Comportamento

“Tem que tirar os moradores de rua para as pessoas passearem com seus pets”

tem que tirar os moradores de rua para as pessoas passearem com seus pets

Essa frase tem dividido opiniões nos últimos tempos.



Pessoas vivendo em situação de rua é algo testemunhado com frequência por diversos brasileiros e pessoas no resto do mundo. Infelizmente, em cidades grandes, não precisamos caminhar muito para encontrar homens, mulheres e até crianças abrigados sob marquise de lojas, bancos, supermercados, protegendo-se como podem do frio, fome, chuva e violência das ruas com nada além de um teto e, quando muito, uma coberta sobre seus corpos.

Essa realidade tão triste é consequência de diversos fatores, desde a falta de emprego e oportunidades até problemas familiares e pessoais, e com certeza causa diversos traumas naqueles que precisam ser submetidos a esse tipo de situação.

Como sabemos, estar na rua nos coloca numa posição de vulnerabilidade extrema, privando-nos dos direitos mais elementares como seres humanos: um teto sobre nossas cabeças e comida na mesa.


As pessoas que conseguem enxergar esse problema por tudo aquilo que realmente representa, e que entendem o lado daqueles que precisam viver sozinhos pelas ruas, muitas vezes, criam programas e projetos que levam dignidade e oportunidade de transformação aos moradores de rua, seja através de lazer, estudo ou trabalho, fazendo a diferença em muitas vidas. Porém as pessoas que se recusam a compreender o outro lado da moeda e que culpam os desabrigados por sua situação podem se opor à sua realidade.

Uma frase que tem circulado nas redes sociais nos últimos tempos diz o seguinte: “Tem que tirar os moradores de rua para as pessoas passearem com seus pets.” Essa frase foi baseada em uma declaração da Comandante Nádia, que era secretária de Desenvolvimento Social e Esporte de Porto Alegre (RS), em 2019.

Conforme contado pelo portal GZH, em entrevista coletiva, na qual falava sobre programas da prefeitura da capital gaúcha de assistência aos desabrigados, a representante afirmou que não admitiria uma cidade em que as praças estivessem cheias de moradores de rua, porque as praças são lugares públicos, pois dessa forma não conseguiriam levar seus filhos, seus pets, para passear nesses lugares .

Na mesma entrevista, ela também chegou a afirmar que os moradores de rua “não têm direito de ter cadeira, cama, mesa, banho, tudo na rua”. Embora já tenham se passado alguns anos dessa declaração, a opinião manifestada por Comandante Nádia é atual e correta para diversas pessoas, e esse é um tema que pode gerar bastante discussão.


Com certeza, a realidade das ruas não agrada a ninguém, tanto àqueles que circulam por elas e se deparam com vulneráveis diversos, quanto aos próprios vulneráveis, que convivem com diversas dificuldades diariamente.

Mas será que é certo dizer que as pessoas devem ser retiradas das ruas para que os animais possam passear com tranquilidade? O motivo maior para encontrar um lugar para os desabrigados não deveria ser proporcionar a eles melhor qualidade de vida e ao mesmo tempo inseri-los em alguma atividade que lhes permitisse condições de se responsabilizar pelo próprio sustento?

Essa é uma pauta bastante complexa, e muitas das críticas às declarações, à época, estavam associadas à forma como a questão era abordada, ou seja, a comparação entre pessoas e animais, que pode ter sugerido que estes eram mais importantes do que os seres humanos que têm como sua única opção a vida nas ruas.

Quando se trata de temas como esses, cada um analisa a situação à própria maneira, mas uma coisa com a qual todos certamente concordamos é que as pessoas merecem uma vida mais segura do que a oferecida pelas ruas, e que, ainda que não tenham boas condições nesse momento, devem ser tratadas com respeito e humanidade por todos.


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