Espiritualidade

Tentações da vida

Será que somos tentados todos os dias? Com certeza somos tentados, principalmente nas estruturas egocêntricas que carregamos internamente. Na formação do caráter e da personalidade temos o ideal de ego e ego ideal. Quero falar sobre o ego ideal.



O ego ideal é um dos responsáveis pela formação da personalidade, produzindo sempre um processo de idealização pelo qual o sujeito busca reconquistar o estado de onipotência perdido com o fim do narcisismo infantil, fazendo-o desenvolver os sentimentos de superioridade (vaidade, orgulho, prepotência, presunção, arrogância) que irão caracterizar sua forma de se apresentar perante o mundo.

É o ego ideal que nos projeta, nos filmes de bang-bang ou aventuras no lugar dos super-heróis ou mocinhos. Sentimo-nos no lugar dos personagens, agindo como eles, torcendo por eles. Exemplos de Ego Ideal: ser belo, ser magro, ser elegante, ser inteligente, ser insubstituível, casar com um príncipe/uma princesa, fazer a melhor faculdade, ser o melhor profissional, etc. Quando o ego não consegue a satisfação de suas idealizações, ele sente profunda frustração. É o ego ideal que nos faz ser uma metade, dependente de segurança e reconhecimento na relação com as coisas, pessoas e sistemas.

No Evangelho proposto para este artigo, Jesus passa pelas tentações de suas estruturas egocêntricas. Sendo assim, Ele nos dá uma resposta coerente e verdadeira em relação de uma busca de vida sincera e eficaz. As respostas de Jesus mostram os traços que nós devemos ter para sermos seguidores de Deus. Fidelidade e serviço; doação e solidariedade; fraternidade, responsabilidade e compromisso são bases para uma comunhão com Deus e com todos.


A 1ª tentação – fome, transformar pedras em pão – implica em utilizar as qualidades que possui em benefício próprio. (leva ao egoísmo, ganância, desviar-se da solidariedade e fraternidade).
A 2º tentação – Atira-te para baixo.. Ordena aos anjos… Tenta por a prova Deus. Convida a deixar tudo nas mãos de Deus – renunciando a reflexão e a responsabilidade – propagar o reinado de Deus através de sinais espetaculares. Jesus repelirá sempre esta tentação.
A 3º tentação – é a mais radical – pede a Jesus que abandone a DEUS e tome por deus ele próprio, ou seja, desenvolvendo os sentimentos de superioridade (vaidade, orgulho, prepotência, presunção, arrogância) que irão caracterizar sua forma de se apresentar perante o mundo. Tendo em vista o reino do mundo, o esplendor – ambição do poder – afastamento radical de Deus.

Quero ressaltar que as três tentações aqui apresentadas não são mais do que três faces de uma única tentação: a tentação de prescindir de Deus, de escolher um caminho de egoísmo, de orgulho e de auto-suficiência, à margem das propostas de Deus. Mas, para Jesus, ser “Filho de Deus” significa viver em comunhão com o Pai, escutar a sua voz, realizar os seus projetos, cumprir obedientemente os seus planos. Ao longo da sua vida, diante das diversas “provocações” que os adversários lhe lançam, Jesus vai confirmar esta sua “opção fundamental” e vai procurar concretizar, com total fidelidade, o projeto do Pai.


Quando o homem esquece Deus e as suas propostas, e se fecha no egoísmo e na auto-suficiência, facilmente cai na escravidão de outros deuses que, no entanto, estão longe de assegurar vida plena e felicidade duradoura. E aí como nós estamos enfrentando as nossas tentações da vida?

Por Padre Jeferson Luis Leme

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