Natureza

Via satélite, uma floresta desconhecida é descoberta em meio ao deserto do Saara

capa site Via satelite uma floresta desconhecida e descoberta em meio ao deserto do Saara

As árvores encontradas não ficam agrupadas, da maneira como estamos acostumados a ver em florestas, são solitárias e nascem próximas umas das outras.

O que você pensa quando ouve a palavra deserto? A maioria das pessoas imagina quilômetros de areia escaldante, com um sol capaz de se refletir em cada pequeno grão, tornando impossível manter os olhos abertos por causa de tanta claridade. Outra coisa que costumam pensar é no deserto do Saara, conhecido como o maior deserto quente do mundo.

O deserto do Saara se localiza no noroeste do continente africano e percorre países como Argélia, Chade, Egito, Líbia, Tunísia, Sudão, Mali, Líbia, Marrocos, Mauritânia, Níger e Saara Ocidental, incluindo partes do Sahel, o cinturão de savana tropical semiárida. É o terceiro maior deserto do mundo, perdendo apenas para Antártida e Ártico, com 1,3 milhão de quilômetros quadrados.

Por mais que a maioria imagine uma imensidão de areia que se estende até onde os olhos não enxergam, um estudo publicado em 2020 da revista Nature mostra uma descoberta inacreditável: centenas de milhões de árvores foram encontradas no deserto do Saara através de um satélite.

Mas as árvores encontradas por Martin Brandt e outros 22 outros pesquisadores, não estão agrupadas, como numa floresta tradicional, elas estão espalhadas por todo o ambiente mapeado, sendo consideradas árvores solitárias. Cerca de 1,8 bilhão de árvores foram encontradas no local de maneira inesperada, e de acordo com reportagem da BBC, existe em média uma árvore a cada hectare no hiperárido.

Martin Brandt, da Universidade de Copenhagen (Dinamarca), e que conduziu o estudo, disse que embora a maioria das árvores estejam no Sahel, ainda existem centenas de milhões no próprio Saara. Ele ainda acredita existir mais do que uma árvore por hectare, principalmente porque conduziram a pesquisa em apenas 20% do Saara e do Sahel.

Os 23 cientistas, que incluem especialistas da Nasa, do Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS) da França e do Centro de Monitoramento Ecológico do Dakar, no Senegal, acessaram imagens de satélite de altíssima resolução, que ficam normalmente reservadas para uso exclusivo militar ou industrial. Foram mais de 11 mil imagens do local analisado, e apenas quatro satélites da Digital Globe, empresa da Agência Nacional de Inteligência dos Estados Unidos, foram capazes de captar todo o material.

Para chegar à quantidade fidedigna de árvores, os especialistas decidiram contar apenas as copas com área superior a três metros quadrados, sem falar que precisaram empregar um tipo de inteligência artificial (chamado de aprendizado profundo) para ensinar os satélites a identificar as árvores. Esse “treino” para o sistema foi feito pelo próprio Brandt, que catalogou manualmente a área da copa de cerca de 90 mil árvores.

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Direitos autorais: reprodução/ Martin Brandt

Sim, muitas foram registradas para que o sistema compreendesse o que tinha de encontrar, porque o nível de detalhe das imagens é extremamente alto, diferindo as copas entre si. Além disso, os cientistas queriam tirar uma medida relativamente precisa das áreas das copas, que ficou em 12m².

O que isso significa?

Essa descoberta oferece um pouco de tranquilidade para os pesquisadores, principalmente porque a quantidade de desmatamento no mundo assusta a todos, agravado pelos incêndios florestais em locais da América do Sul, Estados Unidos e Austrália, nos últimos anos. No deserto, essas árvores desempenham um papel muito importante, consumindo grandes quantidades de carbono.

Consideradas fundamentais para a subsistência da população dessa região, Brandt explica que as árvores são importantes porque tornam o solo fértil, fornecem sombra e abrigo para humanos e animais, além de impulsionar a geração de renda.

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