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A vida e seu emaranhado de começos e fins…

Era o fim de mais uma manhã e eu tinha acabado de perder meu emprego. Andava querendo entender os fatos, encarar os novos desafios, mas o sol estava radiante demais, alargando seus raios e cegando meu olhar. Eu até quis chorar, mas segurei.



O ônibus parecia deserto, mesmo abarrotado de gente. A rua parecia quieta, mesmo com os carros apressados voltando para casa em busca do almoço. Fui chutando pedrinhas, sem a pressa de chegar e encarar o desconhecido de frente. E agora que eu não mais teria o amanhã definido? E agora que eu já não sabia mais como pagar as contas? Aquele amontoado de perguntas foram se acumulando na minha cabeça cansada. Não seria fácil arrumar outro emprego, já é fim de ano, estamos passando por uma crise terrível.

Desempregada. A palavra ressoava nas minhas ideias exaustas, levando à combustão os pensamentos em fervor de desespero. Meu fim estava próximo? Que nada, brindavam-me os pássaros. Eles não silenciaram. E as flores brotando das árvores em anunciada primavera também não deixaram que minha esperança se estilhaçasse no chão.

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Pareciam dizer que tem mais caminho depois de amanhã. E que o fim de qualquer coisa é início de outra. E assim é que a vida segue: sendo um emaranhado de começos e fins, de alegrias e tristezas. O nó apertado na minha garganta foi se desfazendo. Olhei para cima, tinha céu, tinha sol, tinha vida adiante. Foi tudo virando calmaria em orquestrada sinfonia.

Não tinha dinheiro que pagasse aquele momento de liberdade. Por que aprender a viver para trabalhar sempre me pareceu tão mais apetitoso do que trabalhar para viver? Eu precisava resgatar minha sensibilidade, meu paladar, minha vontade de ser feliz por conta das coisinhas mais simplórias da vida. Algumas lágrimas escorreram, é verdade. Era água que a alma enviava para purificar a pele ferida. É que eu ainda estava machucada. Feridas precisam de tempo para cicatrizar. Mas eu já tinha dentro de mim um broto verde. Bastava que eu o regasse com carinho e com afeto.

Abraços costumam espichar brotos em segundos! Ganhei meus abraços apertados e as torcidas fervorosas em positivos pensamentos revigorantes de que algo de melhor haveria de estar esperando por mim. Por que não?


Era o fim de mais uma manhã que não era apenas mais uma manhã. Era meu dia de atravessar a ponte do aqui para o até lá. Do até logo para o adeus. Não era o fim da vida, era o renascimento. Era acordar sem saber ao certo o que seria de mim. E, de repente, achei tão inspirador apostar no incerto…! É uma vida tão curta e eu querendo dias certos com hora marcada.

Quimera! Não tenho ponteiros dentro de mim. Não faço hora, faço tempo. E o tempo caminhava comigo, fazendo sua incrível relatividade me levar rapidamente para casa naquela manhã. Eu era recém-nascida para todo o mundo novo que me aguardava.

Somos fracos. Sim, nós, humanos, somos fracos! Queremos as certezas dos caminhos exatos. Mas minha alma gritava em música suspirante para que eu me permitisse dançar em passos incertos, inexatos. Eu era criança novamente aprendendo a andar.

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Eu era resquício de tudo o que fui em vida nova a surgir. E haveria melhor presente de Deus do que eu poder ser tudo o que eu quisesse?

E de repente, não mais que de repente, não era mais o fim de uma manhã. Era o começo de uma tarde!

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Texto escrito com exclusividade para o site O Segredo. É proibida a divulgação deste material em páginas comerciais, seja em forma de texto, vídeo ou imagem, mesmo com os devidos créditos.




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