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Tabu: um em cada 12 se arrepende de ter filhos, diz pesquisa

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O estudo foi conduzido no Reino Unido e entre os mais arrependidos estão os homens e mulheres que se tornaram pais muito jovens.

Admitir sentir qualquer fração de arrependimento em ter tido filhos ainda é um grande tabu em nossa sociedade, embora uma nova pesquisa revele que é mais comum do que pensamos.

Dados do YouGov, uma organização britânica especializada em coleta e análise de dados, mostram que, embora a maioria dos pais (83%) digam que nunca se arrependeram de começar uma família, 8% dizem que se arrependem, enquanto outros 6% já se arrependeram, mas agora não mais.

O YouGov entrevistou 1.249 pais do Reino Unido e descobriu que nem todos os que se arrependem da decisão de se tornar um pai ou mãe se sentem da mesma forma para sempre. Um em cada sete se arrependeu de ter filhos em algum momento, em comparação com um em cada 12 que disse que ainda se arrepende. A pesquisa na íntegra está liberada para acesso (em inglês).

Os pais mais jovens são mais propensos a sentir arrependimento em algum momento, com o número aumentando para um em cada cinco dos pais com idade entre 25 e 34 anos.

Os mais velhos — 55 anos ou mais —, cujos filhos provavelmente agora são adultos, sentem menos arrependimento. Apenas um em cada dez ficou insatisfeito com a decisão de ter filhos (6%) ou a questionou no passado (4%).

Dos pais que dizem que ainda se arrependem de ter filhos, 5% dizem que é em pequena proporção, e apenas 1% lamentam em grande parte a decisão. Os 2% restantes disseram que se arrependeram em grau moderado, conforme informações do portal de notícias britânico The Independent.

Aqueles que disseram estar anteriormente infelizes por serem pais mostraram um padrão semelhante, com 5% dizendo que seus arrependimentos eram menores e 1% dizendo que lamentavam sua decisão em grau moderado.

Apenas 4% dos entrevistados disseram que não teriam filhos se pudessem fazer tudo de novo – a mesma porcentagem daqueles que disseram que teriam menos filhos.

Enquanto a maioria dos entrevistados da pesquisa disse que teria o mesmo número de filhos se fizessem a escolha por ter filhos do zero novamente, três em cada 10 (29%) disseram que gostariam de ter mais filhos.

Os dados indicam que o desejo de ter mais filhos é mais forte entre os mais jovens, com um terço dos pais com idade entre 25 e 49 anos (32%) desejando ter uma família maior. O que é interessante de se observar, uma vez que também são os mais jovens que apresentam maior taxa de arrependimento.

Homens mais velhos — mais de 65 anos — foram os que menos disseram que gostariam de ter mais filhos.

Também houve uma diferença marcante entre os gêneros a esse respeito. Um terço das mães (32%) gostariam de ter mais filhos, em comparação com um em cada quatro (24%) dos pais.

A empresa que conduziu a pesquisa notou também que que muitos pais acessam fóruns online, como Mumsnet, Reddit e Quora, geralmente sob pseudônimos, para permanecer anônimos, para se conectar com outros pais, buscando compartilhar experiências de maternidade e paternidade e algum consolo, assim descobrem que não estão sozinhos quanto ao que sentem por ter filhos e sobre o dia a dia da criação dos pequenos. Foi após o desabafo de uma mulher em um desses fóruns que a empresa decidiu dar início ao estudo: em sua postagem, uma mãe solo de quatro filhos disse se sentir culpada por se arrepender de ter filhos.

Em um tópico no Mumsnet, uma mãe perguntou se alguém sentia o mesmo ou conseguia entender seus intensos sentimentos de arrependimento, particularmente durante o bloqueio por coronavírus no ano passado. A mulher confessou que já tinha passado por um período em que tinha odiado ser mãe, mas com a ajuda de outras pessoas no cuidado de seu filho e seu trabalho, ela sentia que podia fazer mais além da maternidade e o incômodo de ser mãe diminuiu. Com o isolamento imposto pela pandemia, ela se sentiu de volta à estaca zero: sem poder chamar alguém para ajudar com o cuidado da criança e sem poder sair de casa para trabalhar.

A mulher disse que se sentia envergonhada por se sentir assim, como se houvesse algo errado com ela. Todas as suas amigas também reclamavam da maternidade, mas tiveram vários filhos, enquanto ela não conseguia pensar em lidar com outra criança.

Sua postagem recebeu uma série de respostas gentis de outros pais, assegurando-a de que ela não estava sozinha; alguns admitiram que, mesmo amando suas crianças, jamais teriam mais filhos.

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