TEMOS A MANIA DO CONTROLE. CONFUNDIMOS O ESFORÇO E A DISCIPLINA COM O CONTROLE…



Temos a mania do controle. Confundimos o esforço e a disciplina com o controle. A disciplina nos enaltece porque com ela nos tornamos nossos aliados. Sim, a maioria das pessoas não podem contar com elas mesmas e o pior, se limitam a achar que não são capazes de realizar, seja um trabalho, uma receita de comida, seja uma mudança radical de hábitos. Mas a verdade é que conseguimos fazer qualquer coisa que nos propomos a fazer com as nossas aliadas: disciplina e dedicação.

A disciplina é independente dos outros ou das circunstâncias, ela nos faz olhar para o nosso corpo, para nossa vida e nos coloca no nosso próprio trilho pois é um autoconhecimento, uma auto-observação, um reconhecimento e convite a cumprirmos com a nossa palavra somente para nós. Já o controle, é querer comandar coisas externas (situações ou pessoas) que na verdade, são incontroláveis. Nossa única responsabilidade é para conosco. O controle é uma ilusão. O controle é para os fracos que ainda não descobriram sua própria força.

O controlador está sempre buscando formas de encontrar “pontos fracos” nos outros para se sentir bem. Ele aponta defeitos e faz críticas pois ilusoriamente acredita que assim mantém, a “rédeas curtas”, seu parceiro, empregados, filhos e amigos sob seu controle.

temos-a-mania-do-controle-capa-e-dentro

O que essas pessoas não sabem é que estão gerando um rombo ainda maior dentro de si mesmas. Inconscientemente, acreditam que se algo “fora de seu controle” acontecer, elas estarão em apuro. Se os outros não seguem suas regras, estão fora de seu campo de controle. Por isso é muito comum essas pessoas, no decorrer da vida, ficarem sozinhas (sem um relacionamento amoroso saudável), suas empresas terem constante rotatividade de empregados e sua vida social ser baseada apenas em relações sociais.



Suas ideias, seus ideais, seu estilo de vida, enfim, suas regras são as melhores e as mais corretas, porém, após um certo convívio com este perfil controlador, é possível descobrir que eles mesmos não seguem as próprias regras que tanto ditam. Para os observadores, é uma grande sacada ver a máscara de um controlador cair. Eles ditam porque eles mesmos não são capazes de seguir. Eles precisam contar com os outros, porque não podem contar consigo mesmos. Controlam o mundinho que constroem para si, sem perceber que apesar das altas e belas paredes de seus castelos, dentro de si há um enorme vazio porque não se sentem parte de um todo. Sem suas paredes, ficam desprotegidos. Sem sua mente controladora, perdem o controle e a noção de quem são.

Gosto muito desta citação de Paulo Coelho em seu livro Brida e que capta bem a essência disso tudo: “Um texto anônimo da tradição diz que cada pessoa durante a sua existência, pode ter duas atitudes: construir ou plantar. Os construtores podem demorar anos nas suas tarefas, mas um dia terminam aquilo que andaram a fazer. Então param, ficam limitados pelas suas próprias paredes. A vida perde o sentido quando a construção acaba. Mas existem os que plantam. Estes, hás vezes, sofrem com as tempestades, as estações, e raramente descansam. Mas ao contrário de um edifício, o jardim nunca para de crescer. E, ao mesmo tempo permite que, para ele, a vida seja uma grande aventura. Os jardineiros se reconhecerão entre si, porque sabem que na história de cada planta está o crescimento de toda a Terra.”

Por fim, uma vez que você capta um controlador, você deixa de se sentir controlado. Você entra e sai do jogo dele a hora que te convém. Estamos aqui para aprender, para trocar experiências e evoluir nossa consciência. Como diria o ditado acima, um jardineiro é capaz de semear onde quer que esteja. Com esta macro visão, você descobrirá que é um ser muito mais liberto do que qualquer aparente (bem-sucedido) controlador (ou construtor). Sua disciplina, autoconhecimento e observação são, e sempre serão, seus melhores aliados no trilhar da vida. “A natureza sustenta quem na vida tenta.”






Deixe seu comentário

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.