Veredas da Fé e do Amor Incondicional…



Trilhando a vereda da fé, tento consertar o que me cerca e me toca, ainda que eu corra o risco de ser machucada.

A maturidade seria o meu melhor momento, se eu pudesse fechar esse olho clínico, que ganhei com a experiência, fazendo-me enxergar além do que quero ver. Episódios intermitentes, que passam pelo correr de meus dias sem que eu possa evitar…

Leio alguns provérbios, que me indicam que devo pular ou ignorar algumas pessoas. Mas, prefiro enfrentá-las. Mesmo que sejam dolorosamente nítidas. Examino, com atenção, a verdade oculta, as declarações implícitas, as atitudes disfarçadas, o riso vazio, o abraço insignificante e a barriga inchada de arrogância. Explorar atitudes e sentimentos humanos é algo que me atraí, e não tento desviar. Alimento a esperança de que ninguém nasceu torto — e procuro o motivo que as deixaram assim.

Reviro e vasculho meu íntimo, à caça da causa que me faz ter esse impulso, e encontro um imenso desejo de consertar o que me rodeia. Rasgar essas fachadas inúteis, e sem sentido, e alcançar o humano, escondido, que se mantém refém de seus desacertos e medos. Não é divertido e nem fácil, enfrentar essas “missões impossíveis”, onde, muitas vezes, eu quebro a cara, batendo nas paredes de bronze de alguns. Não sou e nem fui perfeita, mas não prendi meus erros e desacertos em cadeias, fingindo ser quem não sou.

Na minha autoanálise (deveríamos fazer isso todos os dias, como uma oração), sou toda desejo. E não me privo. Nado, nessa vontade oceânica que é minha. Reconheço que alguns desejos são utópicos, e estão fora do meu alcance. Mesmo assim, não deixo de sonhar que alguém possa ter poder e vontade suficientes para alcançá-los.

Trilhando a vereda da fé, tento consertar o que me cerca e me toca, ainda que eu corra o risco de ser machucada.

Ainda não sei como possuir a fé que move a montanha. Mas, ao remover a dor de alguém, o bem estar que me traz é tão grande quanto a própria montanha. E, mesmo apedrejada, esse desejo não seca.

Uso meu olho clínico (esse que me faz ver a passagem de coisas que não deveriam existir), e analiso, de perto, a forma do meu “desejo”. É inesgotável. Não cansa e não desiste, mesmo sem alcançar seu intento. Carrega a cara de um bobo arranhado.

Quem sou eu, para dizer que tudo sei e que tudo posso?! Contudo, ao reconhecer minha inutilidade, busco ser forte. Já houve, quem me disse… que tenho atração pelo sofrível. E li, nas entrelinhas, que estava me chamando de louca. E, nas entrelinhas, respondi: que pior é ser uma cega esvaziada.



Já experimentei ser egoísta. Fechei meus olhos, cansados, diante da injustiça humana, e pensei, com fervor: “a partir de agora, não quero ninguém importando-se comigo, e nem vou me importar com ninguém”. Atuação que durou um breve instante… Estaria usando uma das fachadas que eu já quis rasgar, e ser apenas mais uma humana escondida?

Sempre que busco me achar, estou lá, no mesmo lugar: arremessada e materializada entre o poço da dor, a fonte das lágrimas, e o palco dos risos!…

Ninguém nunca disse que a incondicionalidade do amor é livre de loucura. Tampouco, embelezaram esse caminho, dando-lhe traços retos e sem espinhos. Ele não é perfeito, como o pintam, e não precisa de motivos para existir. Só do gigante DESEJO: de trazer para fora o melhor que existe em cada um de nós.

E para a terra… (ah, que utopia perfeita seria essa do meu desejo!) trazer o paraíso e a musicalidade dos risos!

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Direitos autorais da foto de capa: olegdudko / 123RF Imagens






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