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Tragédia em Petrópolis: amigo e mergulhador profissional integram força-tarefa de 50 pessoas em busca de jovem desaparecido

Video mostra pessoas em onibus arrastados em Petropolis tentando se salvar

A busca pelo jovem Gabriel da Rocha, de 17 anos, um dos passageiros de um dos dois ônibus que foram arrastados pela enxurrada de terça-feira na Avenida Washington Luis, em uma das imagens mais marcantes da tragédia em Petrópolis, ganhou reforço de amigos e moradores da cidade, que se sensibilizaram com a história do pai do jovem, Leandro da Rocha, que vem entrando no rio Piabanha com auxílio de uma corda para procurar o filho.

Neste domingo, além de amigos, moradores da cidade que se comoveram com história do pai em meio as águas barrentas em busca do filho. Entre esses, o mergulhador profissional Nangib dos Santos Silva. Vestido com seu equipamento, ele entrou cedo no Rio Piabanha e percorreu quilômetros pelo leito do rio adentro, olhando carçacas de veículos que foram arrastadas pela enxurrada e o lixo acumulado nas margens.

Com a ajuda da esposa e um casal de filhos, que andavam pelas margens orientando e jogando corda para ajudar quando necessário, ele tem certerza de que o grupo irá ter sucesso nas buscas.

Eu sou mergulhador profissional. Estamos ajudando, é um trabalho difícil, tem muito lixo e detritos. Entrei desde cedo na água e vamos continuar. Vamos encontrá-lo — disse Nangib, cuja a família está ajudando em várias frentes. No sábado, a esposa e a filha estavam com mantimentos na região onde houve deslizamento no Caxambu.

Quem também está na busca por Gabriel é o amigo Breno da Silva Raimundo, de 18 anos. Os dois são praticantes de Jiu-Jitsu e estavam sempre em contato para falar sobre novas técnicas. Ele reconheceu o amigo em vídeos da enchente que circularam na quarta-feira e foi até a casa de Gabriel. Ao saber que ele estava desaparecido se uniu a familia para as buscas pela cidade.

Somos amigos do Jiu-Jitsu, é um moleque do bem. Gostávamos muito de trocar ideia sobre diversos assuntos. No que eu precisasse ele me ajidava e eu também ajudava ele. Gosto muito dele, um moleque sem palavras — disse Breno.

Apesar do tempo desaparecido, Breno ainda tem esperança de encontrar o amigo com vida. Ele usa como exemplo o caso do irmão dele, que reencontrou uma amiga que estava desaparecida após a casa ser destruída em um dos deslizamentos na cidade.

Estou andando aí pelas margens do rio olhando. Estamos numa segunda busca, olhando os lugares. Meu irmão reencontrou uma amiga que todos achavam que estava morta, então eu tenho esperança — disse.

Confira o momento que o ônibus é arrastado:

Além dos amigos, famílias de amigos de Gabriel estavam na busca. Pai de um dos melhores amigos do jovem, Tony Faxola cavava a lama nas margens do Piabanha com uma ponteira e estava disposto a virar a madrugada nas buscas. O motivo era simples:

Eu sou pai também. Meu filho é um dos melhores amigos dele, está arrasado em casa. Ele queria vir também, mas achei melhor poupá-lo, então vou ajudar por mim e por ele. Eu sequer imagino a dor de ver um filho nessa situação. Vou ficar aqui se precisar a gente vira a noite. Te digo uma coisa: a gente vai achar o Gabriel. A gente vai achar — afirmou veementemente.

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