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Vento a favor!

VENTO A FAVOR

Quem nunca reclamou do vento? O vento que traz a poeira que cobre a varanda, que traz a chuva, que balança as janelas, que desarruma o nosso cabelo, que levanta a nossa saia.



Quer um conselho? Deixe de reclamar. O vento é o ar em movimento e só isso dá a ele uma magia que deve ser reverenciada.

Claro que ele tem lá seus rompantes. Sua fúria, seu assobio, às vezes, um pouco mais alto. Tudo bem que ele seja amigo dos trovões e das tempestades, mas ele traz também a brisa do mar, o farfalhar das folhas secas, a fresca da tarde, o vento é tudo de bom.

Aprendi a valorizar o vento, de um jeito muito duro. Algumas pessoas sabem que eu perdi uma irmã quando ela tinha apenas 32 anos. Hoje, oito de abril de 2016, faz três anos que ela se foi. Mas antes de ir, ela sofreu muito.


A doença renal crônica transformou a vida dela em algo quase insuportável. Dias e dias de hemodiálise, entradas e saídas de UTIs. No final, ela dependia de uma cadeira de rodas ou de um colo para ir e vir. Até que um dia o corpo sofrido entrou em colapso. Ela saiu de casa pra não voltar mais. Apesar da pressão arterial quase nula, da taxa de potássio na estratosfera e tudo mais, no caminho até o hospital, o último passeio, ela pediu ao meu tio, que dirigia o carro: “Tio abra o vidro, quero sentir o vento.” Imagine você, uma pessoa que sabia que o tempo estava acabando, pedir apenas pra sentir o vento.

Não é “apenas”, o vento é o ar em movimento, é vida que abraça o corpo, invade as narinas, faz cócegas nas orelhas, acaricia os cabelos.  Por isso, aproveito essa última lição que a caçula nos deixou. Em vários momentos me pego pensando  nela e abro o vidro do carro pra sentir o vento. Porque ela me ajudou a perceber que Deus está nas coisas mais simples e a alegria também.

O vento está sempre a seu favor, e as vezes ele vai soprar uma saudade no seu coração. Mas saudade inté que é bão


Perdoar é como jogar o lixo fora!

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