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Um amor em risco…

Eles dizem que se amam. Costumam dizer “eu te amo” um para o outro, e de fato as evidências mostram que isso é verdade, apesar dos desencontros, dos desacertos, das mágoas.

O amor é um sentimento difícil de explicar, pois muitas vezes mesmo se amando eles dizem ou se fazem coisas não condizentes com amar, como  magoar o outro, por exemplo, sendo, muitas vezes até consciente, porém, a necessidade de extravasar um descontentamento leva-os ao exagero de dizer coisas que não são compatíveis com os sentimentos de quem disse.


Ele foi impelido pelo calor do momento, pelo desentendimento onde não foi capaz de medir as palavras de controlar as atitudes pois,  tem essa  deficiência que é pessoal e nada tem a ver com a relação.

Muitas vezes ela é mais madura, consegue conter-se e as coisas ficam menos graves. Quando consegue calar, deixar a poeira baixar para ter uma conversa calma em hora adequada,  está tendo a atitude acertada, porém, há duas coisas neste contexto todo, ou ela é tão explosiva, quanto ele e tudo o que quer naquele momento é revidar as ofensas, ou mais cedo ou mais tarde vai se cansar de ser para sempre a mediadora daquela relação, onde apenas ela está disposta a consertar o que se parte cada vez que acontece uma briga.

Entre eles existem muitas coisas positivas, gostam de estar juntos, são verdadeiramente companheiros, solidários. São carinhosos e ternos em muitos momentos reciprocamente.

Conhecem e deixam prá lá algumas manias um do outro, algumas chatices, coisas que desaprovam, mas que não interferem na relação.


Assim sendo, eles têm motivos para se amar e se amam.

Porém, acontece de existir um ou mais pontos onde não há o consenso, ainda que um seja mais ponderado, não está e talvez não deva mesmo estar sempre disposto a compreender, sobretudo quando a questão incômoda já foi sinalizada um sem número de vezes, mas ele ignora, não entende, ou tem alguma dificuldade intrínseca de compreender que certas coisas a incomodam também intrinsecamente..


Eis aí um problema de difícil solução.

Já fizeram vários acordos, mas um deles, normalmente sempre o mesmo, cumpre o tal acordo até certo ponto, quebrando o novamente em algum momento, desencadeando novo desentendimento sério colocando mais uma vez uma relação de amor em risco.

E ainda que haja amor, nenhum amor resiste ao desgaste do desrespeito, das mágoas, das ofensas, mesmo estas sendo “mentiras”, ditas apenas para agredir.  E agridem como balas de borracha que não matam, mas ferem e podem ferir gravemente.

Ferida, a pessoa tem que se curar, sente dor, sofre e pensa se vale mesmo a pena levar adiante aquela relação que mantém, indiscutivelmente, coisas positivas, mas as poucas negativas são desmedidas causando muito mal estar e desgaste, desencadeando a infelicidade.

É a encruzilhada. Para que caminho seguir? Que estrada escolher? Esta sim é, literalmente, uma dúvida cruel. Deve-se escolher ir ou ficar?

Deve render-se ao afeto e relevar as agressões? Porém estas não podem ser ignoradas, pois se isso ocorresse entraria em ação a falta de amor-próprio, e aí não haveria relação possível.

Diríamos que um diálogo deveria ser proposto, mas temos que lembrar que os acordos são sempre descumpridos e que pelo menos um deles não tem habilidade para praticar a empatia, ou em alguns momentos até mesmo os dois não são hábeis em fazê-lo.

E que desperdício seria jogar tudo para o alto e abrir mão de uma relação que ainda tem tanta coisa boa a ser aproveitada a ser usufruída para o bem dos envolvidos.

A vida é muito cruel quando coloca dois amantes em uma encruzilhada, mostrando que cada um pode escolher seguir um caminho diferente, ou que podem escolher um mesmo caminho, mas em ambos haverá percalços, pedras, espinhos, dificuldades. O que fazer?

Seria tão bom se cada um dos envolvidos se encontrasse honestamente consigo mesmo e tentasse achar dentro de si uma contribuição despida de egoísmo e vestida de empatia, porém, há pessoas que não têm em si esse repertório devido a sua história de vida, à formação de seus valores, à profundidade que não conseguiu construir em si mesmo.

E o que fazer então para que tudo não se perca? Uma prece de mãos dados, pedindo a intervenção Divina para que encontrem o caminho e por ele possam seguir juntos?

Mas e se apenas um tiver a fé necessária, se o outro for descrente?

Ouvirá Deus, assim mesmo? E a prece daquele que crê, embora envolva o outro, será atendida?

Haverá para eles um final feliz?

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Direitos autorais da imagem de capa: klublub / 123RF Imagens





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