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Tarde demais? Aos 79 anos, senhor se forma em Direito e mira na prova da OAB

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Benedito Chagas mostrou que não existe idade para realizar sonhos, muito menos se envolver com o estudo.

Quantas vezes não reproduzimos o nosso ideário de que as pessoas idosas “não podem” fazer determinadas coisas? Pensando de maneira prática, essas imposições nada mais são do que formas de preconceito que delimitam todos que passaram de uma certa faixa etária, isso porque, na maioria dos casos, não são mais vistos como mão de obra em potencial.

Esse preconceito contra pessoas idosas recebe o nome de idadismo ou etarismo, que vem ganhando nomenclaturas e estudos específicos. De acordo com o Relatório Mundial sobre Idadismo, da Organização Mundial da Saúde (OMS), essa manifestação de preconceito se refere a estereótipos (como pensamos), preconceitos (como nos sentimos) e discriminação (como agimos).

Não existe mágica, para que o idadismo diminua seu impacto social, a OMS acredita que sejam necessários três importantes passos: políticas e leis para reduzir o preconceito em qualquer faixa etária, intervenções educacionais para diminuir o preconceito em todos os níveis e tipos de formação, além de intervenções que fomentem o contato intergeracional.

Para Benedito Chagas, seus 79 anos não o impediram de ir adiante no grande sonho: formar-se em Direito. Em agosto deste ano, ele colou grau na Estácio de Sá, o que lhe confere o título de bacharel em Ciências Jurídicas. De acordo com reportagem do R7, o idoso gosta mesmo é de ser chamado de “sêo” Bene, um apelido carinhoso que reflete o quão aberto a novas relações ele está.

Mesmo com idade superior à de qualquer colega de sala, ele garante que nunca pensou em desistir da graduação, e está muito contente em concluir o curso de Direito. Além de muita dedicação, sua esposa, filhos, netos e bisnetos sempre o apoiaram e fizeram questão de incentivá-lo a realizar seus sonhos.

Depois que finalmente se aposentou, Bene decidiu ouvir seus familiares e foi atrás do sonho de fazer a faculdade de Direito, mesmo que fossem necessários anos até que o diploma chegasse. A coordenadora do curso, Roberta Candido, conta que foi uma das professoras que mais acompanhou a trajetória do aluno, já que ele passava toda semana para cumprimentá-la e tirar algumas dúvidas em relação ao curso.

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Direitos autorais: reprodução/ arquivo pessoal

Sem poupar elogios, Roberta conta que ele é um aluno excepcional, interessado e que deve servir de exemplo para todas as pessoas, estudantes ou não, que em algum momento pensam em desistir quando precisam enfrentar algum obstáculo. Segundo ela, nenhuma dificuldade é grande o bastante quando existe a vontade de vencer, principalmente se ela estiver amparada na coragem de “dar o primeiro passo”.

Muito feliz com a conquista — e com razão —, Bene conta que conseguiu vencer uma etapa muito importante da sua vida e que está prestes a se tornar advogado finalmente, faltando apenas o exame de ordem da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), mas já está se preparando para isso.

Como todas as pessoas que o conhecem sempre afirmaram que ele tinha boa capacidade de se expressar por meio da escrita, ele apostou na ideia de virar advogado. Mesmo com as dificuldades de saúde e as aulas online, Bene conta que conseguiu se adaptar bem e que logo passou a tirar de letra sua faculdade.

Como quando era jovem as oportunidades de chegar ao nível superior eram escassas, inclusive precisava andar mais de sete quilômetros a cavalo para chegar à escola, além de ter de ajudar a família na plantação de amendoim, ele nunca conseguiu levar o sonho adiante. Mas com a quantidade de oportunidades que surgiram nos últimos anos, oriundas de políticas públicas que colocavam os cidadãos no centro das necessidades, nada mais justo que aproveitar.

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