Família

Vendida pela avó ainda bebê, mulher reencontra pais biológicos após quase 50 anos: “Um milagre”

Desde criança, Ana Paula sentia que não pertencia à sua família, mesmo sem saber que havia sido adotada, também não sabia que morava a apenas 20 quadras dos pais biológicos.



Sentir que pertencemos a um grupo de pessoas faz parte da nossa essência. Desde muito antes de atingir esse nível evolutivo, nossos antepassados já se organizavam de formas que garantissem a integridade da comunidade. Essa coletividade, forjada por laços de sangue e afetivos, é o que nos garante a sobrevivência.

Para Ana Paula Tolosa Salfigueroa, essa era a única coisa que não tinha: a sensação de pertencimento. Desde muito nova, já sentia que, por alguma razão, não se encaixava totalmente nos valores da sua família e, com o passar dos anos, essa sensação apenas aumentou.

Foi apenas com um teste de DNA, aos 48 anos, que a confirmação chegou: ela era filha de outro casal. Na infância e na adolescência, Ana buscava algo em sua família adotiva, alguma resposta que confirmasse que não tinha o mesmo sangue que ela.


Mas demorou 24 anos para que a mãe adotiva confirmasse o que ela, havia anos, vinha sondando. A confirmação não foi capaz de trazer, instantaneamente, a família que tanto buscava, foram mais de duas décadas atrás dos parentes.

Direitos autorais: reprodução Instagram/@anapaulatolosa.

Em entrevista ao TN, Ana conta que passou mais de 24 anos buscando incansavelmente sua família, e há 10 anos decidiu fazer da internet sua principal aliada, usando as redes sociais como instrumento de busca. Mas a saga foi longa, e ela precisou seguir o pouco de pistas que tinha, indo atrás das pessoas que poderiam ter mais informações a respeito da sua origem.

Quando completou 25 anos, foi para La Plata, na Argentina, atrás de uma tia por consideração, que sabia que poderia ajudar a traçar um ponto de partida. Assim que conversou com ela e seu primo, descobriu que todos da família já sabiam, exceto ela, e orientou Ana a começar suas buscas na casa da parteira que a trouxe ao mundo.


A parteira mal a recebeu, disse que ela tinha sim nascido ali, mas não quis dar mais nenhuma informação nem o nome dos seus pais ou outra pista que pudesse ajudá-la. Ana voltou para a casa dos pais adotivos decidida a encontrar as respostas que tanto buscava. A mãe confirmou tudo, mas disse que não tinha o nome dos seus genitores.

Direitos autorais: reprodução Instagram/@anapaulatolosa.

A partir desse momento, Ana decidiu ir atrás de todos os órgãos ou instituições que pudessem, de alguma forma, ajudá-la. Falou com a Secretaria de Direitos Humanos e até chegou a se inscrever em programas televisivos que juntavam familiares que não se viam havia muito tempo, mas sabia que dessa forma demoraria muito tempo até obter algum resultado.

Em 2020, Ana Paula fez uma publicação nas suas redes sociais explicando tudo o que sabia de sua história pessoal, onde tinha nascido, dia, ano, quem tinha feito seu parto, quem a adotou e onde sempre morou. Por fim explicou que estava buscando seus pais biológicos na esperança de que a postagem chegasse a alguém que a pudesse ajudar.


Direitos autorais: reprodução Instagram/@anapaulatolosa.

Uma prima havia descoberto que um casal que estava buscando o filho desaparecido há muito anos. Como na década de 1970 não existia pré-natal, os pais não sabiam qual era o sexo da criança até o momento do nascimento, mas quando Ana veio ao mundo, a parteira já tinha sido induzida a mentir, e disse que ela tinha dado à luz um menino.

Quando Ana Paula nasceu, sua mãe tinha apenas 13 anos e seu pai, 16. Como eram muito jovens e sua avó era mãe solo, não confiou que os dois ficariam juntos, e decidiu vender a recém-nascida para a parteira, assim não existiriam chances de a própria filha ter alguém para criar sozinha e tão jovem. Mas tudo isso foi decidido sem nunca ter falado com o casal, que permaneceu junto e casado durante toda a vida.

Direitos autorais: reprodução Instagram/@anapaulatolosa.


Assim que o casal descobriu o que tinha acontecido com a filha, começou a procurá-la incansavelmente, até o momento em que a prima leu a publicação que fizeram nas redes sociais também. Ana Paula descobriu ainda que passou boa parte da infância vivendo a apenas 20 quadras da casa dos pais biológicos, que tiveram mais quatro filhos.

Como a parteira havia mentido, dizendo que sua mãe tinha dado à luz um menino, as buscas do casal se concentraram em encontrar um rapaz que se parecesse com seu filho caçula, e sempre viajaram pelo interior, tentando encontrar um jovem que nunca existiu.

A publicação que Ana Paula fez nas redes sociais acabou fazendo com que conhecesse uma de suas irmãs, que deu a ideia de fazerem um exame de DNA. Assim que o resultado ficou pronto, a família descobriu que Ana Paula era a filha perdida quase 50 anos antes, com 99,9% de correspondência.

Com o teste em mãos, eles decidiram fazer a primeira videochamada no fim de 2020, quando ela viu os pais pela primeira vez; todos se emocionaram muito. A mulher explica que, assim que abraçou sua mãe pela primeira vez, sabia e sentia que aquele era o corpo onde havia sido gestada por nove meses.


Direitos autorais: reprodução Instagram/@anapaulatolosa.

Era dali que vinha e era ali que precisava ficar, e nem sequer precisava de um exame de DNA para confirmar esse seu sentimento. Agora a luta de Ana é conseguir mudar seu nome, já que foi registrada como Marcela Elías pela família que a comprou da parteira.

O reencontro e a busca pela sua verdadeira identidade motivaram Ana Paula a lutar por um banco de amostras de DNA o qual as pessoas possam consultar sempre que precisarem. Principalmente em casos como o dela, mas de forma gratuita, já que muitos não têm como arcar com as despesas de um exame tão caro.


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