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Use as emoções negativas a seu favor: raiva

Nos artigos anteriores, falamos sobre o que são e como lidar melhor com a ansiedade e a frustração.



Agora eu quero falar com você sobre uma emoção que, às vezes, pode nos tirar completamente do controle e causar um grande estrago em nossa vida: a raiva.

Mas antes de falar sobre ela, você já parou para pensar o que são exatamente as emoções?

Elas não apenas dão mais cor à nossa vida, mas as emoções são pacotes de informações que nos sinalizam algo muito importante e por isso é crucial saber identificar e analisar todas elas, para tirar o melhor proveito de cada uma e tomar as melhores decisões. Esses pacotes de informações são, na verdade, o conhecimento acumulado não apenas das suas experiências passadas, mas também o conhecimento gerado pela evolução da espécie humana. Sendo conscientes ou inconscientes, as emoções são recheadas com milhões de informações que, quando bem utilizadas, nos permitem responder de forma mais adequada aos desafios da vida.


O que devemos evitar são os extremos das emoções que, como tudo, quando em desequilíbrio, pode causar um grande impacto negativo.

Por exemplo, um medo que vira fobia, uma ansiedade constante que se transforma em uma ansiedade crônica ou uma tristeza que se transforma em depressão. Mas, como fazer isso? Como se prevenir contra esses extremos?

O segredo está na sabedoria que, como vimos no artigo anterior, podemos definir como o equilíbrio entre a sua mente racional e a sua mente emocional. Bem, acredito que não preciso convencer você sobre a importância da nossa mente racional. Nossa cultura ocidental preza muito por ela, precisamos ser “racionais”, deixar as emoções de lado, se queremos ter sucesso na vida. Certo? Errado.

Errado, porque a nossa mente emocional trabalha de mãos dadas com a nossa mente racional. Ter consciência das suas emoções e do que está por trás delas lhe permite avaliar as situações de maneira mais completa: que carreira você vai seguir, se fica ou sai de um emprego que lhe dá estabilidade para ser mais feliz, quem namorar ou casar, onde viver, se deve arriscar um novo negócio, são todas decisões que não podem ser tomadas apenas com a razão, mas exigem intuição e sabedoria emocional.


Emoções x razão

Mas aqui, novamente, o segredo está na sabedoria: neste equilíbrio entre o seu racional e o seu emocional para que você tire o melhor de cada situação. Assim, também é importante racionalizar para não permitir que as emoções apenas governem a sua vida. Enquanto as emoções são uma resposta rápida do seu organismo, com base em tudo o que você já viveu, a razão permite uma análise detalhada, mas lenta, com uma profundidade necessária para avaliar minuciosamente cada situação. Por isso, usar ambas a seu favor é fundamental.

Mas e a raiva, então? Qual é o seu papel? Qual é a mensagem por trás dessa emoção?

A raiva é um sentimento de impotência, uma tentativa de controlar algo ou de que a situação fosse diferente e, neste sentido, é muito similar à frustração. A raiva, em geral, é disparada por uma sensação, muitas vezes, inconsciente de perigo, não apenas vindo de uma ameaça real, mas de forma mais comum, por uma potencial ameaça à nossa autoestima ou dignidade. Também é uma das emoções mais sedutoras e mais difíceis de controlar, pois ela nos inunda com argumentos muito convincentes para justificar esse sentimento.

No entanto, essa mesma força que cresce dentro de nós é responsável por nos impulsionar a agir para superar as dificuldades e o que está nos fazendo mal. E nesse sentido dá para canalizar a raiva de forma positiva. A princípio, essa ideia pode parecer estranha, mas na verdade você já viu isto acontecer milhares de vezes: uma pessoa indignada com a situação social com raiva da injustiça acaba virando uma liderança superatuante, uma pessoa demitida decide virar o próprio chefe, abrindo um negócio de sucesso; uma criança que teve uma infância difícil acaba se tornando um pai ou uma mãe incrível; uma pessoa que sofre com uma doença grave acaba superando e saindo dela ainda mais fortalecida.

O que move essas pessoas, a princípio, é a raiva, é um “não aceitar” a situação. Isso é a raiva sendo canalizada de forma positiva. Claro, essas pessoas tinham a escolha de usar a raiva para se fechar, fazer mal a si mesmas ou às outras pessoas ao seu redor, mas elas optaram (talvez até de forma inconsciente) por usá-la a seu favor, por isso saíram vencedoras.

Então, qual é a melhor forma de lidar com a raiva? Quanto mais ruminamos sobre o que nos deixou com raiva, mais justificável nos parece essa emoção. Assim, quanto mais no início do processo você tomar uma atitude, mais efetivo será o resultado.

E qual atitude seria esta? Parar de ruminar os motivos da raiva, contestar e reavaliar a situação sob outra perspectiva é o antídoto mais poderoso para aplacar este sentimento e reduzir seu poder de ação sobre nós.

E dar vazão à raiva pode ser uma boa solução?

De jeito nenhum! As explosões de raiva estimulam ainda mais o nosso cérebro, podendo gerar até um sequestro emocional, ou seja, aquele momento quando perdemos totalmente o controle de nossas ações. Muito mais efetivo é primeiro esfriar e depois, de forma construtiva, enfrentar a situação para resolver o problema. Assim, não é para eliminar a raiva, muito menos negá-la, mas agir quando você tiver equilibrado para responder de maneira apropriada à situação que você enfrenta.

Agora, para ajudar você ainda mais, vamos a algumas dicas práticas para lidar com a raiva no seu dia a dia:

Primeiro, não defina nada enquanto estiver irritado para não responder à situação com uma intensidade desproporcional ao que ela pede. Para conseguir se acalmar rapidamente, você pode utilizar diversas técnicas informais, como a da respiração, dos 3 passos, do perdão ou a da compaixão, todas disponíveis gratuitamente no meu perfil, no aplicativo Insight Timer.

Com a prática regular, você vai conseguir ampliar o espaço entre o estímulo e a resposta em que, nas palavras de Jon Kabat-Zinn, é o lugar onde reside nossa liberdade. Ou seja, você ainda vai sentir raiva, mas vai perceber que existe um espaço de tempo onde você pode escolher entre simplesmente reagir mecanicamente ou responder de forma consciente.

Outra possibilidade é você simplesmente se afastar da outra pessoa ou da situação que lhe causou raiva, distrair-se, tirando a atenção do foco que gerou este sentimento. Nesse sentido, a atividade física ajuda por liberar hormônios importantes, como a endorfina, que nos relaxa e dá aquela sensação de bem-estar, assim, fazer uma caminhada, por exemplo, é uma boa solução. Outras distrações como a TV, leitura, cinema, também ajudam nessa distração inicial para que você, depois de esfriar a cabeça, possa pensar e agir com clareza de pensamentos.

Em seguida conteste e reavalie a situação como um observador externo sem se envolver emocionalmente com os fatos.

Procure analisar a situação como alguém de fora, observando tanto o seu ponto de vista como o da outra pessoa envolvida de forma racional, sem ceder à autopiedade ou ao ataque.

Bem, como vimos, as emoções são essenciais, o que precisamos é estar atentos em relação às nossas atitudes ou reações que surgem a partir delas. Você pode, sim, escolher apenas reagir automaticamente ou responder de forma consciente. Quanto mais você praticar no seu dia a dia técnicas de observação e gestão das emoções, melhor será o seu autocontrole e a sua maturidade emocional.

Não se esqueça de que há sempre opções para reagir a uma emoção, e quanto mais meios você tiver para lidar com as emoções (como adquirir novos conhecimentos, ampliar seu autoconhecimento, realizar práticas meditativas regularmente), mais rica e mais significativa vai ser a sua vida.

Espero, sinceramente, que eu tenha ajudado você a ter alguns insights e reflexões importantes.

No próximo artigo, falaremos sobre a dor, por que ela é tão necessária e como podemos evitar o sofrimento. Até lá!

 

Direitos autorais da imagem de capa: wall.alphacoders.

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Texto escrito com exclusividade para o site O Segredo. É proibida a divulgação deste material em páginas comerciais, seja em forma de texto, vídeo ou imagem, mesmo com os devidos créditos.




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