Tentando definir a fé e o divino – uma busca interminável…

Tentando definir a fé e o divino

Sempre recebo a pergunta de qual religião eu pertenço ou qual fé eu declaro, eu sempre fico na dúvida em como responder, penso se respondo de uma forma mais simples ou tento dar uma explicação mais coerente e fundamentada.



Por último eu tenho decidido então sempre dá uma resposta simplista, assim eu me poupo o trabalho de tentar fundamentar sempre o porquê de tal decisão, e ao mesmo tempo economizo energia da maioria das pessoas que tem preguiça de pensar. A resposta que eu dou, você talvez vá descobrir ao longo do texto, desde que seja um daqueles que não tenham preguiça de pensar, certamente vai conseguir compreender os fundamentos por trás disso.


Uma longa busca na tentativa de entender a fé

Os meus amigos e aqueles que me conhecem, sabem que sou um autodidata com sede de conhecimento e busca de sabedoria. Estudo e leio de tudo, desde religião até minha área técnica de atuação. Fiz faculdade de História como Hobby com o objetivo único de agregar conhecimento, o que me foi muito útil uma vez que aprofundou ainda mais minha visão de mundo.

Quando escrevo esse texto, já se passaram pelo menos uns 15 anos de estudos sobre história, religião, psicologia (dezenas de livros e enciclopédias adquiridas) e tudo mais que possa estar ligado a fé e depois disso tudo, a única coisa que posso afirmar é que ainda nada sei.


A inquietude da fé e ao mesmo tempo um olhar sempre neutro e tolerante para com todas as religiões, me fez questionar qual a verdadeira religião ou se existia uma religião única e verdadeira de fato.
Se Deus é único ou se existem vários deuses?

Afinal, a fé tem por base ser uma herança dos pais ou do local em que você nasce, logo como pode ser essa fé verdadeira só porque você nasceu ou herdou ela de seus pais ou de sua comunidade?

A minha busca incansável através da história, antropologia e da religião, buscando um entendimento geral de todas as religiões e como nasceram e seus credos, dei ênfase especial ao Judaísmo e Cristianismo, isso me fez entender e concluir que a fé é um exercício que você escolhe praticar, mas não pode de forma alguma ser uma verdade do ponto de vista de que “eu” estou certo e ponto final.


Descobri que as três principais e maiores religiões do mundo – cristianismo, islamismo e o judaísmo, foram as que mais mataram em toda a história.

O ponto chave é que as principais guerras nasceram especialmente por conflitos de fé, sempre tendo de alguma forma um viés religioso por trás, mesmo que não tenha sido o motivo principal do conflito, sendo assim, o número de pessoas mortas em nome da fé é simplesmente incalculável ou impossível de se comparar a qualquer outra estatística de conflitos na história da humanidade.

Fontes e consultas complementares: Livro: “Em nome de Deus”, Karen Armstrong – 2001.


Análise histórica da diferença entre Israelitas (Judaísmo – que é base do Cristianismo e Islamismo) versus o Nazismo de Hitler

A base das três maiores religiões do mundo é a mesma: amor ao próximo, fraternidade, não matar, não roubar e etc. Porém a prática é muito diferente, onde vemos que matar é justificável desde que o outro não seja da sua fé.

Conforme relatado na Bíblia no velho testamento, especificamente no livro de Josué, temos a narrativa da conquista da terra prometida ou palestina por parte do povo de Israel. Tal conquista se deu através de uma sangrenta guerra, no qual os Israelitas em nome de sua fé invadiram a primeira cidade Jericó e massacraram a todos (poupando apenas Raabe e sua família – vide livro de Josué), não poupando crianças ou idosos. Além da conquista da terra de Jericó o massacre se seguiu nas demais cidades e povos, a ordem divina era eliminar todos os habitantes não poupando ninguém.

Hitler no século XX chegou no poder na Alemanha nazista, quase 3500 anos depois do episódio de conquista da terra prometida relatado acima e simplesmente implantou a ideia de uma raça pura, raça Ariana. Com essa base ideológica plantada no coração da nação Alemã, Hitler colocou em prática seu plano de extermínio de Judeus, Ciganos, Homossexuais e outros grupos minoritários, tudo em nome de uma ideologia e crença.

Agora comparando os dois eventos acima, historicamente documentados e não olhando com viés de fé, mas olhando pelo ponto de vista historiográfico, qual a diferença dos dois episódios?
Matar em nome da fé é aceitável, não interessando o ser humano que esteja do outro lado?

Se olharmos ambos os eventos, vamos perceber que nada difere um do outro e todos partem da mesma base, que é o totalitarismo religioso ou auto proclamação de fé como verdade absoluta. O totalitarismo Nazista tem base de fé, fato é, que os Nazistas tinham uma corrente ocultista como fundo da raça pura Ariana.


Religiões em que as suas ações estão de acordo com sua fé

Já quando nos deparamos com religiões orientais as maiores e mais antigas como o Budismo (2500 a.C), e Hinduísmo, a prática de guerra e conflitos para imposição de fé é inexistente. Não que os Budistas ou Hinduístas não tenham matado ou participado de algum conflito, mas não se tem registro histórico de nenhuma guerra travada a fim de imposição religiosa. O que se pode concluir é que a palavra de ordem dessas religiões é a tolerância religiosa, como modo de prática e respeito as demais religiões.

Se essas religiões conseguem tolerar as demais em nome de sua base de fé, qual seria o problema com as três maiores religiões do mundo? Será que as três maiores religiões do mundo se embriagaram da ganância e poder e esqueceu da base de sua fé?

É simplesmente inconcebível olhar tudo isso e não fazer nenhum questionamento, ou gerar uma interrogação sobre os fatos conhecidos e em nome de uma “fé” achar que tudo está correto e certo.


Conhecimento demais não lhe afasta do divino

Ao contrário do senso comum de que ciência e religião não andam juntas e de que todo cientista é ateu, posso afirmar que isso é simplesmente uma lástima e mais uma das inverdades populares.

Francis Collins autor do Livro “A Linguagem de Deus”, foi o diretor do projeto Genoma Humano, sendo esse um dos maiores feitos da ciência que foi o mapeamento do DNA humano. Ele era ateu declarado e se converteu ao Cristianismo quando ainda era médico.

Dentre seu vasto conhecimento e experiência, ele cita uma frase marcante: “Eu vejo a mão de Deus trabalhando através dos mecanismos da evolução. Se Deus escolheu criar seres humanos a sua imagem e decidiu que os mecanismos da evolução fossem um elegante modo de cumprir esse objetivo, quem somos nós para dizer que não foi assim? ”


Não podemos negar que o ser humano é muito mais que matéria

Para essa parte eu passo a palavra para o ilustre filósofo e professor Mario Sergio Cortella:

“O divino, o sagrado, pode ganhar muitos nomes. Pode ser Deus no sentido judaico-cristão-islâmico da palavra; pode ser deuses; pode ser uma vibração, uma iluminação. Independentemente de como o denominamos, há algo que reconhecemos como transcendente, que ultrapassa a coisificação do mundo e a materialidade da vida, que faz com que haja importância em tudo o que existe.

Desse ponto de vista, não basta que eu me conecte com os outros ou com a natureza. Preciso fazer uma incursão no interior de mim mesmo, em busca da vida que vibra em mim e da fonte dessa vida. É essa fonte que alguns chamam de Deus. A conexão com essa fonte é aquilo que os gregos chamavam de sympatheia, que significa simpatia. Trata-se de buscar uma relação simpática com o divino. ”


Teísta ou ateísta

Certamente não posso negar a espiritualidade humana, ela existe e pode ser manifestada ou sentida de várias formas. Se Deus é uma divindade ou se Ele é uma “porção” ou “fagulha” do divino dentro de cada um, sinceramente isso não importa ou não se tem como provar. O que importa é que negar o divino é o mesmo que negar a vida e o amor em todas as suas formas.

Para essas pessoas como eu que não negam o divino mas também entendem a complexidade de explicá-lo, tem uma palavra que resume isso de forma sutil “Agnóstico Teísta”.

Agnóstico é aquele que considera os fenômenos sobrenaturais inacessíveis à compreensão humana. A palavra deriva do termo grego “agnostos” que significa “desconhecido”, “não cognoscível”. Os agnósticos são seguidores da doutrina denominada “agnosticismo” que considera inútil discutir temas metafísicos, pois são realidades não atingíveis através do conhecimento. Para os agnósticos, a razão humana não possui capacidade de fundamentar racionalmente a existência de Deus.

Um agnóstico pode ser teísta ou ateísta. Um agnóstico teísta admite que não tem conhecimento que comprove a existência de Deus, mas acredita que Deus existe ou admite a possibilidade de que pode existir. Por outro lado, o agnóstico ateísta também admite não possuir conhecimento que comprove a não existência de Deus, mas não acredita na possibilidade que Deus exista.


Crer no divino não necessariamente exige explicá-lo

Para essas indagações e inquietudes eu respondo: “Entenda como queira, mas não nego a existência do divino, nem tampouco sou capaz de explicar como Ele se manifesta. E digo mais, se alguém conseguir um dia provar concretamente sua existência ou sua manifestação, certamente eu e o restante da humanidade seguirão uma fé universal. ”

É isso que a humanidade busca, uma explicação universal que une a ciência e o divino de forma concreta. Mas como não é possível tal afirmação, apenas posso atestar que o homem é muito mais que somente matéria, mas um ser espiritual que de uma alguma forma faz parte do todo, mas pela nossa mente finita não conseguimos ou não podemos responder o infinito do divino.


Como explicar o sofrimento humano

Quando olhamos o mundo como ele é e como ele sempre foi, resumidamente podemos dizer que tem algo errado. Alguma coisa deu errado ou está muito errado.

O ser humano vive numa terra onde milhões estão passando fome e vivendo todo tipo de miséria e mazelas humanas, sendo que temos as grandes religiões manifestando a Soberania e Onipresença do Divino. Mas sempre pergunto: Porque o divino permite a nossa passagem por essa terra de sofrimento com a única expectativa de se formos merecedores herdaremos uma vida eterna, um céu ou paraíso?

Se o Divino tem todo o poder na mão, porque não acabar de vez com esses problemas?

Será que o universo não está regido por leis universais e não controláveis?

O livro: “Será que Deus Joga Dados? De Ian Stewart”  fala exatamente da teoria do caos e de como a matemática está presente em tudo.

Agora, nasce um novo tipo de matemática que busca compreender as irregularidades deste universo. O caos revela coisas que mal suspeitávamos existir. Teorias antes aparentemente simples podem dar lugar a soluções extremamente complexas.

“Mas é melhor ter um problema claro, por mais difícil que seja, do que viver eternamente iludido.”

E você quer ser um eternamente iludido?


Qual a sua religião ou fé?

Tudo que sei é que o homem é mais que matéria e que o divino se manifesta individualmente em cada ser, agora como isso se dá é muito individual e particular.

E tudo que se espera é a tolerância a diversidade, as minorias e o respeito às escolhas individuais.

Porque uma coisa que é universal a todas as religiões é o amor ao próximo, se você segue essa única lei universal você aceitará toda e qualquer diferença e não importa qual o credo que seu próximo declare, isso não importa, porque o amor tudo suporta e aceita.

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Texto escrito com exclusividade para o site O Segredo. É proibida a divulgação deste material em páginas comerciais, seja em forma de texto, vídeo ou imagem, mesmo com os devidos créditos.




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