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Todas as mulheres em mim…

Desde pequena sempre acreditei que havia algo em mim de esquisito. Não entendia bem o que era, mas a reação das pessoas confirmava minha autoafirmação negativa.



Jamais me achei uma beldade popular nos tempos de escola. Escondia-me por detrás da timidez e daquele meu triste óculos de “nerd”. Fazia-me não ser notada pelos colegas, mas nunca obtive êxito diante do tal disfarce. As meninas me maltratavam através de desprezos e humilhações constantes. Alegavam que eu não era inteligente e que só possuía uma face bonita para atrair a aproximação dos outros. Já os meninos reagiam de forma oposta. Faziam questão de serem meus amigos apesar de todo meu acanhamento declarado. No entanto, outros garotos se mantinham afastados e preferiam dar o seus “olás” jogando bolinhas de papel e de chiclete nos meus cabelos. E eu amava estes “olás” em silêncio que tanto falavam saltitando nos meus longos fios loiros.

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Os vizinhos e familiares também pareciam sentir raiva de mim sem eu ter feito nada. Era acompanhada de forma permanente pelos seus olhares desdenhosos.


Todo este comportamento alheio me incomodava bastante e me deixava triste.

Afinal…quem não gosta de ser querido?

Eu vivia me questionando o que eu tinha de errado. Pois nunca pratiquei maldades ou coisa do gênero. E até era muito compreensiva com os que me fustigavam. Inclusive, meus pais me condenavam por tal atitude. Eles me estereotipavam como a “tola”.

Passei muitos anos me achando um verdadeiro ser de outro planeta. Até que um dia tive um grande amigo e desta amizade surgiu um grande amor entre nós. Ele sabia bem dos meus incômodos em relação às amizades que só me decepcionavam através de histórias inventadas sobre minha pessoa para me isolarem do mundo. Era uma maldade de impressionar os que me admiravam e me conheciam de verdade.


Um dia chorava bastante e eu falei:
-Por que fazem isto comigo? Eu não pratico o mal! Tento agradar a todos e nada que eu faça de bom adianta. Parece que a raiva só aumenta.

E aquele amor sabiamente respondeu:

-Você é apenas diferente para os outros. Pois sente mais…mostra mais quem é sua pessoa. Sua essência exala um perfume maravilhoso que incomoda quem o inspira. Já que ninguém pode tê-lo…é único e só seu! Por favor…nunca mude quem você é para agradar os outros e nem mesmo a mim! Amo tudo em você e todas as suas faces!


Certamente nunca havia escutado algo tão lindo diante de tantas indiferenças sem justificativas. Por mais que adicionassem óleo na minha água jamais mudariam a composição intrínseca do que eu realmente era. E de fato…nunca mudei!

Acredito que jamais fui diferente. Apenas guardo em mim várias mulheres que se adequam à manifestação de minhas reais emoções. Então, algumas vezes, diante de meus relacionamentos, a mulher tímida me visita para dar tempo de averiguar como devo me comportar nas horas seguintes. É claro que não negarei ao afirmar que quando a mesma vai embora deixa um rastro sutil de encanto sedutor. Outras vezes, a mulher romântica juntamente com a mulher literária compõe os bramidos embutidos nas palavras da mulher de alma inquieta. Há também a aparição da mulher leoa que é decidida e que segue com coragem o que quer.

Sem esquecer, claro, da mulher amiga que apoia e compreende o lado humano acima de qualquer julgamento hipócrita vindo da sociedade; e ela…a mulher libidinosa em seus momentos secretos de intimidade e total entrega com o homem que carrega em seu peito. Sim…esta mulher só se torna um bicho selvagem no leito quando a desejada presa já está presente na armadilha de seu coração.

Atualmente aceito com orgulho a minha “esquisitice”. Pois ela me permitiu lutar pelo que sou de verdade e não pelo que os outros queriam que eu fosse para seguir um certo padrão democrático. Longe de mim buscar modelos puramente femininos…busco mais…busco meu próprio modelo…modelo do meu próprio ser humano existencial.


Somos únicos em vida…no tempo…para sempre! E mesmo sabendo disto tudo ainda me pergunto: Por que tantas pessoas seguem o paradigma igualitário? E a resposta é simples: MEDO…MEDO…MEDO de serem o que são (únicas) …de exporem o que sentem…de abrirem as celas de seus presos corações. Quão bobas são! Não vivem…não sentem em demasia…não agradam aos próprios anseios de suas almas!

É visível o real motivo de minha essência considerada “perturbadora” para os meus próximos: nunca fui escrava de um arquétipo para agradar um bem comum que nunca foi o meu bem. Minha essência nasceu livre e continuará livre para desfrutar da diversidade das danças das emoções de todas as mulheres em mim!

Ser sensível é diferente de ser fraco!

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