ColunistasRelacionamentos

Tédio da conversa rasa…

TÉDIO

Talvez agora você me entenda…



Nos últimos tempos conheci algumas pessoas e curiosamente notei que uma quantidade considerável destas pessoas com quem conversei professavam com entusiasmo e segurança sobre seus ideais de liberdade.

Uns diziam que jamais iriam se relacionar pois prezavam em demasia a liberdade, outros por sua vez afirmavam que a liberdade estava na capacidade de poder segurar o controle da TV, outros ainda celebravam a liberdade ao irem a um bar com os amigos.

Eis que então, estas pessoas livres, por algum motivo desconhecido conduziam a conversa de tal maneira a evidenciar suas capacidades, suas conquistas e todos estas pessoas livres, davam um jeito, um jeitinho que fosse de mostrar os símbolos do sucesso que haviam conquistado com ou sem suor.


A chave do carro em cima da mesa, o celular que não cabia no bolso, o penteado milimetricamente ajeitado (nota-se que os penteados seguiam uma tendência da moda), o perfume caro, o gosto por cerveja importada ou artesanal, vinho, por música brega e por ai vai.

Inicialmente os via como espécimes raras, mas lá pelas tantas era tudo a mesma coisa e o tédio começava a se instalar, mas ainda assim, eu, como você bem sabe sou positiva e me esforçava, juro, tentava pela força da vontade prestar atenção, quem sabe até fazer uma observação.

Mas eis que movidos pelo lado negro da força, estas pessoas livres iniciavam um bombardeio sobre suas proezas íntimas. E ingenuamente falavam suas peripécias e conquistas, com muito entusiasmo e sedução. Observei que era uma tendência pois todas estas pessoas livres só tinham coisas boas a contar de si mesmas, todas eram sortudas, abençoadas, iluminadas, pois todos tiveram a sorte de terem saído com pessoas tão maravilhosas e flexíveis, quanto elas.

E era exatamente neste ponto que já não mais ouvia, já não conseguia prestar atenção no que falavam, suas vozes ficavam distantes e eu, bem eu estava interessada na roupa da amiga ao lado, no prato que o rapaz da mesa que está à nossa frente pediu, no perfume forte que alguém passou em excesso e então, eu pedia mais uma dose.


Mas as vezes nem a bebida era capaz de tornar a conversa agradável, simplesmente não havia salvação. Então nesses momentos eu me colocava a
pensar coisas inimagináveis em um encontro como: Quando chegar em casa preciso arrumar a cozinha, ou, onde foi que guardei aquele batom vermelho que tanto gosto! Ou segunda tenho que ligar para fulano e resolver com ele sobre o contrato, ou, será que desliguei a chapinha? Ou, o que vou almoçar amanhã, acho que não tem comida em casa?

É isso o que penso quando sou envolvida pelo tédio de uma conversa rasa. Por que Liberdade é muito mais do que ter o livre arbítrio para escolher qualquer cor entre as disponíveis no arco iris.

Liberdade não é uma nuvem, mas está muito além da escolha de um bar cheio de “amigos”, ou ter o controle da TV em suas mãos. Ser livre é optar por estar só ao estar na companhia de um idiota.


P.S.: Não leve a mal, mas você era idiota!

Sonia Mattos

Por que os homens perdem ao negociar com as mulheres?

Artigo Anterior

Carta – a grande muralha

Próximo artigo

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.