Um comportamento bom é aquele incapaz de ferir, em qualquer esfera, qualquer ser vivo que seja!

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“Uma coisa lançou profundas raízes em mim: a convicção de que a moral é o fundamento das coisas, e a verdade, a substância de qualquer moral. A verdade tornou-se meu único objetivo. Ganhou importância a cada dia. E também a minha definição dela se foi constantemente ampliando”. – Mahatma Gandhi



Sem nenhuma intenção de esgotar esse pensamento, que é de alta complexidade, vou dividi-lo em dois textos, para melhor entendimento. Com as poucas palavras de meu pequeno vocabulário, tentarei  trazer a ideia que me é transpassada.

Faz-se necessário, de início, trazer a palavra “fundamento” como “razão ou explicação plausível de algo”; dessa forma, por substituição literal das palavras, temos que “a moral é a razão e a explicação plausível das coisas”.

Em seguida, é importantíssimo tentar reproduzir um significado de moral, mesmo que seja, para mim, impossível esgotar a amplitude dessa palavra. Moral e ética, palavras que advém da latina e grega, respectivamente, mores e ethos, significam, em suma, cultura, hábitos, costumes, etc.

Por outro lado, precisamos entender que a moral trata-se de um conjunto de hábitos da alma, que se traduzem em comportamentos virtuosos. A moral seria, portanto, exclusivamente, a boa ação, aquela virtuosa.


Apesar de muitos estudiosos colocarem em cheque o significado de “bom”, trazendo-o como algo inerente à história, de forma que seria apenas uma construção cultural da sociedade, sabemos que isso não é verdade.

Um comportamento bom é aquele incapaz de ferir, em qualquer esfera (subjetiva ou objetiva), qualquer ser vivo que seja.

A primeira ideia de bondade é não fazer ao outro o que não gostaríamos que nos fizessem, ou seja, não agir com os outros de formas que nos machucam quando do mesmo modo agem conosco.

Temos uma ideia segunda, que se traduz em não agir com o outro de modo que possa feri-lo. Aqui a ideia não é mais reproduzir nossa dor nos outros, mas entender que existe um sentimento/ideia de dor, que mesmo que não se manifeste em nós de uma maneira específica, caso se manifeste no outro dessa maneira devemos reprimir nossa ação, já que causa dor no outro. Podemos, de formas gerais, traduzir isso como empatia.


Sem maiores delongas, porém sem qualquer pretensão de esgotar ou limitar o significado de moral, vou aqui provisoriamente defini-la como “cultura ou conjunto de hábitos imortais, pertencentes à alma, que reproduzem comportamentos virtuosos e bondosos”.

Prosseguindo, a moral seria, segundo o pensamento em questão, “a razão das coisas”. Mas o que são as coisas?

As coisas são absolutamente tudo o que existe. Pense em algo e isso será uma coisa: de pequenos átomos a grandes edifícios, tudo são coisas. Vou mais longe: existe um pequeno liame entre a materialidade e a subjetividade, chamado erudição, que também é uma coisa. Tudo, absolutamente tudo o que não for subjetividade será entendido como coisa.

Consequentemente, agrupando tudo o que concluímos, “a cultura imortal ou conjunto de hábitos imortais, pertencentes à alma, que reproduzem comportamentos virtuosos e bondosos é a razão e a explicação plausível de tudo o que existe de material, mesmo que sua materialidade seja refinada”.

Dessa forma, podemos inferir que todo o nosso mundo material, tudo o que nós vivemos, todas as nossas experiências, cada pequeno momento e cada minúscula manifestação, ocorre com a estrita e única finalidade do progresso da nossa cultura imortal, ou seja, da nossa moral.

Em razão disso, pessoas que não se dão conta de que nossa única finalidade nesse “simulador” é o progresso moral, manifestam constantemente a depressão. Essa depressão se torna maior quando nosso “eu superior” e inconsciente percebe que nos afastamos mais do progresso e emergimos cada vez mais no maya (filosofia hindu – ilusão da matéria), que na verdade não deveria ser nossa finalidade, mas um arrimo ao progresso moral, que é a real finalidade de nossa existência.

Continua…

Forte abraço e uma boa semana!

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Direitos autorais da imagem de capa: ababaka / 123RF Imagens

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