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“tudo o que chega, chega sempre por alguma razão…”

“Tudo o que chega chega sempre por alguma razão...”

“Concedei-nos Senhor, serenidade necessária, para aceitar as coisas que não podemos modificar, coragem para modificar aquelas que podemos e sabedoria para distinguirmos umas das outras”. A prece de Reinhold Niebuhr, talvez seja um dos grandes desafios com os quais nos deparamos ao longo de nossa existência. Quiçá, o maior.



Quantas e quantas vezes nos perguntamos o motivo de determinado fato, de alguma situação em específico, ter acontecido conosco? Ficamos questionando, não nos consideramos merecedores de tais “fardos”, condições ou imposições da vida. Como assim, meu futuro não está em minhas mãos? Não, muitas vezes não. Na sua grande maioria das vezes, não.

Quando pensamos que estamos inseridos em uma espécie de “cápsula” da rotina, da normalidade, vem a vida e nos sacode, mostrando que independe de nós, nosso próprio destino. É desgastante lidar com o imprevisível, não ter as rédeas da situação, o controle do timão que direciona os mares e sentidos por onde navegaremos nossas vidas. Mas faz parte do processo, é o jogo.

Como tão bem definiu Fernando Pessoa: “Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão”.


Acredito que a maturidade me faz pensar menos sobre isso que outrora. Ou colocar em prática tais aceitações com mais facilidade, menos sofrimentos, sem esbravejar ou esbaforir. Sempre acreditei que tudo tenha um sentido de ser, como tão bem definiu Fernando Pessoa: “Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão”. Mesmo que, num primeiro momento, não consigamos ver de tal maneira. É quando, geralmente, estamos cegos por nossas individualidades e vaidades.

Mas não temos que ficar de braços cruzados vendo tudo acontecer como se fossemos meros espectadores de nossos futuros. Se não posso mudar as coisas, não posso mudar o mundo, ao menos, posso mudar minha forma de ser e de vê-las. Acredite, agir desta maneira já é um grande passo para sofrer menos, para ser mais resiliente

E se é para mudar, que seja para melhor. Estabelecendo uma analogia, somos massa nas mãos de Deus e do nosso destino. Uma dose de paciência, duas medidas de serenidade, três colheres de otimismo, uma xícara de compreensão e duas toneladas: uma de paciência e outra de coragem. Sei que não é tão fácil assim e que viver não é como uma receita de bolo. Mas, que sejamos cozinheiros de nossas vidas, e que se não for pedir muito, não erremos, na hora do cozimento. Que tenhamos fé e que não fiquemos embatumados.

Deixar que o fluxo transcorra naturalmente, requer paciência. E, geralmente, quando nós somos o assunto, a paciência acaba ficando em segundo plano. Porém, nem tudo está perdido. Somos seres em constante evolução e transformação. Aprimorarmo-nos é evoluir. Tentarmos minimizar ao máximo nossos defeitos, da mesma forma. Saber esperar, principalmente quando nos deparamos com uma situação que parece não ter solução, é necessário. Crescemos com isso. Amadurecemos.


Jean de La Bruyére, em “Os Caracteres”, complementa: “Quem sabe esperar o bem que deseja não toma a decisão de se desesperar se ele não chega; aquele que, pelo contrário, deseja uma coisa com grande impaciência, põe nisso demasiado de si mesmo para que o sucesso seja recompensa suficiente. Há pessoas que querem tão ardente e determinantemente certa coisa, que por medo de perdê-la, não esquecem nada do que é preciso fazer para perdê-la.

Eu acredito que tudo tenha o seu tempo e explicação. Que o fardo que me é dado, certamente suportarei carregar. E só por acreditar, ele acaba se tornando mais leve. E eu, cada vez mais forte.

Um plano simples para alcançar o amor próprio intenso:

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