. Todo poder da criação, toda coragem, toda confiança, toda luz está a sua disposição e você não está sozinho.


 

Scheila Grade

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