diane keaton woody allen

Quando aquela menina recostou a cabecinha em meu ombro e soltou um choro copioso ao mesmo tempo em que desabafava sobre o rapaz que a colocara em tal situação, eu compadeci. Abri os ouvidos como se abrisse o coração, deixei que ela entrasse com toda a sua lamúria e apenas esperei que se acalmasse; contou-me que o rapaz jogara a bomba atômica naquela discussão que eles tiveram: chamou-a de louca, louca de pedra, louca de novo, maluca, doida e louca mais uma vez… Sacré bleu!



Logo, pus-me a pensar: quanta loucura cabe numa mulher para ela ser assim chamada toda vez quando no MMA caseiro de uma discussão de relacionamento? Tem-se a impressão que caiba toda a loucura do mundo, tamanha reafirmação por parte da incauta classe masculina.

Divago questionando: mas o que é o amor senão um completo desatino?

Então, minha cara aspirante à atriz principal em filmes do Woody Allen, deixe-me dizer algo: eu a quero louca.


Porque a loucura não dá espaços para platonismos, daqueles que valem cervejas para encarar a filosofia e entender a natureza humana, é fora do completo juízo é que se vai ao encontro da metade da laranja – eu gosto desta carga de breguice, desculpem-me – quando num ato intempestivo, os famosos “cinco minutos”, contrariando conselhos chatos, declara-se de forma tão aberta para uma pessoa que você nem grita “eu te amo”, já vai propondo o casamento, a decoração da casa, um bulldog francês chamado Tobias e um futuro até que a morte, de fato, os separe.

E é com essa loucura, também, que se construirão histórias – e não estórias – únicas, dignas de serem invejadas por aqueles que os ouvem, seja uma viagem decidida na madrugada, sem as malas estarem feitas e somente com a roupa do corpo, apenas para assistirem ao nascer do sol num lugar tranquilo e lá permanecerem abraçados assistindo a esse pequeno show, ou uma transa calorosa, daquelas de se descabelarem por completo, num lugar impróprio para isso, jogando a timidez para escanteio – a “sã consciência” não permite muitos atos desse tipo, não… – e se esbaldando num emudecido prazer para que não atraia atenção.

Inclusive, é no ápice de um desvario que se diz não querer quem tanto quer (e cantar “Evidências” de olhos fechados…), contrariando-se, em seguida, com um beijo merecedor de Oscar que traz aquela confusa sensação de prazer e culpa, porém, certamente desejando que aquele momento tivesse durado um pouco mais.

Além disso, é a loucura que se mistura a uma capacidade única de amar e conduzir quem se ama por entre as veredas da psique sem que a mesma se dê conta do quão envolvida está, a ponto daquele ser transformar a própria personalidade, sem notar tal mudança algumas vezes, apenas para se encaixar ainda mais naquela outra pessoa.


Com o toque certo da insanidade necessária para viver, o coração dispara, os passos entram em um lindo compasso, flutua-se por entre realidade e devaneios, decorando o outro nos mínimos detalhes por pura vontade de agradar e deixando que se sobressaia uma felicidade singular. Difícil perceber?

Pobre daqueles que não enlouqueceram ainda…

Saiba, portanto, ainda que não precise, caso falem algo, essa dita loucura sempre será fundamental e estará mais do que perdoada.

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Por: Pietro Mirandez – Via: Superela –  – (Superela é uma plataforma capaz de fazer as mulheres mais felizes, tudo de especial sobre Amor, Sexo, Vida, Beleza e Estilo! Mais textos incríveis em: Superela.com)

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