Tem dia que a esperança falha, mas sempre volta e nos mostra que todo esforço vale a pena

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Mas é duro. Tem dia em que a esperança rareia, fecha a loja e pendura na porta um aviso que diz: “Saí, não sei se volto.”



Não tem jeito. A vida há de ser sempre esse bate e assopra sem fim. Esse jogo marcado em que a gente apanha, cai, levanta e finge não saber que continua caindo.

A gente finge não notar que está em queda livre e que, se não correr mais, não trabalhar mais, não levantar mais cedo, se não tentar mais forte mudar de ares, de rumo, de planos, de emprego, em breve vai se esborrachar lá embaixo.

Você sabe. Este mundo vai cada vez mais caro e a lógica é simples: se a gente não faz nada além do que se habituou a fazer, a gente ganha cada vez menos e vive cada vez pior. É triste, mas a vida se dividiu entre os que precisam trabalhar cada vez mais e os que se dispõem a pagar cada vez menos. Isso é coisa que a gente ignora, deixa pra lá, muda de assunto para não tornar o dia insuportável. Mas é assim que é.


A gente aqui segura a onda, faz o que pode, o que gosta, mantém a dignidade, empurra na subida um caminhão carregado de pedra, sabendo que, se o soltar um segundo, ele volta e nos atropela primeiro.

Mas é duro. Tem dia em que a esperança rareia, fecha a loja e pendura na porta um aviso que diz: “Saí, não sei se volto.”

Então você acorda num dia frio, em casa, percebe a sua gente ali, do seu lado, e se dá conta de que empurrar o caminhão ainda vale a pena, vale todo o esforço. E que sentir amor é a mais alta e mais completa fortuna do ser humano.

A esperança volta. Ela volta assoviando uma canção tão linda, mas tão linda, que deve ter sido feita pelo próprio São Francisco de Assis na manhãzinha de um outono qualquer, sorrindo encantado ao olhar seus bichinhos correrem um atrás do outro no paraíso.


Ela volta, reabre a loja e anuncia numa faixa enorme, colorida, generosa: “Voltei! Não vou embora mais não.”

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