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A vida nem sempre é uma redação tipo “minhas férias”…

A vida nem sempre é uma redação tipo “Minhas férias”, ao contrário. Infelizmente, muitos de nós, entretanto, só valorizamos o diferente, o fora do comum.

Quando falo no fora do comum, quero dizer o que nos é incomum, o não rotineiro. Não falo de nada de extraordinário – um Uau! A redação “Minhas férias” que muitos de nós éramos obrigados a escrever na escola no dia de retorno de férias, tanto das de fim de ano quanto das de julho, buscava sempre que valorizássemos as experiências não corriqueiras: a viagem com a família; a visita à casa de parentes; uma cidade nova que conhecêramos.



Mas, ao contrário do tema “Minhas Férias”, a vida é construída na sequência do dia-a-dia. Ela nos fortalece nos momentos incomuns de nossa rotina diária. Não nos momentos extraordinários. Uma doença própria, ou de alguém muito próximo, que apesar dela nos faz levantarmos todos os dias e sairmos para trabalhar. A perda de familiares diretos, maridos e filhos, que destroçam nossos corpos e corações, e ainda assim seguimos nossa caminhada carregando este sofrimento. A busca por emprego, nova vida, mudança de cidades, tanto faz.

O encarar a violência cotidiana das grandes cidades e ainda acreditar em dias melhores. O viver em situação de fragilidade e a despeito de tudo, acordar todos os dias buscando novos caminhos para dar a volta por cima.

O extraordinário do texto “Minhas Férias” perde longe para o ordinário da vida comum. Entretanto, sem sabermos bem o porquê, não aprendemos dar valor a este caminho árduo percorrido desde a hora que acordamos à hora em que os olhos se fecham de cansaço para dormir.


É da vida? Sim, é da vida. A vida não é fácil, embora sonhemos com isso diariamente. Sonhamos com uma perfeição inexistente. Muitas vezes elogiamos e reconhecemos o “sofrimento” do outro, sem reconhecermos em nós as mesmas vitórias, já que ‘é da vida’.

A ideia não é ser pessimista ou derrotista. Ao contrário. É darmos valor ao fato de acordarmos cedo, arrumarmos casa, filhos, comida, organizarmos o dia de todos e sairmos para trabalhar enfrentando sol e chuva, tempestades e ventanias. E, voltarmos para casa, passando antes para ver a mãe acamada; auxiliar alguém carente; visitar um amigo que precisa de um consolo porque o primo do tio da vizinha tinha um cachorro que foi atropelado e está com a patinha quebrada.

E ao chegamos em casa,  cuidarmos de nossos próprios doentes. Tratarmos de nossos próprios desamores, abrirmos nossas caixas de solidão. Comermos algo requentado e tomarmos banho frio. Achando que isso é tão corriqueiro que nos desqualifica perante a humanidade e seu sofrimento.

Algumas vezes, ao contarmos para alguém sobre nosso mundinho tão pequeno e comum, este  que nos ouve, dará conta de que a vida dele representa justamente o “Minhas férias” da nossa. Que nossos problemas são tão maiores que os dele e ainda assim continuamos vivendo sem nos apercebermos nós da nossa grandeza. E os papéis  inverter-se-ão.


Devemos todos, ao final de cada dia, em silêncio, como em oração, conversarmos com nosso eu interior, contando a ele e a nós mesmos a nossa história. Reconhecendo-a e a valorizando. Lembrando que os percalços que ultrapassamos são nossas cicatrizes e escada.

Não nos agarremos às cicatrizes, que as respeitemos. Aproveitemos este momento e agarremos esta escada para subirmos ainda mais alto. E, ao alcançarmos o degrau seguinte, que possamos auxiliar quem não percebe sua própria escada a descobri-la também.

Namastê!

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* Matéria atualizada em 29/07/2017 às 4:52






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