Vamos perdoar?

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Quando somos magoados a primeira tentativa é fugir da dor, embora até consiga, mas momentaneamente, o que não resolve se não encararmos de frente a dor causada.



Aprender a sentir a própria dor, olhá-la de frente e sem medo torna-nos mais sensíveis à dor dos outros. Por mais dolorosa ou injusta que essa dor possa ter sido, perdoar a quem nos magoou é difícil, exige vontade, força e tempo.
Há ainda uma outra dificuldade associada ao perdão, pois perdoar implica renunciar à nossa imagem de maltratados, de destroçados, de vítimas.

“O perdão não é só para os outros. Não se trata somente de os libertar. O perdão, sobretudo a nós próprios, permite libertarmo-nos do ciclo interminável da dor, da raiva e de recriminações que nos mantêm prisioneiros do sofrimento.”

VAMOS PERDOAR FOTO DE CAPA E FOTO DE DENTRO


Cada um perceberá em si mesmo do que precisa para poder perdoar e de quando se sente preparado para o fazer. Este processo não deve ser forçado nem precipitado, é preciso dar tempo, respeitar as emoções de raiva, ressentimento, tristeza.

Esperar que o coração esteja preparado para perdoar. O que perdoamos não é o ato, a violência, a negligência, mas sim as pessoas que não foram capazes de fazer melhor. Perdoamos as suas limitações, os seus erros, o seu descontrolo, o seu abandono…

Enquanto não perdoarmos, permaneceremos como que amarrados ao outro e ao sofrimento que ele nos provocou e isso aumentará em nós a dor que sentimos.


Quando perdoamos, libertamo-nos do peso dessa amarra e deixamos o outro ser como realmente é.

“O perdão torna-nos livres para que cada um possa fazer o seu caminho e seguir.”

Inclusivamente, não nos damos conta da interpretação errada que fazemos quando rezamos o Pai-Nosso: “Perdoa as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”, como se o perdão de Deus estivesse sujeito aos nossos pobres indultos humanos. Esta oração deve ser entendida como S. Paulo ensina: “Como o Senhor vos perdoou, assim também fazei vós” (Col 3, 13).

Trata-se de uma exortação ao exercício da misericórdia, estando conscientes de que, também nós já fomos perdoados e, porque fomos perdoados, podemos perdoar. Perdoar não significa sentir-se como antes da ofensa é um equívoco muito comum crer que perdoar é restaurar a relação tal como estava. Perdoar não é sinônimo de reconciliação no sentido em que não retoma a relação no ponto em que estava. Na verdade não se pode voltar ao passado, no entanto, o conflito pode servir para se fazer uma avaliação da qualidade da relação que pode vir a ser recriada sobre novas bases, mais sólidas.

Perdoar não exige renunciar aos nossos direitos, não significa que não se condene o agressor, perdoar não é renunciar à justiça. O perdão é um ato de benevolência gratuita.

O perdão que não procura a justiça, longe de ser um sinal de força e nobreza, traduz sobretudo debilidade e falsa tolerância e incita indiretamente à perpetuação do delito.

Perdoar não significa desculpar o ofensor, não é retirar ao outro a sua responsabilidade moral. O verdadeiro perdão do coração tem lugar na humildade e abre caminho à reconciliação.

O falso perdão permite manter uma relação de dominador-dominado, é um gesto de poder sobre o outro e não um gesto de força interior.

Guardar sentimentos de raiva e ódio e projeções daquilo que não aceitamos nos outros pode nos fazer adoecer física e psiquicamente. O acúmulo dessas vivências destrutivas gera um excesso de estresse que não é metabolizado e se transforma em arma contra a própria pessoa.

Em última instância, alguns adoecimentos estão ligados a uma personalidade rígida, que não aceita o perdão. Por isso, é tão importante elaborar nossas dores e passar a ter um olhar diferente do mundo e de nós mesmos.

Li essa frase e achei incrível:

“Eu te peço, esteja de coração aberto para aceitar os meus deslizes, prometo estar de braços estendidos quando você precisar que eu entenda os seus.” (Autor desconhecido)

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