Três dicas para acompanharmos a dança das interações afetivas e sociais de nossos filhos

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Uma das cenas mais belas e tocantes da natureza é observarmos a capacidade que o bebê tem de, desde recém-nascido, se sentir mobilizado pelos afetos de seus cuidadores e a responder emocionalmente a estes afetos.



Quem nunca foi tocado pelos sons fofos que o bebê emite quando a mamãe fala com ele? Ou quem nunca gargalhou junto com as gargalhadas de um bebê que ri ao observar as traquinagens do papai?

O grande autor Daniel Stern costuma dizer que estas interações podem ser comparadas a uma dança em dupla. Neste caso, o movimento de um dos participantes naturalmente ocasiona o movimento do parceiro, fazendo com que possam se mover de maneira complementar, simétrica e harmonicamente. O que também ocorre nas interações afetivas e sociais, onde a expressão afetiva de um dos parceiros de interação mobiliza o afeto e o comportamento do outro, que também se sente afetado pelas emoções do parceiro de interação, respondendo a ele.

E, assim, reciprocamente, bailamos a dança das interações afetivas e sociais ao longo de todo o nosso desenvolvimento.

Mas, obviamente, para que isto seja possível, não apenas os nossos filhos precisam se conectar aos nossos afetos e ações. Nós também precisamos estar afetivamente dispostos a nos conectarmos e a respondermos a eles. Nesta dança, ambos precisam estar engajados a usar os passos em parceria e sincronicidade. E, infelizmente, nem sempre isto acontece na correria de nosso dia a dia. Estamos tão preocupados com as atividades e tarefas que precisamos executar, que deixamos de nos conectar ao que verdadeiramente importa para nós.

Assim, quando não conectados às respostas afetivas de nossos filhos, não somos capazes de entrar na dança das interações com eles, influenciando em seu desenvolvimento e na qualidade de vida de toda a família. Como se passássemos a dançar músicas diferentes, mas ainda tentando dançar junto. Fácil perceber que o descompasso e o ritmo distinto entre nós acaba gerando prejuízos a todos que podiam estar se beneficiando da mesma balada.


Imprescindível, pois, pararmos para refletir e desenvolver estratégias que podem nos ajudar a nos reconectar afetivamente às nossas crianças. Sugiro aqui três dicas: 

1. Caso a sua rotina seja muito atribulada e tomada por diversas responsabilidades, planeje cada dia, priorizando o que precisa ser feito de mais relevância e separando dele, um tempo para que vocês possam estar plenamente conectados ao seus filhos. Eles só precisam de seu carinho e de sua atenção. Apenas isto. E eles podem ser dados em qualquer momento. Seja a hora do banho, seja a hora do compartilhar das refeições ou até mesmo na hora de uma deliciosa e relaxante contação de estórias. Não importa, desde que, nestes momentos, sejam apenas eles e nós.


2. Como temos muitas dificuldades em liberar as nossas mentes de pensar sobre os problemas ou afazeres que ainda precisamos cumprir no dia, acabamos por não conseguirmos usufruir do momento livre com as nossas crianças. Então, é muito importante treinar a nossa mente para o que ocorre no presente e para as sensações do momento, para que estejamos mais disponíveis, engajados e atentos aos afetos expressos nos momentos com eles. Assim, vale a pena respirar profundamente, prestar atenção na respiração e nos perguntarmos o que estamos sentindo ou quais sentimentos identificamos em nossos filhos em determinada situação. E, quando a mente escapar para outros pensamentos, precisamos treiná-la a voltar a se conectar ao que estamos fazendo com as nossas crianças. Diga para ela que neste instante nada é mais importante do que estar ali. Repita essas instruções quantas vezes forem necessárias até que a sua mente aprenda a focar mais nas situações presentes, aumentando, então, a sua conexão afetiva com as crianças.


3. Podemos utilizar as tarefas que nos impedem de estar com os nossos filhos em oportunidades de interações. Assim, o preparo do jantar pode virar uma linda brincadeira sensorial, o retirar as roupas do varal pode se transformar em uma bela conversa e até mesmo o passeio com o cachorro pode ser aproveitado para um momento especial em família. Lembrem-se que para aumentar a conexão afetiva com os nossos filhos basta apenas estarmos disponíveis para ficarmos com eles. Não precisamos inventar brincadeiras mirabolantes ou comprar o brinquedo de última geração. Eles só querem a nossa atenção genuína e a nossa presença. Dando isto para eles, damos naturalmente toda a nossa conexão e o mundo. Basta apenas nos permitir conectar e dançar esta dança com eles.


Geralmente, os nossos filhos estão com a próxima música pronta para tocar, esperando que nós possamos chamá-los para dançar.

Não vamos perder tempo e nos sentir abatidos, vamos entrar no ritmo da música, guiar e acompanhar os passos daqueles que dançam as músicas mais importantes de nossas vidas. 


Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: lightfieldstudios / 123RF Imagens

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* Matéria atualizada em 11/05/2018 às 5:18






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