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Taxista abandona emprego para cuidar de passageiro idoso: “Ele não merece viver sozinho”

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“Eu fui criada para cuidar dos outros”, disse Jenni, a motorista que decidiu abrir mão do trabalho para cuidar de um senhor desconhecido de 88 anos.

Não são muitas pessoas que estão dispostas a abrir mão da liberdade, do dinheiro e do tempo para cuidar de alguém. O trabalho do cuidado, embora pouco abordado sob o ponto de vista econômico, faz parte da gama de funções não remuneradas dos afazeres domésticos. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Continuada (IPEA) de 2019, cerca de 80% das mulheres auxiliam de alguma maneira no cuidado de pessoas no Brasil.

Estudos mostram que as mulheres brasileiras chegam a empenhar mais de 61 horas em média por semana em trabalhos não remunerados, como cuidar da alimentação, da manutenção e limpeza de roupas e calçados, fazer pequenas manutenções no imóvel, limpar ou arrumar a casa, fazer compras e cuidar dos animais domésticos, isso tudo sem falar no trabalho de cuidar de outras pessoas.

A criação infantil, o cuidado de pessoas com deficiência (PCD) e de idosas também fica a cargo das mulheres, principalmente porque o trabalho do cuidado é visto e reforçado como inerente ao campo feminino. A economia do cuidado é uma questão que envolve a maioria dos países, e estima-se que todo o dinheiro não pago a essas mulheres represente uma economia 24 vezes maior que a do Vale do Silício, de acordo com o Laboratório Think Olga de exercícios de futuro.

Jenni Ekletsion optou por deixar seu trabalho como motorista para cuidar de Paul Webb, de 88 anos, um passageiro que nem sequer conhecia muito bem. Em entrevista ao jornal ABC News, ela conta que trabalhava durante a semana na Prime Technologies e às sextas e sábados como motorista. O principal motivo para transportar pessoas é porque sempre gostou de ajudar o próximo e, além disso, também pregava o Evangelho em suas viagens.

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Direitos autorais: reprodução/ ABC News

Há cerca de 20 anos, Jenni emigrou da Etiópia para os Estados Unidos, e conseguiu construir uma vida confortável com a mudança. Ela acredita que é sua flexibilidade que faz com que seus passageiros acabem mudando suas perspectivas, assim como foi justamente o trabalho como motorista que mudou sua vida por completo.

Em abril do ano passado, Paul Webb, hoje com 88 anos, precisou ligar para um serviço de motorista, e a partir de então os dois desconhecidos começaram uma nova jornada. Totalmente isolado em sua casa e se sentindo sozinho, Paul começou a apresentar os primeiros sinais de demência, passando a esquecer também das queridas memórias de sua falecida esposa. Seu filho Keith o descreve como a “rocha da família”, sendo forçada a lidar com suas inseguranças e fragilidades, a ponto de começar a desmoronar.

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Direitos autorais: reprodução/ ABC News

Quando Jenni recebeu a ligação de Paul, sentiu de imediato que deveria ajudá-lo de qualquer forma, cuidar dele e estabelecer algum tipo de relação. No dia seguinte, ele voltou a ligar, e a partir de então os dois começaram a firmar uma amizade, passando a almoçar todos os dias juntos.

Em abril deste ano, Jenni recebeu uma proposta que a balançou. Ela sempre teve o hábito de trabalhar em casa, mas decidiu parar completamente para cuidar de Paul, e mesmo acreditando que é estranho, ela afirma que gosta. A cuidadora explica que seu maior desejo era ter conseguido fazer isso pelo próprio pai, mas que não foi possível, já que ela tinha emigrado, e é justamente isso que a motivou a deixar o emprego.

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Agora eles passam tempo juntos todos os dias, almoçando em um restaurante que consideram seu preferido, fazendo compras no mercado, indo às consultas médicas, tudo de que Paul sempre precisou. Jenni reforça que muitas pessoas sábias estão neste momento morrendo sozinhas dentro de casa e que a parte mais gratificante é ter a possibilidade de mudar a vida de alguém.

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