Às vezes, é bom viver apenas a leveza dos momentos, como se tivéssemos acabado de conhecer tal pessoa…

Quanto mais intimidade, mais amarras.



Talvez a gente não precise conhecer tão bem assim as pessoas. Quem sabe a intimidade entre nós seja muito mais “coisa de pele”, “toque de almas”, do que saber o que nossos amigos fizeram no final de semana passada.

Existe uma possibilidade maior de se render às pessoas, como à leveza das amizades do primeiro dia de aula. Essas simplicidades aumentam as possibilidades de sermos intensos, como último suspiro.

Encanta-me conhecer pessoas e saber de suas histórias, principalmente quando estamos desamarrados, quando é apenas papo de boteco, uma taça de vinho, uma conversa na sala de espera.

Parece que rola aquela sintonia de olhares, a sensação do coração acelerado na hora do beijo. Ali estão mais que corpos, estão almas que conversam, aconselham e se beijam sem mesmo tocar a pele, somente tocando a alma.


Às vezes a sintonia é tanta, que indagamos: De onde nos conhecemos?

Tudo parece pluma, não há cobranças, não há preconceito. É tudo leve, sem laços que amarram as pessoas a se abrirem a novas possibilidades. Possibilidade de ser feliz ali, de viver aquele minuto, sem dar opinião pensando que o meu amigo possa estar em um trabalho melhor que o meu, que o meu amigo fez mais viagens que eu, que ele trocou de carro e eu não.

Naquele exato momento, no papo descontraído, deixamos de lado as classes sociais, os cargos que ocupamos dentro de empresas, o nosso salário, ali, tudo cai por terra, exceto o amor, exceto a vontade de eternizar aquela simples conversa. Conversas que revigoram, conversas que nos fazem voltar para casa transcendendo luz e paz.


Já citou uma grande amiga minha: Engraçado, quanto mais intimidade, mais amarras.

Por isso, às vezes é bom não conhecer tão bem assim as pessoas, os relacionamentos de hoje em dia (quando falo em relacionamentos, são todos tipos de relacionamentos, familiares, românticos, profissionais), nos amarram, nos prendem, a intimidade chega ser tão grande, que nos prendemos em cadeados que fica difícil de soltar.

Às vezes é bom deixar a intimidade de lado e viver apenas a leveza dos bons momentos, sem nenhum tipo de amarra, como se tivéssemos acabado de conhecer tal pessoa.

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Direitos autorais da imagem de capa: dolgachov / 123RF Imagens

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