Talvez o silêncio seja o som da fé que temos em nós mesmos

Você já parou para pensar no som que o silêncio faz?

Não é fácil! Pois, por vezes, não é música, não é o canto dos passarinhos, não é risada de criança, não são aplausos de plateia, não são buzinas de trânsito. Muitas vezes, o silêncio faz barulho de vazio, de vazios que a gente carrega dentro da gente, de vazios que todo mundo tem. E não sabemos o que fazer com vazios.

A escola não ensina, a faculdade não ensina, a vida ensina… E a escola da vida é a mais difícil de todas, a gente sabe. Mas também é a mais bonita, é a única que ensina coisas que a gente nunca esquece, a única que deixa lições que a gente guarda no coração.

E a vida vai nos ensinando a escutar o som do silêncio. Nem sempre é paz o som que o silêncio faz.

No escuro solitário da noite, a gente vê tantas luzes acesas nas gavetinhas dos prédios-armários. São gentes como a gente esbarrando em durezas, espancando tristezas, mastigando saudades, abraçando pavores horrendos que crescem feito mato na calçada, que transformam problemas que nascem à tarde em tormentos que tempesteiam a noite.

E aí, o silêncio, a ausência de vozes, a falta de compromissos faz com que nos ocupemos com o que há de mais importante e complexo na história da existência: nossos eus que moram na gente. Nossos medos do amanhã, nossas incertezas, nossa saúde, nossas doenças, nossos filhos, nossos pais, nossos relacionamentos, nossas despedidas, nossas mudanças, nossas lacunas.

O silêncio tem a potência de fazer com que escutemos o que mora dentro de quem a gente é. É barulho ou é paz?

Parar para se escutar é um desafio e tanto, é aceitar mergulhar num mar em que podemos nos afogar, é tocar a ponta solitária da emoção, é acertar em cheio os ritmos do coração. Por isso, muitas vezes, ligamos a TV até o sono chegar ou mexemos no celular para desviar a atenção. Mas, pense, não há como fugir de quem a gente é! E é somente encontrando os vazios que conseguimos nos preencher.

Pensar demais tira o sono. E, insones, mergulhamos dentro de nós mesmos em uma conversa filosofal e quase enlouquecedora com quem habita no nosso íntimo. O medo, o verdadeiro medo que o silêncio traz, é justamente carregar barulho esvaziado de sentido. Mas quem foi que disse que é preciso fazer sentido?

Nascemos para fazer sentir! Então, silêncio é prece e prece é fé. Talvez o silêncio seja, portanto, o som da fé que temos em nós mesmos.



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