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Verdade e integridade: não existem pela metade!

“Não é a força, mas a constância dos bons sentimentos que conduz os homens à felicidade”.



(Friedrich Nietzsche).

Homens e mulheres têm uma enorme predisposição em subornar a realidade para garantir seus desejos egoístas sem admitir os julgamentos ou censuras. O extrapolar desse comportamento desencadeia o mau-caráter. No amor, não se encontra meios viáveis para aqueles que querem manter um relacionamento estável, porém não querem abrir mão da liberdade e/ou libertinagem — o que quase sempre acaba em destruição. Melhor dizendo, à tragédia no relacionamento.

O psicanalista inglês Wilfred R. Bion (1897-1979) questionou se era possível analisar um mentiroso – um dilema que diz respeito também ao amor: é possível relacionar-se com uma pessoa que desliza nos enredos sinuosos da mentira? Então, se nós, psicanalistas temos como objetivo “desvendar os enigmas da conduta humana”, como fazê-lo se o sujeito foge às escondidas na dissimulação. Não raro, uma similar reflexão se aplica ao relacionamento, que cria laços e nos atravessa pelos afetos, mas em alguns casos as pessoas só se permitem ser atravessadas pelos afetos quando vivenciam o trágico. (Além do sexo que pode se tornar vazio e invasivo). Dessa maneira é conturbado confiar um no outro, pois a reciprocidade é contraditória com a prática da dissimulação. Por isso, cabe questionar-se: o amor a uma pessoa dissimulada ou entre duas pessoas compactuando da mesma realidade é realmente amor ou hipocrisia? Na mentira, procura-se estabelecer um acordo, porém sem êxito, entre amor e liberdade.


É confuso conviver com uma pessoa dissimulada quando se tem consciência disso e quando não se tem também. Assim, a dúvida é constante, se o parceiro fala a verdade, desconfia-se até nos momentos que fala a verdade, pois uma vez detectado como mentiroso não consegue passar confiança. A relação torna-se um transtorno, quase uma tortura. Já quando não se tem consciência de que o companheiro é dissimulado-mentiroso, a pessoa é tomada por uma sensação complexa de estar sendo manipulada e iludida.

É comum a pessoa se entristecer, podendo entrar em depressão e adoecer, logo, este é o preço inconsciente que paga por não admitir sua dúvida ou não verificar e confrontar sua desconfiança. O assunto é ainda mais complexo, pois nem sempre quem mente o faz apenas para o outro, mas também para si mesmo.

A noção de má-fé pela ideia de uma mentira sem mentiroso permite entender que uma pessoa pode ser alvo da própria mentira inconscientemente, sendo, ao mesmo tempo, o enganador e o enganado. Quem será realmente enganado: o traidor e/ou o traído? Mas não dá para isentar-se do “delito” ainda que o equivoco seja de origem inconsciente: somos responsáveis pelos nossos atos como um todo. Vale ressaltar a máxima: não adianta ser fiel, é preciso parecer fiel. Qual será a necessidade que o mentiroso tem de se repetir nas suas mentiras. É questionável.

A mentira é o que os seres humanos dissimulam para valer-se do desejo egoísta e cômodo de ficar sãos e salvos, ou seja, dissimular e seduzir o outro, especialmente na amizade e no amor. Essa tendência começa durante a infância e pode perdurar na vida adulta, desencadear, no limite, o mau-caráter. Como escreveu Guimarães Rosa: viver é perigoso. 


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Créditos ao Blog: luzzianesoprani.com.br

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