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Todas as pessoas são boas, se soubermos a forma certa de tratá-las, de acordo com o conhecimento da sua história

Todas as pessoas são boas, se soubermos a forma certa de tratá-las, de acordo com o conhecimento da sua história.


Acredito que todo ser humano é essencialmente bom (no sentido de ser puro) e, quando demonstra o contrário, existe uma explicação para esse fato.

Imaginemos um bloco de barro, molhado, pronto para ser moldado. Nós somos esse bloco no momento do nosso nascimento e, se a composição mineral do barro for como a da nossa genética, as mãos de quem o vai moldar são como o ambiente e as nossas vivências.

O bloco está lá, cabe às mãos trabalhá-lo e aperfeiçoá-lo, dar-lhe forma e estrutura. O barro, antes de ser peça, era apenas barro; a pessoa, ao nascer, é apenas um recipiente pronto para absorver informações e conhecimentos.


Somos limpos, somos folhas em branco. Existem instintos básicos que estão em nós desde o início, mas a maldade não é algo que nasce conosco.

Acredito que todo ser humano é essencialmente bom (no sentido de ser puro) e, quando demonstra o contrário, existe uma explicação para esse fato.

Cometer maldades advém de motivos, histórias de vida duras, maus exemplos, crueldade, algumas vezes da falta de escolha e algum percentual de herança genética. Cabe a nós não recriminar e julgar ninguém no primeiro minuto, devemos antes tentar adaptar e moldar a nossa visão para que entendamos os porquês de alguém ser como é.

“Somos o resultado de um percentual genético e ambiente, somos uma herança, a nossa genética em conjugação com as nossas experiências.”


A empatia se torna fundamental. Devemos sentir o outro, ver o mundo por meio dos olhos dele para depois apresentá-lo ao mundo que ele não vê. Ponto de vista é só a vista de um ponto.

Quando a pessoa é acolhida, pode também acolher e enxergar aquilo que ela olha, mas agora sob outra perspectiva, a perspectiva do seu interlocutor. Assim ela será flexível e nós aprendemos com a história de vida desse outro ser. Por vezes, a maldade vem apenas por falta de oportunidade, por falta de ajuda. Por vezes, não perdemos tempo suficiente para ouvir e, quem sabe, direcionar o outro sob uma perspectiva diferente, mostrar-lhe opções e caminhos alternativos que, de algum modo, a sua ira não lhe permite enxergar.

Nós, seres humanos, somos um universo de possibilidades e quando defrontados com a decepção, a perda, a dor, o abandono, a falta de compreensão, podemos deixar o nosso lado mais obscuro sobressair.

Quando se dá demasiado espaço à mágoa e à descrença, sentimentos como a tristeza, a ira ou a maldade têm mais terreno para florir, cabe ao outro ser jardineiro, separar o trigo do joio e dar oportunidade às boas sementes de germinarem e crescerem.

Se a nossa experiência de vida, o ambiente onde nos movemos e as pessoas com quem interagimos são um peso enorme na balança da nossa personalidade, não devemos esquecer o que trazemos dentro de nós, a nossa herança genética, a nossa memória celular que carrega traços e histórias dos nossos antepassados.

Movemo-nos entre um determinismo e uma escolha entre o que carregamos em nós e o que escolhemos para nós. Somos seres sobredeterminados. Esse assunto tem sido debatido pela comunidade científica com alguma frequência, a fim de tentar entender que percentual genético está presente no que somos, no que determina a nossa personalidade e atitudes. Nessa batalha entre genética e ambiente, ainda não se chegou a conclusões definitivas.

Quando entramos na mente do outro, podemos pelo menos imaginar suas referências; fazer um trabalho intelectual para percebê-lo e remanejá-lo é um talento que destaca poucos na atual sociedade.

Ou seja, a chave está em ser humilde. Essa humildade será o nosso mecanismo de entrada nesse universo que não nos pertence, mas que queremos desvendar. Temos de ser humildes o suficiente para saber ouvir, dar espaço a quem precisa falar.

Devemos especialmente ouvir com vontade e interesse para que se crie uma empatia sincera e o outro se sinta seguro para que possamos entrar no seu espaço. Devemos ouvir com a consciência de que o outro é detentor de qualidades e capacidades, e valorizá-las.

No nosso tempo de vida, não temos tempo para aprofundar conhecimento em todas as áreas, sobre tudo o que nos interessa, mas esse outro pode ser uma porta para o conhecimento quando estamos dispostos a ouvi-lo, a absorver a sua história. A humildade advém de uma consciência muito racional e devemos deixar que se implemente em nós como um mecanismo de conhecimento e oportunidade.

“Ser humilde é a chave de entrada no universo do outro, é a forma que temos de o desvendar e ajudar.”

 

Direitos autorais da imagem de capa: Til Jentzsch/Unsplash.





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