Reflexão

Um brinde às “mulheres que cuidam de mulheres” em uma sociedade tão violenta!

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capa Um brinde as mulheres que cuidam de mulheres em uma sociedade tao violenta

A união das mulheres é cada vez mais importante!

A violência sexual é, infelizmente, uma das realidades com as quais as mulheres precisam lidar, e desde cedo. Em nosso país, os números de abusos são alarmantes. Conforme levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil registrou um estupro a cada 10 minutos no ano passado. A pesquisa também apurou que mais de 100 mil meninas e mulheres adultas sofreram violência sexual entre março de 2020 e dezembro de 2021.

Além das notícias quase diárias sobre casos como esse, também sabemos de familiares, amigas e colegas de trabalho que já viveram uma situação como essa e carregam as marcas do abuso.

No começo desta semana, o país ficou sabendo do caso de Giovanni Quintella Bezerra, um médico anestesista de 31 anos que foi preso em flagrante na madrugada do último dia 11, no Rio de Janeiro.

Giovanni abusou de uma paciente enquanto ela estava dopada e fazia uma cesariana no Hospital da Mulher Heloneida Studart, em Vilar dos Teles, São João de Meriti, na Baixada Fluminense.

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Depois de sua prisão, outras mulheres denunciaram o médico, e ele agora é investigado por cinco possíveis estupros, além do que foi flagrado e o levou para a prisão, informou o G1.

A delegada responsável pelo caso, Bárbara Lomba, disse ao portal de notícias que as evidências apontam que o médico seja um criminoso em série, porque ele mostra “desenvoltura” ao praticar os abusos.

A atitude fundamental das mulheres da equipe

Os crimes do anestesista, que estão gerando indignação nas redes sociais, poderiam ter permanecido ocultos por mais tempo se não fosse a atitude de coragem, amor e empatia das funcionárias do hospital, que resolveram agir em uma situação em que muitos silenciariam.

A equipe feminina notou um comportamento estranho do anestesista, como a quantidade de sedativo aplicado nas grávidas. Temendo que as pacientes estivessem em risco num momento tão vulnerável, elas resolveram trocar a sala de parto da última grávida atendida por Giovanni para conseguir filmar as ações do médico, obtendo assim provas.

No dia anterior à sua prisão, o anestesista já havia participado de outras duas cirurgias, mas não era possível registrar suas ações sem que ele percebesse. Na terceira operação do dia, a equipe se empenhou e, de última hora, trocou a sala, onde foi possível confirmar os abusos praticados por Giovanni.

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O que podemos aprender com esse caso

A realidade obscura em nossa sociedade evidencia que o mundo real não tem nada a ver com os contos de fadas, onde podemos contar com os “príncipes” nos momentos de perigo. De fato, muitas vezes precisamos ser as próprias heroínas, pois o verdadeiro perigo mora naqueles que fingem ter boa intenção e nos oferecem ainda mais dor e trauma, ao invés de proteção.

O caso de Giovanni alcançou repercussão, especialmente nas redes sociais, onde muitas mulheres publicaram reflexões de indignação sobre a falta de segurança e proteção até mesmo dentro de um hospital.

Em uma sociedade tão violenta e insegura, nunca sabemos quem será a próxima vítima, e muitas vezes percebemos que “somos nós por nós mesmas”, aumentando a percepção a cada dia, sempre de olho em mulheres que possam estar precisando de socorro.

Graças a essa atitude diária de cooperação e empatia, muitos casos são retirados das estatísticas. As mulheres da equipe que o denunciaram, a amiga que protege ao perceber que algo está errado, a vizinha que recebe um bilhete e resolve agir e até mesmo a desconhecida que não se intimida ao ver uma cena de vulnerabilidade, todas essas mulheres são exemplos de coragem e sensibilidade, características que todos nós precisamos desenvolver para diminuir a violência em nossa sociedade.

Deixamos registrado aqui o nosso “muito obrigado” a todas as mulheres que cuidam de mulheres. Vocês fazem a diferença!