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Vídeo de ginasta de 12 anos treinando em laje no Morro do Borel comove a web

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“Vou chegar lá”, diz Ana Luisa Batista dos Anjos sobre seu sonho de viver do esporte.

Toda vez que passamos por eventos esportivos, quer sejam copas do mundo de futebol, olimpíadas e demais campeonatos, somos tocados pela forma como os atletas usam seus corpos para façanhas incríveis e admiramos a vida daqueles que vivem do esporte. Tudo em suas vidas parece tão bem-posicionado, tal qual seus movimentos na competição, tudo caminhando para o desfecho esperado: o sucesso.

O que nem sempre é mostrado, no entanto, é a dificuldade para chegar a essas competições, não somente física, mas principalmente financeira. Os custos para aprimorar o dom no esporte ainda são muito altos nos Brasil, dando um caráter elitista às competições. Para ter uma chance de mostrar que é capaz, o atleta precisa passar por treinamentos apropriados, ter acesso a equipamentos e profissionais que lhe possam ajudar, e tudo isto custa muito dinheiro.

Muitos atletas que conhecemos hoje chegaram aonde estão por ter uma oportunidade, quer seja por meio de suas famílias abastadas ou por receber auxílio financeiro, público ou privado, e estes últimos são os que precisam constantemente provar que são capazes.

Viver do esporte é uma realidade muito dura, que nem sempre é mostrada junto com os louros dos atletas, mas isso não é suficiente para que as pessoas deixem de sonhar. Mesmo tendo pouco, aspirantes a atletas continuam treinando.

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Direitos autorais: Reprodução / Arquivo pessoal.

É o caso de Ana Luisa Batista dos Anjos, que treina ginástica artística entre entulhos e blocos de madeira. Mesmo com as condições nada ideais para essa atleta, ela persevera, dizendo que um dia vai chegar lá.

Um vídeo mostrando seu treinamento caiu nas graças da internet. A gravação é breve, mas emocionante, mostrando o talento de Ana em seu local de treinamentos improvisado, precisamente no Morro do Borel, na Tijuca (Rio de Janeiro). Ela transforma um pilar de metal em uma trave e é ali que pratica seus movimentos.

Seu vídeo viralizou primeiro na comunidade de Ana, onde logo seus vizinhos a reconheceram e parabenizaram. E não demorou muito para que o vídeo fosse compartilhado Brasil afora, emocionando a todos que o veem.

É impressionante pensar que a habilidade da ginasta se desenvolveu em pouco tempo de treino: seu vídeo viralizou em janeiro de 2022, e ela começou a praticar a ginástica apenas no segundo semestre do ano anterior.

De acordo com informações de O Globo, Ana tem apenas 12 anos, mas mesmo com pouca experiência, ela conseguiu entrar para o time de ginástica do Fluminense e, em uma de suas primeiras competições, venceu na modalidade trave e ficou em terceiro no solo. Apesar do seu bom desempenho, a adolescente foi dispensada do time, pois sua idade é considerada elevada para as categorias em que estava.

A mãe de Ana, Cristiane Batista Albino da Silva, lembra que, quando a pequena foi dispensada do time, as duas choraram muito. Sua filha treinou ginástica rítmica dos 9 aos 11 anos, mas seu sonho sempre foi passar para a modalidade artística. Depois de muita insistência com a família, que por sua origem humilde não sabia se poderia sustentar o sonho da filha, Ana começou a fazer testes para encontrar um clube para competir.

Antes do Fluminense, diz a mãe, Ana já tinha sido reprovada em um teste no Flamengo, também por causa da idade. Depois da competição em que a menina brilhou, a família passou da euforia para a frustração, quando a pequena foi dispensada. Mesmo abalada, a mãe não deixou que sua filha desistisse de seu sonho e seguiram na procura de outra oportunidade para Ana.

Quando seu vídeo foi divulgado no TikTok por um de seus vizinhos — que até o momento só conhecia a família de Ana de vista —, a jovem estava treinando intensamente para um teste que faria no dia seguinte no Studio Espaço Físico, o SEF-Ginástica, localizado na Zona Oeste do Rio. Um professor que havia trabalhado com ela no Fluminense a indicou para o novo local de atuação.

Mesmo com as quedas ao longo do caminho, Ana Luisa não se deixou abalar e estava pronta para dar tudo de si nessa nova oportunidade.

O professor indicou Ana para esse novo espaço porque, apesar de ela estar um pouco atrás de outras atletas da sua idade — que começaram mais cedo a treinar e tiveram acesso a mais recursos —, sua determinação poderia levá-la longe. A mãe de Ana se lembra que comentaram sobre o brilho nos olhos de sua filha ao competir, por isso ela merecia outra chance.

A notícia boa é que Ana conseguiu uma vaga no SEF. Conforme explicou Paula Drummond, coordenadora de técnicos do local, quando fazia seu teste, Ana perguntou se ela achava que conseguiria. Com muita honestidade, a mulher mais velha disse a ela que isso dependia mais da menina do que de qualquer outra pessoa, mas que a equipe estaria ao seu lado, dando suporte em sua caminhada.

E se realmente for esse o caso, com a determinação de Ana e o apoio de sua família, já podemos contar com medalhas no futuro!

O maior sonho da menina é ser campeã brasileira de ginástica e viajar o mundo para trazer medalhas. Muito madura para sua idade, a garota reconhece que está apenas começando, mas que ninguém jamais poderá lhe dizer que não vai conseguir. Em sua jornada, aprendeu que quando uma porta se fecha, outras tantas se abrem, e que não importam os sacrifícios necessários, ela vai chegar lá.

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