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Uma conversa entre Cristo e Marx… Essa vai além!

Uma conversa entre Cristo e Marx… Essa vai além!


Meu pai morreu em Outubro de 1995. Na época eu tinha 20 anos de idade, estudava e morava na Inglaterra. Mas voltei por um mês para o Brasil porque meu pai adoeceu de repente – câncer no fígado.

Passou por uma cirurgia que só se confirmou que, além do câncer no fígado que já estava tomado, havia chances de uma progressão rápida de metástases, e que se espalharia por todos os outros órgãos…

Minhas irmãs e eu revezamos entre nós no hospital pra ficarmos com meu pai. Meus irmãos e minha mãe ficaram mais sensíveis ao verem-no naquele estado – amarelo, sofrendo, sem seu humor um tanto sarcástico que costumava dizer que quando alguém morrera: “Ah! Fulano foi pro Japão”.


Meu pai nunca foi uma pessoa de reclamar. Tudo pra ele estava bom, vendo ele gemer naquela cama, e sendo empática como sou, já podem imaginar a dor que sentira naquele momento…
Minhas irmãs tinham que ir embora, para suas respectivas cidades e casas. Acredito que ele só estava esperando esse momento para partir….

Ah! Não acredito em coincidências…

Minha mãe é evangélica, então ela mandava sempre um pastor para ir orar para meu pai. Naquela noite, estava somente meu pai e eu – havia chegado a hora de eu ir para casa, e lhe disse: “já vou meu pai.” Ele me respondeu: “fica mais um pouco minha filha.” Ele nunca me pedia nada, aliás, naquele momento me bateu até um frio na minha barriga com aquele pedido… Claro que não hesitei um minuto sequer em ficar mais. Em seguida, o pastor chegou, fez a oração. Todos o acompanhamos na oração. No final, meu pai disse “Amém”, deu seu último suspiro e “adormeceu”. Na verdade, não havia adormecido, mas falecido. Eu, na minha santa ignorância, não havia percebi no momento, mas minutos depois, as enfermeiras apareceram no quarto, e pediram pra eu sair…


Passado um tempo depois, o médico veio falar comigo sobre a situação do meu pai, que havia dado falência múltipla dos órgãos, e se podiam desligar os aparelhos, pois não havia mais nada a fazer…

Não sei nem como explicar, mas naquele momento me senti como se estivesse num sonho, não acreditava em nada do que estava acontecendo… Concluindo, dei o “ok” para que os médicos prosseguissem com o que fosse ético a ser feito. Foi o momento mais chocante da minha vida. Não digo o pior, porque não encaro a morte como dolorosa ou ruim.

Sinto muita falta do meu pai, pois ele era meu parceiro. Hoje sei que me escolheu pra tomar conta dos pormenores da sua passagem. E sei, não porque soube que sou a predileta ou algo parecido, nada disso, há muitas razões que residem entre o céu e a Terra que nós pobres mortais nem imaginamos…. Agora imagina se soubéssemos?

Por que estou contando tudo isso?

Porque espero que de uma certa forma toque no coração das pessoas que ficam se digladiando nas redes sociais por conta de partidos, fulanos, ciclanos, petralhas, coxinhas, e por aí vai… ACORDEM PRA VIDA! Enquanto vocês brigam, eles lá de cima também sofrem, mas há uma lei que é a maior que todas – a lei da ação e reação, a lei do retorno. É assim que funciona o sistema. E afinal de contas, todos nós um dia vamos, faz parte… E triste, dói, mas faz parte do processo da vida – nascer, crescer e morrer, pelo menos pra esta vida, não é mesmo?

O que me impressiona é em que ponto que chegamos com essa polarização desenfreada de Coxinhas X Petralhas que pra mim não passa de Idiotas X Tontos, onde vejo de forma metafórica, mas juro q vejo, Cristo e Marx sentados lá de cima e só observando de camarote os cegos, os surdos e aqueles que além de cegos e surdos também sofrem de úlcera no estômago, por não cessarem de pensar com o estômago ao invés de pararem, respirarem, analisarem e colocarem os neurônios pra funcionar e perceberem seu entorno.
ACORDA INDIVÍDUO! VOCÊ NÃO É PARTIDO! VOCÊ NÃO É COLETIVO! VOCÊ PODE ATÉ FAZER PARTE, MAS NÃO É!

Há uma expressão em inglês que gosto muito, vou adicioná-la a expressão:
“IT’S HIGH TIME U WAKE UP. BEFORE BEING PART OF SOMETHING, YOU ARE SOMEBODY. REMEMBER THAT AND THINK OVER IT.”

Menos estômago, mais cérebro. PLEASE!

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