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Tudo tem um começo…

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Tudo tem um começo. Normalmente sem vinhetas de abertura. Normalmente sem frases de efeito e sem grandes estúdios patrocinadores. Nem pipoca, nem refrigerante precisam acompanhar.



Mas o começo começa e, nem eu nem você poderemos fazer alguma coisa a respeito. Às vezes um sorriso torto, um “não sei onde colocar as minhas mãos”, um convite, um encontro ou um desencontro começam começos. Sem avisos. E do começo lá se vão, rapidinho, páginas e páginas de histórias, de pessoas, de lugares, de lanches, de cafés, de passeios, de compras no supermercado, de horas na televisão, no parque, na cama, no sofá, no carro, no avião, nas voltas pela quadra, nos corredores do cartório, do hospital, da casa da tia, da casa da sogra, dos aniversários, missas e velórios.

Tudo por causa de um começo que nem sempre a gente viu acontecer e se viu, achou que estava tão bom assim e não percebeu o mais óbvio: começos pedem finais. Enquanto começos, na maioria das vezes, são felizes, alegres e até divertidos – talvez algumas vezes dramáticos (os meus preferidos) -, existem os finais para tratar das lágrimas, das faltas e do luto. Toda vez que passo por um final eu penso: dessa vez será um final feliz.  Esqueço-me.  Não estou no cinema.

Alguns finais se arrastam como filme amador ou esquete de faculdade com nota ruim. A gente se joga no chão, chora, desaba e quer se matar porque é muito ruim e ninguém faz nada a respeito. Não é natural uma coisa dessas que mata a gente aos pouquinhos até que não se sinta mais nada. Nada. Até a pele fica insensível. Ao toque, à chuva, ao raio de sol ou ao amor.


Estremeço quando ouço “preciso de um tempo”, “preciso de espaço”, “estou confusa”, “não sei o que eu quero” ou qualquer outra frase infame que, provavelmente, está vindo à sua cabeça.

Pior que terra arrasada é o tiro de misericórdia que não é dado. Vamos ao final. Por pior que seja, se são inevitáveis os finais, que então sejam do jeito que devem ser. A coragem deve impulsionar a libertação do outro e de si mesmo.

Quando os finais vêm, então, volto sempre aos começos. A cada final fico pensando se vou topar em um novo começo um dia desses outra vez.

A memória da gente acaba por ser uma grande traidora, o corpo se emociona ao toque, uma boa piada, um sorriso torto, um carinho e as palavras bem ditas, sussurradas ao pé do ouvido. Daí começa tudo outra vez. Maldita roda que não para de girar.


Conheço gente que fecha o coração, a alma e a pele. Mas somos seres pela metade afinal de contas. E ficar pela metade é como vagar sem rumo pelas ruas num dia de tempestade. A gente perde a noção do tempo, das horas e dos dias. Perde a noção de si mesmo. Prefiro o amor. Porque o amor ultrapassa os começos e os finais. 

O amor é uma forma de olharmos a vida. E faz tão bem que aquece a alma da gente e acaba fluindo em tudo que tocamos.

O amor não se resume a um relacionamento. O amor que temos reflete na forma como vemos alguém. Amamos o que o outro é capaz de fazer refletir em nós o amor que tem em si mesmo.

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Direitos autorais da imagem de capa: blanarum / 123RF Imagens

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