ColunistasCrônicas

A vida que se abre pela janela…

A JANELA capa e dentro

Juntando as peças do quebra-cabeça a vida se faz pelas minhas mãos.



Talvez as estradas percorridas sejam de asfalto e não só de terra como pensei.

Talvez sejam lagos de cisnes e não cachoeiras e corredeiras turbulentas.

Talvez as borboletas carreguem um pássaro nas suas costas e o gavião não seja tão perigoso assim, seja só uma beleza e uma liberdade sem fim.


Talvez o céu azul que não consigo tocar esteja bem aqui batendo na ponta do meu nariz e toda flor que eu tentei cheirar na verdade era para eu pisar.

Talvez todas as angústias e ruas de subida sejam carrinhos que descem ladeiras, de ferro, de pau e cipó.

Talvez todas aquelas moedas de ouro sejam jogadas por mãos sagradas para ver a alegria em um olhar.

Alegria saltada na bola que ainda não sei jogar.


Talvez as necessidades escondidas na roseira na verdade sejam só cobras a rastejar.

Sejam só verdades duras a falar, a escutar.

Talvez os chicletes de goma são só para fazer bolas e tampar o olhar, não nos deixar enxergar.

Talvez sejam eles feitos só para que na infância possamos morar.


Talvez a vida que se abre pela janela não seja só os matos a capinar, sejam também os arco-íris a escalar, as folhagens a soprar e aos deuses conquistar.

Talvez essa janela colorida pintada com giz de cera seja na verdade só um sonho que na cabeça vai ficar, recheada de relâmpados, raios, tempestades, um sol e uma lua tomando conta toda vez que minha janela fechar.

A gente só descobre que nossas mães são umas heroínas e mulheres superpoderosas, depois que nos tornamos uma delas!

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