Tolerância: amiga-irmã da paciência! Grandes virtudes perdidas no tempo…



Não faz muito tempo escrevi um artigo sobre a paciência. Hoje vou falar da tolerância, amiga-irmã desta outra virtude. Sim, porque ambas são grandes virtudes, infelizmente perdidas no tempo.

Mesmo assim, muita gente ainda prega a tolerância, e temos visto isto acontecer muito em relação ao preconceito. Mas não ter preconceito não é ser tolerante. Não ter preconceito é aceitar, e não, tolerar. Mesmo que não sejamos, sintamos ou pensemos como o outro, nós o aceitamos, isto é não ter preconceito.

Tolerar requer um esforço maior do que aceitar. Tolerar é exatamente não aceitar, não concordar, mas apesar disto, respeitar. Respeitar o ponto de vista do outro, a forma dele agir, a forma dele ser, mesmo que não concordemos com ela. E assim como temos direito a nossa própria individualidade – onde estão contidos nossos pensamentos, sentimentos, ações e personalidade – o outro também tem direito a ela.

É claro que quando há um choque de valores a questão fica muito mais delicada, e realmente é quase impossível a tolerância. Mas, se pararmos para pensar bem, veremos que sempre há motivos, justificativas, e pontos de vistas que devem ser respeitados.

Saindo desta questão delicada que é o choque de valores, vejo hoje em dia a intolerância atuar em coisas pequenas, como por exemplo, em relação à diferença de opiniões.

Aceitar o outro, a diferença, é no mínimo tolerar que ele tenha opiniões diferentes da nossa.

E é neste momento que a arrogância se instala, fruto de um egocentrismo, muitas vezes, imperceptível para a própria pessoa. Isto acontece quando ela nega a veracidade e opinião genuína do outro, só porque não é igual a sua, muitas vezes, negando o outro, renegando-o ao esquecimento ou brigando com ele.

A maioria das crianças é egocêntrica, não de uma forma vil ou perversa, mas porque faz parte de seu processo de amadurecimento e construção da personalidade. Agora, adultos agindo como crianças, mostram o quanto de lacunas ainda não preenchidas existem neles ao não conseguirem tolerar uma opinião diferente. Sentem a divergência como uma afronta a eles, como algo extremamente pessoal. Tudo isto fruto de seu egocentrismo ou complexos mal resolvidos, enquanto o outro estava apenas se expressando.



É claro que ninguém quer desrespeito, e isto ninguém pode tolerar, até porque o desrespeito já é uma falta de tolerância do outro para conosco. Ninguém também deve tolerar maus tratos. Mas quando não há maldade, quando o que há é apenas o direito do outro de ser e se expressar, devemos, sim, se não compreendermos ou aceitarmos, pelo menos, tolerar.

Muitas relações são desfeitas pela intolerância, muitos grupos acabam pela falta da tolerância, muito é perdido pela falta dessa virtude tão importante e sábia, pois é ela que permite a convivência harmoniosa das diferenças.

Anna Leão

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Direitos autorais da imagem de capa: peshkova / 123RF Imagens






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