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Use a raiva como estratégia na sua vida!

Raiva é uma emoção humana natural e universal, que faz parte de nós desde que nascemos. Esse sentimento nem sempre é aparente, mas ele existe em todos nós.

Todos nós nascemos com o potencial para sentir e expressar raiva, porém o que nos causa ou desencadeia esse sentimento difere em cada um. Portanto, se você acredita que não tem raiva, mude essa crença e invista apenas em não a ativar da forma errada.


Quando sentimos raiva, nosso cérebro se excita e, para nos preparar para lutar, aumenta a quantidade de hormônios do stress como epinefrina, norepinefrina, prolactina, testosterona e os lança na corrente sanguínea. Isto enfraquece o sistema imunológico, em especial as células responsáveis pelo combate às infecções do corpo. Os músculos se contraem, as veias se estreitam e o coração precisa trabalhar mais para fazer o sangue circular, aumentando o batimento cardíaco, a pressão arterial e a acidez do estômago.

Calma! Não vou dar aula de ciências aqui! Mas você precisa saber o estrago que a raiva faz no nosso organismo, quando mal canalizada. Ela, quando distorcida, mal dimensionada ou mal canalizada, de fato mata ou, pelo menos, aumenta significativamente os riscos de ter algum problema sério de saúde, onde se inclui desde uma simples crise alérgica, uma grave úlcera digestiva, até um fulminante ataque cardíaco.

A raiva distorcida amplia a ansiedade, que puxa a depressão, que traz o processo de somatização, enfim, os elos dessa cadeia só aumentam pelo lado destrutivo.

Se, nós acreditamos que os outros é que causam raiva na gente, precisamos mudar tal crença de forma rápida. É muito importante saber que ninguém provoca raiva em nós. Nós somos os únicos responsáveis por ativá-la. Ela é criada por nós e resulta da forma como encaramos o mundo e da forma como respondemos aos acontecimentos e ao meio.


Ataques de raiva e de mau humor produzem danos sérios às células do cérebro, envenenam o sangue, causam insônia, depressão e pânico; suprimem a secreção dos sucos gástricos e da bílis nos canais digestivos, criando gastrites e úlceras, esgotam a energia e vitalidade, causam problemas cardíacos, provocam velhice prematura e encurtam a vida. Num estado de raiva, o corpo libera quarenta vezes mais cortisol que o normal. Quem vive com altos níveis de cortisol tem cinco vezes mais chances de morrer precocemente.


A raiva quando bem canalizada nos faz partir para a ação, ou seja, passamos a FAZER o que precisa realmente ser feito.

Veja esta história: em um antigo mosteiro budista, um jovem monge questiona o mestre…

-Mestre, como faço para não me aborrecer? Algumas pessoas falam demais, outras são ignorantes. Algumas são indiferentes. Sinto ódio das que são mentirosas. Sofro com as que caluniam.


– Pois viva como as flores! – advertiu o mestre.

– Como é viver como as flores? – perguntou o discípulo.

– Repare nas flores – continuou o mestre, apontando os lírios que cresciam no jardim. Elas nascem no esterco, entretanto, são puras e perfumadas. Elas extraem do adubo malcheiroso tudo que lhes é útil e saudável. Mas não permitem que o azedume da terra manche o frescor de suas pétalas. É justo angustiar-se com as próprias culpas, mas não é sábio permitir que os vícios dos outros o importunem. Os defeitos deles são deles e não seus. Se não são seus, não há razão para aborrecimento.

Exercite, pois, a virtude de rejeitar todo mal que vem de fora. Isso é viver como as flores.

Todas as vulnerabilidades emocionais que nos levam ao stress podem ser amenizadas e transformadas através de mudança de crenças, valores e hábitos, além de muita persistência e vigília, para não recair em comportamento depois de passado algum tempo. Pensamentos positivos, lembranças felizes, tudo aquilo que gere bem-estar momentâneo, pode ser utilizado para amenizar situações de frustração, tristeza, ou algum tipo de desconforto.

Desta forma, concluímos que, se conhecemos o que nos desencadeia raiva e geramos estratégias para esse enfrentamento, podemos administrar a intensidade dessa emoção e usar o sentimento a nosso favor. Alteramos nosso comportamento a partir do autoconhecimento, na mudança do modo de pensar, de perceber o mundo e de avaliar o acontecimento. Se há algo em nossas vidas que queremos evitar, precisamos parar de pensar no assunto, pois esse pensamento vem “carregado” de todas as emoções que estavam presentes no momento em que aconteceu. Se retirarmos essa energia, ela não será alimentada, ficará desnutrida e, consequentemente, desaparecerá.


Vamos fazer um exercício de autoconhecimento importante. Pergunte-se: o que desencadeia a sua raiva com mais frequência? Liste todas as possibilidades que vierem à sua mente.

Reserve a lista e procure se lembrar desde sua infância quais os fatores que mais desencadearam raiva em você ao longo do seu crescimento, do seu amadurecimento. Perceba as mudanças. Avalie se foram para melhor ou para pior.

Procure “medir” se o seu comportamento já foi mais raivoso antes ou se hoje o desequilíbrio é maior. Se você chegar à conclusão de que hoje a raiva é ativada com mais facilidade do que antes, ou intensidade maior do que antes, há uma tendência para ficar desanimado. Esta reflexão não pode trazer culpas, pois elas não auxiliarão em nada no seu momento atual. Também não pode trazer desânimo ou sensação de impotência.

O exercício serve para mergulharmos mais um pouco na profundeza de nosso ser. Se, ao aprofundarmos acharmos muita “sujeira”, não dá para desanimar. Nesse ponto é que precisamos de muita paixão. É um desafio, que pode tornar-se cada vez maior e que precisamos ficar bem motivados e entusiasmados com a possibilidade de crescimento, amadurecimento e da perspectiva de maior equilíbrio frente aos desafios que ainda estão por vir na nossa vida.


Com a lista de tudo o que desencadeia sua raiva com mais frequência, bem como, com a conclusão de que você lida melhor com isso hoje ou não, siga em frente.

Sente em local tranquilo para completar o exercício. Feche os olhos, respire profundamente e traga lembranças de momentos muito bons em sua vida, momentos de coragem, de sucesso, de alegria. Perceba seu corpo e sua reação, à medida que as cenas se intensificam.

Procure mudar seu ângulo de visão. Perceba como é bom estar sob o efeito da “boa química cerebral”. Encare a raiva apenas como uma mobilização para tomar atitudes em sua vida. Visualize a raiva como um ponto pequeno, necessário, porém insignificante frente à sensação de tranquilidade e de equilíbrio. É como se considerássemos a raiva como uma criança que faz birra para chamar atenção. Se a ignorarmos nesse momento, nós nos distrairmos e se reforçarmos seu lado positivo, com certeza, conseguiremos lidar com ela de forma eficaz.


Vamos pensar sobre algumas alternativas para lidar melhor com a raiva:

  • Procure conviver o mínimo possível com fatores que sabe que desencadeiam sua raiva.
  • Analise sua rotina diária percebendo se há tempo para entrar em contato com a leveza da vida. Descubra rotinas que possam ser mudadas para que a plasticidade cerebral seja colocada em prática.
  • Ache sempre formas de entrar em contato com seu lado alegre, com o riso, com as gargalhadas, o bom humor.
  • Faça exercícios de relaxamento, de alongamento e de meditação.
  • Pense sempre em suas superações e nos êxitos que teve ao longo da vida.
  • Procure, em algum momento do dia, concentrar-se em contrair e relaxar cada músculo do corpo.
  • Preste atenção em você, aliás, muita atenção!
  • Cultive os antídotos da raiva: paciência e tolerância.

Agora vamos trabalhar a raiva como aliada estratégica!

Grande abraço!
Isabel


Direitos autorais da imagem de capa: Daria Shevtsova from Pexels





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