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Todo mundo tem pressa e querem logo chegar, mas muitos nem sabem ao certo onde sua estrada vai dar.

Eu e o tempo no caminho da

Todo mundo está com pressa para não perder o ônibus, mas esquecem que perdem muito mais, perdendo a própria vida,



Corremos, descemos e subimos escadas, trabalhamos, estudamos e voltamos para casa, cansados dormimos, talvez iludidos. Amantes do drama com fé no destino. Embora acordados…

Jung vai chamar esse estado de correria e agitação coletiva, em busca de algo que está fora de nós, de “sonhar”. E vai chamar o mergulho que fazemos dentro de nós mesmos em busca de significados, de “despertar”.

Precisamos estar despertos para percebermos como estamos nos relacionando com o mundo e como nós o afetamos e me permitimos ser afetados por ele,


Faz-se necessário termos a exata compreensão de quem somos, do que temos e o que queremos. Essa consciência nos dá maturidade e essa maturidade nos servirá como eixo relacional para nos apresentarmos pacificados no chão da vida.

Quando isso acontecer, nada neste mundo terá o poder de tirar a nossa paz, nem mesmo o tempo corrido e potencialmente acelerado, que a maior parte das vezes representa o nosso verdadeiro algoz. Sempre correndo contra nós.

Não há como pará-lo (embora alguns momentos desejemos eternizar) tudo gira em torno dele, queremos usá-lo, mas dificilmente desfrutá-lo. Ignorá-lo é impossível.

Buscamos o tempo como um galardão, sem entendermos que o verdadeiro galardão é o poder do não abatimento. Precisamos desse poder em nós para seguirmos adiante todos os dias.


Agilizamos tudo para sempre ganhar tempo, mas nunca perder, nós nos submetemos a essa esmagadora realidade, mesmo sem perceber.

E as doenças psicossomáticas aparecem, na loucura de ter em detrimento de ser.

Muitos acreditam em si, mas eu prefiro acreditar em todos serem um só. Pois o maior de todos os mestres preferiu ser o menor.

Dizem que as crianças de hoje em dia não sabem ser crianças, imagino que difícil mesmo seja ser criança com adultos totalmente adoecidos, estressados, ansiosos, sem paciência e sem tempo para nada.


Precisamos aprender a apreciar o caminho como etapa e parte do processo, e reconhecê-lo como o melhor lugar para se estar no agora, sabendo que os momentos bons e ruins, jamais se repetem, mas sempre deixam sementes que vão germinar no futuro, colhamos os frutos de hoje.

Todos estão muito ocupados, todos têm pressa e todo mundo sempre está indo para algum lugar.

E se ficarmos “sonhando”, o tempo mal vivido vai nos roubar essa percepção e sensibilidade.

O globo segue girando em alta rotatividade.


Todo mundo está com pressa para não perder o ônibus, mas esquecem que perdem muito mais, perdendo a própria vida, perdendo a sensibilidade de sentir, tocar e ser tocado, perdendo a capacidade de estar vivo e não mais tornar-se um refém do cotidiano no piloto automático.

Estar inteiro diante do outro. Eis o paradoxo existencial do status quo.

Todo mundo tem pressa e querem logo chegar, mas infelizmente muitos não sabem ao certo onde sua estrada vai dar.

Sendo assim, acredito que o melhor destino seja o próprio caminho, pois no caminho existencial, temos a oportunidade de nos encontrarmos todos os dias e assim olhar para o outro, encontrar a felicidade, não no passado ou no futuro, mas no presente, aqui e agora em tempo real.


Caso contrário, viveremos uma selva cipoal, mas nunca um jardim relacional.

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Direitos autorais: da imagem de capa: joseelias / 123RF Imagens


Estudo recente descobriu que pessoas de mente aberta vivem em uma realidade completamente diferente!

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