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Vaidosa e mãe dedicada: Quem era a jovem de 23 anos morta pela irmã PM

Foto: Reprodução
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Naná: era assim que amigos e familiares chamavam carinhosamente Rhayna Oliveira de Mello, 23, morta no último sábado (2) pela irmã PM Rhaillayne Oliveira de Mello, 30, em São Gonçalo (RJ).

Mãe de um filho de quatro anos, a jovem costumava compartilhar nas redes sociais a rotina com o filho, com as amigas e com as duas irmãs.

Rhaillayne está presa preventivamente no Batalhão Especial Prisional da Polícia Militar. Ela confessou que atirou no peito da irmã, mas disse não se lembrar de briga física —conforme relatado por testemunhas. “Minha família está destruída”, afirmou em seu perfil no Twitter a outra irmã de Rhayna que está grávida e tem 24 anos.

Em outra publicação, ela reagiu a comentários sobre as duas irmãs. “Eu vejo as coisas que as pessoas comentam das minhas irmãs que não são verdades e meu coração acelera, parece que vou morrer”, relatou. Essa irmã foi uma das pessoas com quem Rhaillayne brigou na madrugada que terminou com a morte de Rhayna.

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Direitos Autorais: Reprodução/Arquivo Pessoal

Filho era xodó de jovem assassinada

A postagem fixada no perfil de Rhayna é uma foto de seu filho.

Cuidadosa com a criança, Rhayna gostava de deixar o cabelo do menino bem cortado, comprar roupas novas para ele —às vezes, deixava de fazer as unhas para atender as vontades do filho— e fazer bonitas festas de aniversário. Para este ano, comprou todo o material escolar do menino com desenhos de dinossauros.

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Direitos Autorais: Reprodução/Twitter

No ano passado, Rhayna comemorou que o menino foi convidado por uma agência de modelos mirins. Na adolescência, ela publicou que ser modelo era o sonho dela. Atualmente, estava solteira e trabalhava como comerciante.

Após a morte de Rhayna, o pai do menino publicou algumas mensagens em seu perfil. Ontem, no dia seguinte ao enterro de Rhayna, foi aniversário do rapaz. “Sem clima nenhum para aniversário. Só agradecer a Deus por me conceder mais um ano de vida e proteção para mim e principalmente para o meu filho, que vai precisar muito.”

Em outra publicação, ele afirmou que nunca imaginou passar por uma situação dessas. “Ele [o filho] está na rua brincando e eu aqui, acabado. Ele entra e tenho que fingir que nada está acontecendo, estou escondendo tudo para ele não perceber”, relatou, recebendo inúmeras mensagens de apoio.

Amor entre irmãs rendeu tatuagem

Em seu perfil nas redes sociais, Rhayna demonstrava estar ansiosa pela chegada do mais novo sobrinho, que ainda não sabia se seria menino ou menina. Pelas mensagens e fotos, ela parecia ser mais próxima da irmã de 24 anos.

As duas, inclusive, fizeram uma tatuagem juntas — uma lua, no braço esquerdo de Rhayna, e um sol no braço direito da irmã. “Foi eternizado”, a irmã publicou no dia em que marcaram a pele.

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Direitos Autorais: Reprodução/Twitter

Vídeos e fotografias das duas juntas também eram publicados com frequência, juntamente com outras amigas. Após o assassinato de Rhayna, as mesmas amigas publicaram mensagens.

“Eu agradeço a Deus por ter tido você em minha vida, estou honrada por isso e por ter sido tão considerada por você! Eu te amo, descanse em paz. Vou orar por você”. Mensagem de amiga para Rhayna

Rhayna gostava de cuidar da aparência. Vaidosa, ela fazia publicações constantes sobre cuidados com a beleza, como colocar cílios postiços e fazer as unhas. Em todas as fotos que publicava de si, a comerciante falava: “linda”, “estou muito linda”, “sempre uma princesa”, “autoestima lá em cima hoje”.

De acordo com amigas, ela também não gostava que confundissem seu nome com Rayana. Por outro lado, gostava de festas, especialmente bailes funk, de dançar e sair com as amigas. Além da tatuagem com a irmã, ela tinha tatuadas flores e as frases “Stay Wild” (na tradução do inglês, permaneça selvagem) e “Você nasceu e eu renasci” —uma referência ao filho.

Religiosa, Rhayna se dizia espírita e saudava orixás como Xangô, Oxalá e Exu. Em uma das publicações, falava da experiência em um terreiro: “Energia fora do comum”.

Em seu perfil, Rhayna mencionava pouco Rhaillayne — a quem a família chama de Nany —, mas, com mais frequência, fazia postagens falando do amor pelo sobrinho, filho da PM.

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Direitos Autorais: Reprodução/Facebook

Últimas horas antes do crime foram marcadas por briga na família

De acordo com depoimentos de Rhaillayne, seu marido — que também é policial militar — e testemunhas do crime, a PM estava bebendo havia aproximadamente 12 horas no momento em que disparou contra Rhayna.

Relatos indicam que ela discutiu com ao menos quatro pessoas, além da irmã: sua mãe, um motorista de Uber, o dono de um bar e a irmã grávida. Em seu depoimento, ela diz não lembrar de vários momentos da noite.

O marido de Rhaillayne disse à polícia que nunca havia presenciado brigas físicas na família da PM, apenas discussões entre as irmãs.

Após discutir com mãe e a irmã em um carro da Uber —Rhayna não estava no veículo—, a PM teria arranhado a irmã grávida e ido para casa buscar sua arma. Depois, o marido tentou levá-la para casa do bar em que ela estava, sem sucesso.

De acordo com o depoimento de um amigo da vítima, ainda na madrugada, Rhaillayne pediu que Rhayna fosse encontrá-la no bar. No local, as duas irmãs conversaram tranquilamente, se divertiram e dançaram. Não há informações sobre o horário exato em que as duas se encontraram pela primeira vez.

Ainda no bar, Rhaillayne tentou intimidar o amigo de Rhayna dizendo que “era polícia”. Quando o bar fechou, a PM quis voltar para usar o banheiro e foi impedida pelo dono. Neste momento, de acordo com depoimento, Rhaillayne atirou para o alto na porta do estabelecimento. Em depoimento, a PM disse não lembrar que atirou.

Diante do comportamento da irmã, Rhayna ligou para o marido da PM por volta de 7h55 porque a irmã estava “transtornada e alcoolizada” em um posto de gasolina. As irmãs começaram a discutir ali (os depoimentos não indicam o teor da briga).

A discussão piorou e elas chegaram a se agredir fisicamente. Rhaillayne também disse em depoimento que não se lembra da briga entre as duas, somente que saiu do banheiro do posto de gasolina já discutindo com a irmã.

O marido de Rhaillayne e o amigo de Rhayna conseguiram apartar a primeira briga das duas. Quando foi separada da irmã, a PM sacou a própria arma e começou a atirar na direção de Rhayna. Um dos tiros acertou o peito da jovem.

O marido relata que a jovem caiu aparentemente sem vida. Com o disparo fatal, o PM deu voz de prisão à esposa e a levou para a Delegacia de Neves (73ª DP).

Legista fala em “psicose”

Rhaillayne admitiu em depoimento que atirou contra a irmã e que tentou socorrê-la. Ela também disse que “chegou a ver o momento em que ela ficava inconsciente”.

No exame de corpo de delito, antes de ser encaminhada à prisão, Rhaillayne contou aos policiais que machucou a si mesma enquanto estava sendo conduzida à prisão: bateu com as algemas na própria testa e tentou arrancar as unhas.

O perito Celso Eduardo Jandre Boechat atesta que a PM chegou no local do exame “com comportamento sugerindo psicose ou estado pós-traumático” e “apática com os fatos relatados”. Ele confirma as lesões relatadas pela PM e que ela estava sem uma das unhas da mão esquerda.