Notícias

Variante do HIV mais transmissível e agressiva é encontrada na Holanda

Capa Variante do HIV mais transmissivel e agressiva e encontrada na Holanda

De acordo com os estudos conduzidos sobre esta variante, é possível que ela tenha se originado nas décadas de 1980 e 1990.

Cientistas identificaram uma nova variante do HIV na Holanda. Essa nova cepa seria mais infecciosa e prejudicial à saúde. As descobertas também sugerem que os micróbios patogênicos nem sempre evoluem para ser menos virulentos.

A variante “VB” (para o subtipo B virulento) mostrou diferenças significativas antes do tratamento com medicamentos antirretrovirais em comparação com indivíduos infectados com outras variantes do HIV, dizem os pesquisadores, incluindo os da Universidade de Oxford, no Reino Unido.

De acordo com informações do jornal Independent, a pesquisa apontou que indivíduos infectados com essa variante apresentaram carga viral entre 3,5 e 5,5 vezes maior do que os infectados com outras variantes. O estudo que obteve todas essas revelações foi publicado na revista Science, renomado veículo de divulgação científica.

No passado, os pesquisadores se mostraram preocupados caso o vírus HIV-1, que afetou mais de 38 milhões de pessoas em todo o mundo e causou a morte de 33 milhões até o momento, desenvolvesse novas mutações, que poderiam ter impactos significativos na transmissibilidade do vírus.

A nova análise, feita com mais de 100 pessoas infectadas, sugere que a variante VB aumenta o número de partículas virais no sangue de uma pessoa e a torna mais propensa a transmitir o vírus.

No entanto, como afirmam os pesquisadores, ao iniciar o tratamento, os indivíduos com a variante VB tiveram recuperação e sobrevivência do sistema imunológico semelhantes às dos indivíduos com outras variantes do vírus. Ou seja, essa nova cepa não deve ser capaz de aumentar a epidemia de HIV, que hoje consegue ser melhor controlada graças às medicações disponíveis. A população não precisa se preocupar muito, os cientistas afirmam.

O vírus HIV causa danos ao sistema imunológico ao atacar as células dos linfócitos CD4, e o estudo descobriu que a taxa de declínio das células CD4 nos infectados com a nova variante era quase duas vezes mais rápida, colocando-os em risco de desenvolver AIDS muito mais rapidamente.

Os responsáveis pela pesquisa pedem mais estudos para entender o mecanismo que torna a variante VB mais transmissível e prejudicial ao sistema imunológico. Essas descobertas podem levar a alvos para medicamentos antirretrovirais mais avançados.

Chris Wymant, da Universidade de Oxford e do Departamento de Medicina de Nuffield, um dos principais autores do estudo, disse que antes do levantamento era sabido que a genética do vírus HIV era relevante para a virulência, o que implicava que a evolução de uma nova variante poderia alterar seu impacto na saúde, o que foi demonstrado pela variante descoberta, VB. O cientista afirma que a nova mudança no vírus forneceu um raro exemplo sobre o risco da evolução da virulência.

O estudo também ressalta a necessidade de indivíduos em risco de contrair o HIV terem acesso a testes regulares para permitir o diagnóstico precoce, seguido de tratamento imediato, dizem os pesquisadores. Dessa forma, limitaria o tempo que o HIV pode danificar o sistema imunológico, além de que um diagnóstico mais rápido possibilita a supressão do vírus o quanto antes, impedindo a transmissão para outros indivíduos em contato com a pessoa infectada.

A nova variante foi identificada pela primeira vez em 17 indivíduos HIV-positivos do projeto BEEHIVE – um estudo em andamento, que coleta amostras de toda a Europa e Uganda.

Uma vez que 15 desses indivíduos vieram da Holanda, os cientistas então avaliaram os dados, com uma amostra de 6.700 indivíduos positivos para HIV no país, dos quais identificaram outros 92 com a variante.

Eles estimam que essa variante tenha surgido no fim da década de 1980 e início da de 1990, no país europeu, e se espalhou mais rapidamente do que outras variantes nos anos 2000.

0 %