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Vida, essa ‘miga’ louca! Sem você não teria graça nenhuma!

Olá, Vida! Já faz uns bons anos que você me trouxe aqui e me acompanha a cada passo.

Na verdade, acho que sou eu quem ando à sua sombra – ou melhor, sob sua luz: você sempre me ajudando a evoluir!


Confesso que, às vezes, você me irrita com seu ritmo peculiar: sempre que tenho pressa, você anda devagar; e quando quero descansar, você faz tudo acontecer de uma só vez.

Você é meio doida, confesse! Já me colocou em cada situação, e não estava nem aí para os meus medos e vergonhas; mas, reconheço que foram no momento certo, e que seus empurrõezinhos sempre são para impulsionar, nunca para me fazer cair.

E no fim, a gente sempre acaba dando muita risada juntas, porque você, Vida, tem uma leveza que a faz séria, sem ser chata.

Um dia, em uma de nossas infindáveis conversas, você me disse que temos escolha sobre quem somos, mas não temos controle quanto ao que vivemos. Aliás, é nítido que você não está nem aí para essa coisa de controle: você se importa mais com as experiências que nutrem a alma do que com os padrões e expectativas. Acho-a um tanto rebelde, revolucionária, incitando-me a ser menos específica nos meus quereres e mais aberta ao acaso. Por outro lado, você é firme e me ajuda a manter o foco, restringindo minhas opções.


Você caminha com a fluidez de quem dança uma eterna coreografia dramática, espontânea, viva!

Tem uma presença marcante, e quando se vai, sabemos que todos sentem pesar. Você valoriza a liberdade, não se deixa prender, e também não nos prende: estar com você é sempre uma escolha, isso, desde o início. Sei que você dá o melhor de si, mas da minha parte sei que nem sempre dou a você o melhor de mim.

Tenho sorte por você ser tão sábia e paciente, e por encarar minhas birras sem interferir e, só depois, quando estou mais calma, você me mostra o que estava nublado pelo ego: sem me repreender ou julgar, apenas aponta o espelho. Você me tira do conforto e traz o imprevisível, confronta-me com o improviso, priva-me de algumas coisas, até eu perceber que nem precisava mesmo de tudo aquilo.

Vejo você se desdobrando por mim, e se tornar ao mesmo tempo passado, presente e futuro. Você é versátil, aceita todos os desafios, não se deixa intimidar; segue em frente sem pestanejar, e vai colocando ordem nas coisas, harmonizando.


Você é bem discreta, Vida, prefere realizar sua mágica em silêncio e sem alarde. Fala pouco pois prefere cantarolar baixinho, preenchendo de alegria o ambiente.

Apesar de você ser mais velha do que aparenta, sua sabedoria denuncia sua imortalidade, ao mesmo tempo que sua alegria desafia a maturidade. Posso dizer que você é uma grande brincalhona, fica só observando e de repente me dá cada susto, e tem vários comportamentos que desafiam a amizade.

Você é uma amiga meio louca, uma anciã um tanto excêntrica, mas que no fundo sabe muito bem o que faz.

Você é uma amiga que me deixa meio louca, Vida, mas sem você, não teria graça nenhuma!





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