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Tudo o que não vemos quando colocamos o blackout…

TUDO O QUE NÃO VEMOS QUANDO capa e dentro

BLACKOUT!



Hora e vez de tirar o blackout da sala. Arma a escada. Sobe um, dois, três, quatro e o último degrau.

A escada parece bamba. Equilibra. Passou o susto. Desencaixa o varão. Na ponta, no meio. Droga.

Por que não coloquei a escada no meio? O blackout corre o varão. Quanto pó. Como isso está sujo. Misericórdia. Vai dar uma trabalheira pra limpar. Onde vou esticar isso? Se eu tivesse sapólio líquido… Desce escada. Empurra escada. Sobe escada. Desencaixa a outra ponta do varão.


O blackout fica jogado no chão. O varão vai parar num canto que ainda não foi limpo. Nada de sujar o que já está pronto. O que aconteceu nessa janela? Abre, fecha. Borrifa. Passa pano. Borrifa. Passa pano. Esses cantinhos me quebram as pernas. Só uma expressão. Que meu filho iria odiar, pois como alguém pode dizer que algo é de quebrar as pernas sem quebrar as pernas?

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Arranjado o sapólio líquido… É a hora e a vez de limpar o blackout. Abaixa. Estica. Um tanto de produto e uma esponja de pia com a vida útil: pronta para ser jogada fora. De joelhos. Esfrego. De ponta a ponta, para não usar outra expressão inútil não aprovada pelo meu filho, “de cabo a rabo”, pois que o blackout não tem cabo, nem rabo. Lá vamos nós. Nós? De onde tirei nós? Lá vou eu. Nós, só se os inanimados blackout, esponja, produto, forem incluídos, para sermos nós. Não. Hoje não. Lá vou eu. De joelhos. Pagar todos os pecados que não cometi. Não a esse blackout.

Na metade, não tenho como não pensar que eu nem estava lá quando isso começou a ficar assim: sujo. Eu não fiz parte disso. Os pecados não são meus. Não levo jeito para Jesus Cristo. Pagar pelos pecados dos outros. Não. Definitivamente, não. Mas sim. Tô aqui de joelhos sentindo o peso duma cruz nas costas. No final, do primeiro lado, minha consciência já dizia outra coisa. Sim, era minha culpa toda aquela sujeira. Eu não estava lá quando aconteceu, mas isso não me torna menos culpada. Minha omissão já é parcela da culpa. Ficar de joelhos não vai me tornar menos culpada, mas já ajuda a pensar. Não mais na sujeira do blackout. Além disso.


Tudo o que não vemos quando colocamos blackout. É para impedir que a claridade entre também durante o dia. Na sala permite que possamos assistir a um filme num escurinho mesmo que seja durante uma manhã de sol. No quarto, nos permite dormir até mais tarde. Nos impede de ver o tempo lá fora. Nos impede de ver o céu lá fora. Nos impede de ver a lua, as estrelas, lá fora. Impede que vejam aqui dentro. As cobertas sobre a cama. A sala bagunçada. Impede que vejam aqui dentro. As culpas que carrego há tanto. Que as marcas estão visíveis, no blackout.

Não importa quem estava aqui antes, quem virá depois. Somos todos um. A mancha de antes, é minha agora. Não posso ignorá-la. Culpando os outros que passaram por aqui. Somos todos um. Eu estou aqui, agora. E agora é uma questão de quem fica: ela ou eu? Pois embora sejamos todos um: as manchas, as culpas, o blackout e eu…. Estamos separados por tempo demais.

Fim de um lado. Fim doutro.

É a hora e a vez de colocar o blackout em seu devido lugar.


Agora sim…

Somos todos um.

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