Reflexão

Uma das maiores dores da vida: a perda de um filho

Capa Uma das maiores dores da vida a perda de um filho

Há quem diga que não há nada mais triste para um pai do que enterrar o próprio filho, ver aquela que um dia foi sua amada criança deixar este plano antes de você.

Lidar com o falecimento de uma pessoa querida nunca é uma tarefa fácil. Não importa se já passamos por isso várias vezes, sempre que ouvimos a notícia de que alguém se foi, nossa primeira reação é o choque; por mais natural que a morte seja, vê-la tirar alguém do nosso convívio é algo com o que não conseguimos nos acostumar.

Toda morte carrega consigo uma confusão, mas podemos crer que esse sentimento é potencializado quando pais e mães perdem os seus amados. Há quem diga ser algo tão atroz, que é indescritível, não existe uma nomenclatura para quem passa por esse trauma. Ao perdermos nossos pais, somos órfãos, quando perdemos um parceiro, somos viúvos, mas quando quem parte é um filho, um pedaço do coração dos pais é enterrado também, e não há uma palavra capaz de definir tamanha desgraça.

Simplesmente não é esperado que os pais durem mais que seus filhos. O ciclo da vida nos avisa que aqueles que se dedicaram a educar e amar os seus partirão primeiro deste plano, deixando para trás muita saudade e o legado de tudo que viveram. Logo, quando um filho é quem parte, pai e mãe são deixados para trás, muitas vezes se perguntando se havia algo que poderiam ter feito para evitar o trágico destino de quem um dia foi seu pequeno raio de sol, a razão dos seus sorrisos.

Cada pai, cada mãe que já perdeu um filho conhece uma dor ignorada pelos demais, a qual não desejariam nem mesmo ao pior inimigo. É sentir que quando o batimento cardíaco parou e a vida deixou o corpo de seu rebento, parte de si também foi com ele. É como se seu coração se recusasse a continuar pulsando, pois o motivo de sua vontade de viver já não estava mais ali.

E o mais doloroso talvez seja perceber que, por mais excruciante que seja essa dor, o coração bate, o corpo funciona, os dias passam. A continuidade da vida é dolorosa e parece um ataque a quem sofre: como o mundo pode seguir seu curso depois da morte de seu filho? Por que mudam as estações, se ele não está mais aqui para ver tudo?

É difícil saber como, mas a vida segue! E nos primeiros momentos, isso também será fruto de dor para o pai e a mãe que ficaram para trás. Será um vazio constante no peito, que não diminui, mas com o qual aprenderão a lidar. É sobre olhar para tudo à sua volta e sentir que seu filho não poderá viver aqui, havia tanto da vida que ele ainda sonhava em fazer, mas sua jornada infelizmente foi encurtada. É por isso que alguns pais enlutados se jogam de cabeça nos interesses de seus filhos falecidos; além de uma forma de se conectar com quem já partiu, passa para o seu espírito tudo o que não conseguiu viver aqui.

Perder um filho é uma dor que abre o peito e transforma em realidade o maior medo de todos os pais: não conseguir proteger os seus de todo o mal. E independentemente da idade do filho que se foi, a dor sempre será intensa. Perdê-los na infância sempre é algo intenso, que suscita condolências de todos, mas a morte de um filho adulto continua sendo um impacto para os pais. Pois estes sempre o verão como sua amada criança, e não poder vê-la ganhar o mundo é doloroso demais. No momento de alçar voo, a vida lhe cortou as asas.

Para pais que perderam filhos, não existe nem nomenclatura própria, assim como para a dor excruciante, que lhes arrebata a alma.

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