Comportamento

“Ele tá aí fora”, diz vítima de violência doméstica em bilhete com pedido de socorro em agência bancária

A mulher aproveitou-se de ida ao banco para pedir ajuda. Confira!



Um bilhete inesperado salvou uma mulher de um histórico de violência doméstica, no Distrito Federal, no último dia 1º.

Segundo informações do G1, a mulher, de 27 anos, aproveitou que só uma pessoa está podendo entrar por vez, nas agências bancárias, para escrever uma mensagem que, ao mesmo tempo, era um pedido de socorro, e entregou a um funcionário, enquanto fazia o saque do Bolsa-Família, em Sobradinho.

Na mensagem, estava escrito: “Você pode me ajudar”, logo após um “X” e as palavras “violência doméstica”, precedidas de “ele tá aí fora”.


Entendendo do que se tratava, o bancário decidiu ajudá-la.

Ele deu um papel em branco à mulher, para que ela escrevesse o seu endereço e ele o repassasse à polícia. A mulher ainda pediu aos policiais que insistissem, caso o homem não abrisse a porta na primeira tentativa.

Direitos autorais: PMDF/reprodução.

Logo após o ocorrido, o funcionário procurou a polícia. Depois de muito trabalho, os policiais apareceram na residência da mulher, no dia seguinte, e a levaram para uma Casa Abrigo, embora não tenham encontrado o agressor no local.


Em uma conversa com o G1, o bancário que atendeu a mulher disse que ela teve medo de passar o seu número de telefone e o marido atender, por isso só passou o endereço.

Após o saque, ela foi embora, e aí começou o planejamento para ajudá-la. Ele foi à 13ª Delegacia de Polícia da cidade, mas o policial de plantão não registrou a ocorrência, dizendo que era jurisdição de Planaltina, porque a mulher morava lá.

Mesmo insistindo, ele não obteve nenhuma resposta do policial. O bancário chegou a ligar para a Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam), onde também não teve atendimento eficiente.

Ele contou que quem atendeu à ligação foi um homem, que lhe pediu para ligar para o 197, já que precisavam apurar se “aquilo era verdade mesmo”.


Com a falta de “empatia”, o bancário se sentiu desnorteado. No entanto, contou com a ajuda de Juliana Gomes da Silva, telefonista da agência bancária em que trabalha, e as coisas começaram a melhorar. Ela falou com uma amiga, que é policial militar do batalhão de Planaltina, e enviou as fotos do primeiro bilhete e do segundo, onde a mulher escreveu o endereço.

Os funcionários do banco ficaram apreensivos e esperando que a história tivesse um bom encerramento.

Após a denúncia, os policiais militares do grupo de Prevenção Orientada à Violência Doméstica e Familiar (Provid) foram ao endereço e descobriram que ela era mantida em cárcere privado pelo companheiro. No local também estavam os dois filhos da mulher, um menino de 1,7 ano e uma menina, de 5 anos.

A mulher confirmou as agressões e o pedido de ajuda. Em 2019, ela já havia recebido atendimento depois de uma denúncia de violência.


O sargento Sérgio Borges, que atendeu à ocorrência, disse que a mulher pode receber medida protetiva e que, dependendo do entendimento do juiz, um pedido de prisão pode ser expedido para o homem.

A Casa Abrigo, para onde a mulher foi levada juntamente com os filhos, recebe vítimas de violência doméstica que registram ocorrência policial no DF. O endereço é mantido em sigilo e a casa é protegida.

Segundo informações da Secretaria da Mulher, a vítima “está serena e disse que se sente aliviada”. Até a tarde do dia 3, o agressor não havia sido localizado.

O “X” escrito pela mulher no bilhete é uma referência à campanha “Sinal Vermelho”, que orienta as mulheres a escreverem a letra na palma da mão, com caneta, batom ou outro material, se possível na cor vermelha, quando precisarem pedir socorro.


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