publicidade

A tarefa (nada fácil) de ser diferente…

Existem diferentes visões de mundo, e que suas verdades servem para sua vida, não para a dos outros. 

Desde pequena, tenho a sensação de ser de outro mundo. Acho que nunca me senti realmente em casa no planeta terra. Literalmente, como se eu não fosse daqui.



Quando eu era criança, isso era “bonitinho”. Eu era sensível, meiga, muito criativa, brincalhona, carinhosa, expressiva e até mesmo um pouco teatral. Até mesmo conversava com os animais. Parecia ser permitido ser diferente na infância, como se eu fosse mais livre para ser quem eu realmente era. Até mesmo escutava os adultos falando que eu era especial.

Quando eu iniciei a adolescência, ser diferente já não pareceu ser tão legal mais. Eu queria continuar sendo criativa, brincalhona e expressiva, mas, de repente, eu tinha que corresponder a um padrão social. Ser bom em matemática, lógica, ser bom em fazer provas e estudar bastante é o que é considerado inteligente. Ser criativa, carinhosa, meiga e expressiva não me faria passar no vestibular.

Eu também não tinha aquela necessidade de adolescente de fazer bobagem, de viver intensamente. Era mais tranquila e também não via sentido em beijar alguém que não tivesse a mínima importância na minha vida. Decidi que só iria me relacionar sério com alguém que me encantasse. Para piorar, eu me questionava o tempo todo sobre o mundo, sobre o sentido da minha vida e o porquê das guerras. De repente, eu já não me sentia especial mais. Comecei a me sentir estranha e que não havia um lugar no mundo para mim. Acabei adotando estratégias de fuga e isolamento para tentar me proteger.


Já adulta, não poderia ser diferente. Não poderia me adaptar a determinado estilo de trabalho sem liberdade, criatividade e propósito.

Escolhi ser autônoma e agradeço a mim mesma todos os dias por isso. Pago o preço da “instabilidade” com enorme prazer. Porque para mim, não existe nada de estável, seguro e garantido em ir trabalhar todos os dias no mínimo 6 horas por dia em algo que não nos preencha e que sugue nossa alma devagarzinho.

Abdiquei do meu título de psicóloga para ser mais verdadeira com o que eu acredito, porque não consegui me adaptar a certas regras e imposições que, ao meu ver, são infundadas. Também não me adaptei mais ao trânsito, muito movimento e multidão de uma cidade grande. Decidi me mudar para um lugar tranquilo em que eu possa me conectar com a natureza.

Sou muito sensível a trocas de energias e, por isso, preciso ficar sozinha constantemente para me reabastecer.


Também criei um estilo de relacionamento diferente. Disse que só namoraria alguém que me encantasse, e paguei o preço de ficar solteira até os 22 anos.

Aguentei a solidão e a pressão social de ter que ter um parceiro (a). Construímos todos os dias uma relação baseada em autenticidade, liberdade, parceria e conexão.

Ainda sou atingida por essa sensação de ser estranha muitas vezes. Quando recebo críticas. Quando recebo olhares tortos e julgamentos. Quando não sou compreendida. Quando sou bombardeada de perguntas sobre meu estilo de vida e o porquê das minhas escolhas. Isso, às vezes, pode se tornar muito sofrido, ainda mais quando vem de pessoas queridas a mim. Mas toda vez que isso acontece, decido fazer algo por mim mesma, algo que ninguém mais pode fazer: fecho meus olhos e digo que sou especial.

Dou a mim mesma a permissão para ser diferente. Fortaleço-me no meu propósito de vida, nutrindo-me outra vez das minhas próprias convicções.

Converso com meus mestres e com o universo e sempre escuto que estou no caminho certo, o caminho do coração.

Quando eu estou no momento do plantio, preciso de muita força e coragem para fazer escolhas que não sigam os padrões comuns. Quando chega o momento da colheita, eu sempre agradeço por ter a coragem de seguir minha intuição e ser verdadeira comigo mesma, com tudo o que acredito. Para mim, seria um grande desrespeito não ser quem verdadeiramente sou. Uma perda de tempo. Uma passagem em branco.

Entendi que realmente não sou desse planeta, mas que tenho uma passagem para fazer aqui. Entendo e aceito que estou nesse mundo para fazer algo, e que um dia vou voltar para o meu lar, onde quer que ele seja.

Escrevo esse texto porque cada vez mais pessoas como eu estão despertando. Quando isso acontece, elas se sentem sozinhas, como eu um dia me senti. Não, não estamos sozinhos. E, sim, temos o direito de ser diferentes, mas principalmente o dever de respeitarmos isso. Ninguém veio a esse mundo à toa. O grande ponto é escolher o que fazer com isso.

Se você não respeitar quem é, sua passagem nesse mundo será em branco.

Assuma suas verdades. Empodere-se de quem você é. Saia do armário do padrão comum e, se precisar, grite para si mesmo que você é, sim, diferente, mas que isso pode torná-lo especial.

Assuma seus desejos e seja forte o suficiente para ter coragem de viver de acordo com isso. E se você não se sente diferente, respeite quem o é. Entenda que existem diferentes visões de mundo, e que suas verdades servem para sua vida, não para a dos outros.

Faça sua parte, seja sendo diferente, seja respeitando quem o é. E o mundo inteiro tem a ganhar com isso.


Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: Prometeus / 123RF Imagens

Baixe o aplicativo do site O Segredo e acompanhe tudo de pertinho. Android ou IOS.

Texto escrito com exclusividade para o site O Segredo. É proibida a divulgação deste material em páginas comerciais, seja em forma de texto, vídeo ou imagem, mesmo com os devidos créditos.




Deixe seu comentário

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.