Comportamento

“Tive um infarto”: virologista que combate covid-19 e pai solo de dois filhos revela nível de estresse

4 capaTive um infarto virologista que combate Covid 19 e pai solo de dois filhos revela nivel de estresse

Flávio atua na linha de frente contra a Covid-19, e revela que toda a carga de trabalho tem afetado sua saúde e a relação com os filhos.



A pandemia do novo coronavírus fez com que a dinâmica de existência de muitas pessoas ao redor do mundo mudasse. Reuniões familiares, beijos, abraços e proximidade são algumas das coisas que se deve evitar atualmente, para preservar a integridade e saúde da maioria das pessoas, enquanto aguardamos a vacina.

Mas, além de vítimas, a Covid-19 também tem causado muito estresse e desespero em profissionais da área da saúde, que trabalham dia e noite para conter o vírus. São médicos, enfermeiros, técnicos, faxineiros, virologistas, cientistas, e vários outros trabalhadores que têm dado sangue e suor no último ano, buscando conter o coronavírus da forma como podem.

Em Belo Horizonte, Minas Gerais, Flávio Guimarães da Fonseca, pai de Caio e Rafael, atua na linha de frente no combate ao vírus. Virologista, ele tem trabalhado em um laboratório, junto com infectologistas, enfrentando a pandemia. Segundo o profissional, o cientista brasileiro já possui naturalmente uma sobrecarga, já que a pesquisa se desenvolve, principalmente, dentro das universidades, fazendo com que muitos acumulem uma série de funções, como professores, cientista, pesquisador e administrador.


O que Flávio mais tem ouvido é que, neste momento, os pais deveriam aproveitar para ficar em casa com seus filhos, estreitando laços, e melhorando o relacionamento, mas não é isso que vive. A realidade é que, junto com os profissionais que atuam nos hospitais, os infectologistas e os virologistas têm muita demanda de trabalho, o que fez com que ele se afastasse dos dois filhos.

Desde 2014, Flávio é separado da mãe dos meninos, e possui a guarda definitiva deles. A mãe não mora no mesmo estado, e consegue vê-los cerca de uma vez ao ano, ou quando vai até Minas Gerais eventualmente.

Por isso, a criação e o cuidado é proveniente do pai, mas tem tido problemas, já que a carga excessiva de trabalho tem lhe causado até problemas de saúde.

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Direitos autorais: reprodução Facebook/Flávio Guimarães da Fonseca.


Em entrevista à Revista Crescer, Flávio contou que é virologista da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), presidente da Sociedade Brasileira de Virologia, membro do Comitê Permanente de Enfrentamento à Pandemia da UFMG, coordenador do curso de pós-graduação em Microbiologia do ICB-UFMG, membro científico do Centro de Tecnologia em Vacinas da UFMG, membro do Comitê Científico dos Laboratórios de Apoio Diagnóstico da UFMG e membro do Comitê Científico da Cooperativa de Laboratórios da UFMG.

É uma quantidade muito grande de áreas de atuação, com certeza, mas Flávio explica que isso nos mostra como a Covid aumentou o número de ações, principalmente para quem se insere no contexto da pandemia. Antes da disseminação do vírus, ele conta que tinha uma rotina mais organizada, onde precisava trabalhar longas jornadas, mas conseguia conciliar com o acompanhamento dos filhos.

Mesmo que existissem alguma falhas, ele conseguia levá-los à escola, conseguia fazer refeições junto com os meninos, cozinhar, entre outras coisas. Com alguma ajuda, o processo de educação dos filhos estava indo bem, os dois faziam acompanhamento psicológico para lidar com a separação, e mantinham um ótimo relacionamento.

Dada a urgência do momento, logo no início da pandemia, Flávio viu sua jornada de trabalho subir para 14 horas diárias, enquanto teve que manter a ajuda longe de sua casa, com os filhos sozinhos, tendo dificuldades em aderir ao ensino remoto. Mesmo que tudo tenha fechado, ele não pode trabalhar de casa, sua presença sempre foi importante para garantir a excelência de seu produto. Por isso, o pai viu sua relação com os próprios filhos ir desaparecendo.


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Direitos autorais: reprodução Facebook/Flávio Guimarães da Fonseca.

Flávio revela que seus filhos tiveram que se virar sozinhos no ensino à distância, já que ele só consegue vê-los de manhã bem cedo, e depois à noite, quando chega completamente esgotado do trabalho. Mesmo que os meninos sejam muito comprometidos e bonzinhos, o pai conta que a produtividade deles caiu na escola, o que o deixa extremamente triste por não conseguir ajudar.

O virologista sempre pode contar com a ajuda dos pais, mas por conta da pandemia, tiveram que se afastar, o que impossibilitou que os meninos fossem acompanhados. Ele tem um relacionamento com uma médica, que também o ajuda como pode, mas ela também trabalha na linha de frente, não conseguindo conciliar mais seu tempo de trabalho com a vida pessoal.

Em dezembro de 2020, por conta da alta demanda de trabalho, Flávio teve um infarto. O estresse elevado e a frustração em não conseguir acompanhar os estudos e evolução de seus filhos, fez com que a saúde se deteriorasse rapidamente. Ele diz que não pode ficar doente, porque seus filhos não têm ninguém além dele, e isso causa profunda tristeza.


Mesmo sentindo necessidade de ficar mais com os filhos, Flávio também possui um compromisso com a ciência e a universidade, por isso segue cumprindo suas funções, fugindo dos problemas em demasia, buscando minimizar esses sentimentos ruins.

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