A VIDA É UM MAR DE MISTÉRIOS…

Ah…o sobe e desce da vida! Oscilações tão necessárias e mal compreendidas. Num momento somos um oceano de felicidade quando nos deparamos com o emprego dos sonhos, com o amor de nossas vidas e com a saúde plena nos conduzindo à realização de prazeres mentais, físicos e emocionais.

Há uma demasiada pesca de alegrias! Em contrapartida, também somos um deserto de tristezas a partir do instante em que perdemos toda a solidez da bonança.

De acordo com minhas experiências relacionais e situacionais compreendi profundamente que nada é tão bom que não possa ser ruim e que nada é tão ruim que não possa ser bom. Toda esta mutabilidade tem uma razão de ser!

A vida é um mar de mistérios! Por mais que queiramos conduzir nosso barco…por mais que sejamos pescadores experientes e cautelosos…por mais que sejamos pessoas boas no percurso de nossa existência…não escaparemos do mar revolto da vida.

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É como se as inconstâncias da realidade fossem o verdadeiro caminho presente num mapa para alcançarmos o grande tesouro: O nosso propósito!

Mapa que não possuiremos nunca em mãos, pois não é visível aos nossos olhos.

Apenas somos guiados intuitivamente a cumprir tal traçado até o final de nossas vidas.

Não estamos aqui à toa. Cada um é único neste tempo…obras raras de nós mesmos. Então, não faz o menor sentido partirmos deste mundo sem realizarmos…sem marcarmos…sem deixarmos algo…um pedaço ínfimo nosso…mesmo que morto, ainda sim…muito vivo!

Durante a jornada marítima subsistencial muitas coisas nos acontecerão.
Encontraremos os mais terríveis monstros do medo, da desilusão e da incerteza, empurrando-nos a uma lição insondável e penosa. E nestes instantes, muitas vezes, iremos querer lançar âncora…parar tudo…refletir os porquês dos acontecimentos e mergulhar fundo em nossas próprias dores.

Mas o mar da vida vai nos ninando nos embalos de suas ondas até o certo instante em que nos traz alguém para nos ajudar a desatracar logo e seguir o caminho do “mapa invisível” através do nosso coração.

Esse alguém pode ser um sábio pescador que nos lança a rede da esperança, ou mesmo um marinheiro experiente e corajoso que nos conduz através de suas histórias heroicas de faz de conta a termos um novo olhar…um olhar de que mesmo diante dos prováveis dissabores da circum-navegação existencial…o limite entre o céu e o mar continua com sua perfeição de beleza a nos mirar e nos dizer: “Mantenha o foco apenas em mim! Serei sua calmaria infinita!” E há ainda aquele alguém como “sereia” ou “Possêidon” encantadores que nos visitarão para alertar os perigos do mar da vida. Entretanto, podem passar também pela nossa embarcação pessoas piratas que nos roubam a paz e muitas vezes até a sanidade, fazendo-nos ter a vontade de desistir inclusive de nós mesmos.

E claro, não podemos esquecer das pessoas “medusas” que nos inquietam tentando a todo custo transformar nossos corações de carne em corações de pedra nos Portos de abastecimento de forças.

E alguns neste momento poderão me interpelar: “Mas até estas pessoas difíceis estarão nos ajudando?

Será que elas não estarão nos atrapalhando?” E eu os respondo com toda segurança:

São justamente estas pessoas que surgem em nossas vivências para colocarmos em prática o melhor de nós a ser oferecido. É como aqueles vários grãos de areia chatos, incômodos e dolorosos que invadem as ostras. Mas…mesmo assim…com toda paciência e sabedoria natural, elas os transformam dia-a-dia em lindas pérolas. E assim…devemos fazer o mesmo com os grânulos de maldades, desonestidades e destemperamentos que penetram nosso coração com mágoa e raiva…devemos lançar pérolas de amor.

É.…não é fácil ser o navegante nesse oceano de realidade. Dói…choramos…desesperamo-nos.…queremos estacionar e vivermos ilhados em nós mesmos. Entretanto, não adianta fugirmos do nosso propósito, pois o vaivém as águas da vida nos levam a concluir a viagem a todo custo. E muitos ao chegarem no término de seu itinerário poderão ter a impressão desolada de que não conseguiram encontrar seu tesouro…seu propósito. E no leito de morte sentem-se arrependidos por tanta inutilidade em vida.

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Contudo…afirmo que ninguém parte deste mundo sem realizar seu intuito predestinado. A verdade é que nos iludimos correndo atrás do nosso propósito. Crendo, ademais, que é algo grandioso e que alcançará muitas pessoas. Para alguns pode até ser, mas para outros a missão é atingir apenas uma única pessoa. E nem por isto, estes deixam de ser extremamente especiais.

Portanto, somente no final de tudo, perceberemos com claridade que nós é quem somos o verdadeiro tesouro que tanto o propósito procura.

Izabella Procópio



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