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Uma história de amor, desamor e amor, de novo!

(…)



Ainda sinto você aqui, me olhando. Ao mesmo tempo, vejo você me dizendo tantas coisas, brigando comigo e aquele olhar me desconcertando por inteiro. Não sei por que você não está mais aqui, por que não quer mais dividir as suas conquistas comigo. Eu gostava de ser lembrada por você, as minhas amigas tinham todo direito do mundo de me esquecerem, mas você, não.

Meu coração vibrava de felicidade quando meu telefone tocava, eu enlouquecia pra encontrá-lo na minha bolsa, porque eu sabia que era você. Já estava acostumada, tinha convicção que não ia me surpreender com as ligações da minha operadora e suas promoções baratas.

– Oi amor, tudo bem contigo?

– Tudo sim, tava precisando falar contigo mesmo.


– Amanheci o dia doente hoje!

Já ficava preocupada, sem nem saber o que era. E não via a hora dele me dizer que tava tudo bem, que era bobagem. Sabia o quanto que era fácil ficar doente e o tanto de dias que ficava de cama, sem poder me vê. Sentia-me egoísta, por querer que ele fosse me vê ainda com a saúde assim.


– Nossa, amor! E o que foi? Não me diga que tomou banho de chuva outra vez…

– Não, não. Febre, frio e dor de cabeça.

– Já falei pra você se cuidar mais, e o que foi agora?

– Só saudade de você!

Mesmo que não fizesse nada demais, ele conseguia me agradar. Sabia que essas pequenas atitudes me ajudavam a chegar a minha casa com um sorriso no rosto, aquela paz no coração, embora o dia tivesse sido um dos mais corridos naquele escritório.

Quase todos os dias em que eu estava com ele eram assim. Embora, acontecessem algumas briguinhas, como todos os outros casais normais. Tínhamos algumas coisas incomuns. Um brigava por amor, o outro silenciava por amor. Eu pensava que não tínhamos que discutir, nos amávamos e brigar pra quê?

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Os nossos caminhos estavam distanciando cada vez mais o nosso futuro. As nossas escolhas estavam nos deixando distantes um do outro, quando optava por sair mais cedo do trabalho para poder vê-lo, sempre tinha uma reunião, iria sair um pouco mais tarde. Até que foram ficando freqüentes todos esses nossos desencontros. Embora, a atenção fosse à mesma, podia sentir que algo estranho estava acontecendo. Tudo aquilo que era tão maravilhoso de sentir, estava se perdendo aos poucos, às vezes, pensava que estava me equivocando, que optar por algumas mudanças, não significava fragilidade alguma. Estava firme nas minhas decisões, estava certa do que queria exatamente naquele momento da minha vida, que parecia ser o mais feliz. Já não sentia a felicidade transbordando o meu peito, percebia que a angústia estava fazendo uma bagunça.

Durante muito tempo pude sentir de verdade a emoção de poder ter alguém do meu lado numa noite chuvosa, tive a quem pedir ajuda quando minha conta bancária não respirava, tive quem me acolhesse quando meus problemas pareciam os mais sérios, tive em muitas ocasiões um ombro amigo, tive uma segunda família, tive quem cuidasse de mim, sentisse que eu não estava bem só de me olhar, meu coração estava se despedindo da melhor festa de emoções, mas ainda não sabia. Como tentar entender que aquele sentimento mágico que me tirava do sério, estava se esvairando por aí a fora.

Na pior das hipóteses, não imaginava perder tudo aquilo pra ninguém. Acreditava que era apenas uma fase ruim e que logo iria passar, assim que conversássemos, ainda que tudo terminasse mudo. Certamente, eu teria a idéia de que era por amor novamente, porém, com a dúvida rondando.

DEPOIS

Depois de alguns dias nos encontramos e parecia que você não estava mais ali comigo, te sentia distante mesmo estando tão perto de mim.  Havia recebido alguns carinhos, mas nada comparado aos velhos tempos. E eu me sufocando de saudade dos teus beijos, saudade de você cada vez mais. Fui vê-lo pra conversarmos, contudo já não tínhamos mais assunto, a intimidade se perdeu. Vi meu mundo desmoronar exatamente ali, vi toda minha vida mágica ao lado dele, de-sa-pa-re-cer. Eu precisava de um tempo só pra mim, colocar as ideias no lugar, guardar outras que já não iriam me servir e muito menos me deixar feliz. Precisava me recompor por dentro e aceitar o sentido da palavra ACABOU naqueles instantes que não tinham fim.

Quando abri a porta de casa, comecei a chorar, me vi completamente sozinha mesmo cercada de pessoas que eu poderia contar naquele momento, mas não desejei a companhia, o consolo de ninguém, era um momento meu. A única pessoa que poderia me deixar bem, calar todas as interrogações que meu coração gritava, já não fazia mais questão de estar presente ali. Isso me doía muito. Quanto mais doía, mas queria saber como tudo poderia ter mudado assim, como que uma história poderia desmoronar tão fácil, ceder aos obstáculos e não acreditar, além disso, no amor que poderia reerguer tudo outra vez.

Fiquei sofrendo, quem me via não imaginava como eu estava por dentro, se alguém pudesse enxergar toda a dor que corroia meu coração, certamente, choraria comigo, sofreria junto. Mas, todos os dias eu acordava, olhava pro espelho, e me via tão cheia de vida, e pensava porque não chutar a bola pra frente, paixões vem e vão. Amores verdadeiros permanecem, e era exatamente o que eu sentia por mim.

DE NOVO

Demorou pra passar, pra me sentir livre. Até que aprendi a vencer a saudade dos acontecimentos bons, com algo mais parecido com a presença de tudo que havia me deixado. Passei a sonhar, a desejar dias melhores pra mim. Desafiei a mim mesma, gostava de testar os meus limites e vê até onde eu poderia chegar. Descobri que as necessidades destroem ilusões, mas constroem o que está por vir. Aprendi a ter respeito pela vida antes de ter por qualquer pessoa. Desde então, todo aquele vazio que ele deixou passou a ser preenchido por um amor próprio que fala por mim.

“As atitudes falam mais que palavras, te confessam.”

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Por: Rafaelle Thaynar

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Texto escrito com exclusividade para o site O Segredo. É proibida a divulgação deste material em páginas comerciais, seja em forma de texto, vídeo ou imagem, mesmo com os devidos créditos.




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