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Uma carta que talvez você nunca lerá…

Uma carta de alguém que tenta organizar seus pensamentos, diante de mais um encerramento de ciclo em sua vida…

Todos nós passamos por experiências que acabam por ser significativas e essenciais para o nosso crescimento emocional, e com os vínculos afetivos que criamos não seria diferente. Muitos passam por um processo de ressignificação lento e que, em meio a esse processo, a aceitação de que um sentimento tão raro e único acabou, é quase que inaceitável, porém, tudo nesta existência são instantes e ocorre de forma maleável.



Temos que compreender os motivos da intensidade, saber agir de forma madura, na empatia de que cada um é responsável por suas atitudes e não cabe a nós ditar o que o outro deve fazer ou como deve agir.

As pessoas são livres, e uma prova disso é como somos livres para “escolher” quem amar e como demonstrar tal sentimento. Amor não é sinônimo de posse, mas, mesmo sabendo disso tudo, não estamos ilesos de possuir frustrações perante nossas expectativas de relações.

Aqui trago uma carta, que em algum momento e em algum lugar, uma pessoa demonstra como tenta  organizar seus pensamentos, diante de mais um encerramento de ciclo em sua vida:

Pior que ter um amor em segredo e ter esse sentimento te consumindo internamente a cada instante, é você tentar demonstrar e proferir sobre o seu amor e não ver retorno significativo, nem sequer um sinal de importância por parte da pessoa que você tanto quer bem.


Em meio a um relacionamento conturbado, no qual não existia nem sequer nomenclatura ou algum aspecto de enquadramento de um relacionamento tradicional, sei que existiu sentimento, pelo menos da minha parte existiu (existe) MUITO sentimento.

Sentimento esse tão intenso, tão agregador, que durante o “pseudo relacionamento” acabava por amenizar as feridas que o ego insistia em fazer, por meio de atitudes imaturas e impulsivas. Não sei se essas reações de imaturidade e impulsividade devia-se ao medo internalizado em nós de tornar esse relacionamento de fato enquadrado aos convencionais e chamá-lo de namoro, ou era porque realmente era um relacionamento unilateral, no qual eu nutria afeto e apego enquanto do outro lado não havia nada além de um simples “eu curto ficar com você”, “é tão cômodo”, assim como no filme 500 dias com ela, porém no meu caso, não foram nem 120 dias, com você!

Questiono-me se às vezes fui eu que tive atitudes que deixaram a desejar, com minhas reações de mulher que quer tanto ser independente (talvez por não saber reconhecer que independência não é sinônimo de nunca precisar de alguém), de que não preciso ter nada sério com ninguém (e realmente não preciso, mas agora vejo o quanto é bom poder ter alguém ao meu lado que me agregue), que estava em uma fase confusa (e você sabe que era uma fase de pura inconstância para mim).


Diversas atitudes que talvez o deixaram confuso e inseguro em relação a uma possível responsabilidade de algo mais sério comigo, então, não o julgo, pelo contrário, tento com muito esforço, compreender o que se passa pela sua cabeça, que, confesso, que para mim é indecifrável.

Só sei que muitas coisas aconteceram de ambas as partes, que deduzo que o machucaram e que me machucaram também. Nessa altura do campeonato, eu deveria ter me afastado, ter pegado aversão da sua companhia ou até mesmo simplesmente ter o esquecido. Mas não consigo, ou não quero esquecer mesmo.

Sabia que em minhas sessões de terapia, você ainda é um assunto em pauta? Em que volta e meia o questionamento “o que você gosta nele?” surge, e é decepcionante e ao mesmo tempo frustrante eu nunca chegar em uma conclusão, até porque sabemos o quanto somos diferentes um do outro!

Tenho percebido que faço questão de falar de você o TEMPO TODO, minhas amigas devem estar exaustas de ouvir eu dizendo o seu nome em conversas sérias ou até banais. É como se a atitude de proferir o seu nome o fizesse mais e mais presente em minha vida, como se de certa forma eu incluísse você em atividades e atitudes minhas. Quando tenho uma conversa que não tem nada a ver com você, penso em alguma forma de citá-lo como exemplo ou, talvez, apenas dizer por dizer o seu nome, e isso me irrita porque consigo ver que isso não me agrega em nada, e você nem faz parte da minha vida mais!

Já se passaram 6 meses que eu não tenho mais nada com você, comparado a 4 meses que eu convivi contigo, em tese, 4 meses, porque mais brigávamos do que estávamos juntos, mas agora mais do que nunca eu sei o significado de intensidade, pois consigo perceber o quanto o tempo é só questão de perspectiva.

Quero tanto acreditar que é verdade, que sou exceção, que o destino está preparando algo maior entre nós, mas não consigo conter a ideia de que pode (e provavelmente) é coisa da minha cabeça, de que você só está vivendo (e eu fui apenas uma página do seu livro chamado vida) e está feliz, e isso deveria me bastar, mas não quero que baste.

Tenho consciência de que o que eu sinto por você é imenso e intenso, mas minha racionalidade fala para que eu siga a minha vida, para que eu me desligue dessa situação de dependência (emocional e afetiva), porém meus sentimentos gritam para que eu insista, para que eu não desista de mim, de você, da gente… porque no fundo eu sei que se eu desistir de você, eu não vou me importar mais, e eu sinto do fundo do meu coração que eu o faria tão bem, tão feliz… mas como sempre digo, não podemos nos responsabilizar pelas escolhas alheias, então, você deve saber o que está fazendo.

Tão triste cogitar a ideia de que esse sentimento tão puro que sinto pode (e vai) morrer, um sentimento que não vê maldade, que o quer tão bem. Vê-lo feliz e aproveitando a vida me empolga com as idealizações de que poderíamos tanto fazer isso juntos, NUNCA o privaria de viver. Pelo contrário, seria maravilhoso dividir minhas vivências, alegrias e tristezas ao seu lado… imagine só irmos para as festas juntos, nas férias iríamos visitar sua família, ver sua mãe (nunca lhe disse, mas me encanta ver a forma como você expressa seu amor e admiração por ela), seu pai, seu sobrinho que tanto tem você como inspiração… falando de sobrinho, mal sabe você que seu irmão super apoia a gente junto e feliz.

Já o vi beijando outras meninas, de mãos dadas com outra, abraçado com outra, mas eu não consigo ter raiva, isso só me deixa mais inconstante em relação ao que sinto por você. No último dia que me encontrei com você, eu senti que você demorou para dormir, assim como eu também, foi um sentimento inexplicável, como se o silêncio preenchesse todas as lacunas, porque, na verdade, não tinha o que ser dito, eu pelo menos só pensava em aproveitar aquele momento, o seu abraço, ouvir sua respiração… coisas bobas de pessoas que ficam bobas quando ainda gostam de alguém. Lembro de eu repetir incansavelmente em minha cabeça “não devo esperar nenhuma expectativa dessa situação”!

Mesmo passado tanto tempo, eu ainda vivo o sentimento, mas fique tranquilo, eu sinto que ele está se apaziguando… e TORÇO DO FUNDO DO MEU CORAÇÃO QUE VOCÊ SEJA MUITO FELIZ E QUE EU SUPERE POR COMPLETO TUDO ISSO E CONSIGA SER FELIZ TAMBÉM.

Até lá vou tentar parar de alimentar minhas esperanças, ser sensata (como sempre tentei ser) e seguir minha vida, na tentativa de afastar tudo que me lembre de você. Quero muito ser feliz com alguém, e já que esse alguém não pode ser você, acho bom, meus sentimentos se adaptarem logo à ideia!

Passos que devo seguir: Parar de falar tanto sobre você; ignorar sua existência, aqui se  inclui redes sociais (pelo menos por enquanto); não puxar assunto desnecessário, apenas os realmente necessários; quando o vir, ser educada, porém não querer chamar a sua atenção (assim como fiz em alguns momentos); ressignificar o que “vivemos” para que seja positivo; seguir em frente e guardar apenas carinho por você.

Até lá, lembre-se de que ainda te amo, mas isso não significa que quero voltar a ter o que tínhamos!


Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: karelnoppe / 123RF Imagens

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