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Um homem de fé sempre verá o milagre em tudo!

Sobre milagres e não milagres.

“Existem apenas duas maneiras de viver: uma é como se nada fosse um milagre. A outra é considerar tudo um milagre.” – Albert Einstein, físico.



Parece um radicalismo muito grande colocar o mundo sob essas duas únicas perspectivas: ou nada que acontece embaixo do sol é um milagre, ou tudo o que acontece embaixo do sol é um milagre.

Contudo, a reflexão de Einstein é bastante precisa. Basta viver para conferir.

Eu já vivi bastante para apreciar os dois lados dessa proposição.


Sob o ponto de vista dos céticos, nada é um milagre. Um cético ou um distraído sempre terá justificativas baseadas em leis e probabilidades científicas ou matemáticas, para justificar acidentes que deveriam matar, mas não matam, doenças que deveriam progredir para o óbito, mas não progridem, circunstâncias dadivosas que não encontram sujeito na ação, mas encontram o objeto na recepção, de modo que não se sabe quem fez o impossível acontecer,
mas sabe-se que ele aconteceu e beneficiou uma vida que dele precisava.

Ainda assim, o cético dirá que não é milagre. Que é perfeitamente explicável. Que foi obra do acaso. Que o resultado é apenas produto da sorte.

Um religioso ou um homem de fé sempre terá justificativas baseadas na fé para reconhecer milagres em livramentos de acidentes que não deveriam matar, na cura de doenças que são perfeitamente tratáveis pela medicina, em circunstâncias cujo resultado final pode ser creditado ao talento, ao sucesso, ao trabalho, ao conhecimento humano, de modo que o milagre sempre é lembrado, antes do que o empenho da humanidade para produzir aquele resultado.

Um homem de fé sempre verá o milagre em tudo. E o maior dos milagres é que ele mesmo é um milagre: nesse mundo materialista de tanto fazer, o humanismo se coloca não como a grande coroa da criação, mas como o criador de todos os resultados positivos que beneficiam a humanidade.


Há um jeito melhor de viver do que o outro jeito? Eu não creio.

Creio apenas que cada pessoa escolhe as suas posições segundo a sua convicção interior, e se sente mais verdadeiro ao praticar a sua verdade.

Não é o conhecimento acadêmico que determina a postura cética, mas uma conformação a princípios filosóficos pré-estabelecidos durante a vida pregressa.

Contudo, isso não explica tudo. Há algo a mais no equipamento do milagre que os céticos não possuem.

Há uma visão além dos sentidos da visão, algo que os místicos denominam terceiro olho, e que os religiosos denominam experiência espiritual.

Se você pedir a um cego que substantifique o azul, ou o verde, ele não saberá substantificar a experiência da cor porque não a tem.

Da mesma forma, o cético não consegue substantificar o milagre por mais que tente fazê-lo.

Conheço pessoas que praticam o “nada é milagre” com extremo pesar. Elas até querem acreditar porque gostariam de substantificar a experiência do milagre que alguns lhes dizem possuir.

Contudo, não conseguem. Parece ser possível consegui-lo.

Em determinado momento, o terceiro olho se abre, e o que antes não via, começa a ver o milagre na flor que desabrocha, no sol que brilha todas as manhãs, na criança que nasce, no entendimento que eleva as coisas comuns da vida à categoria de milagres.

O oposto não parece acontecer. As pessoas que praticam o “tudo é milagre” nunca conseguem deixar de ver o que já viram.

O terceiro olho, a visão espiritual, é um equipamento que se apresenta, e que vem para ficar até o último suspiro.

Uma vez visto o milagre, algo dentro delas torna impossível não vê-lo e não praticá-lo mais.

Einstein é o modelo perfeito disso que estou dizendo: em dado momento de sua vida ele VIU O MARAVILHOSO, E RENDEU-SE AO MILAGRE, e após ter visto, formulou a teoria que deu origem a este texto, que não é destinado a explicar nada, mas a compreender a tudo e a todos, e aceita-los da forma como são.

 

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Direitos autorais da imagem de capa: bolina / 123RF Imagens

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